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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Nostalgia - Como era bom pegar discos emprestados e gravar fitas K7!

Nostalgia total agora. Como tô de molho me recuperando de uma cirurgia, fiquei pensando e me lembrando dos tempos de antigamente. Tempos sem Internet pra baixar os novos lançamentos; sem Youtube para escutar (e ver) bandas diferentes. E sem uma rádio rock (pelo menos aqui no Rio de Janeiro, durante bom tempo...) que nos trouxesse novidades.

Ora, os novos devem estar pensando: como nós, neandertais roqueiros, fazíamos para escutar novidades? Como escutávamos o que gostávamos? Os mais ricos (filhinhos de papai...) podiam até comprar todos os discos que queriam, mas os normais, os que eram adolescentes, os que tinham grana curta, estes não. Estes se concentravam em comprar apenas os discos de suas bandas favoritas. E poucas bandas favoritas: como a grana era muito curta (e os discos muito caros), éramos obrigados a ter umas três bandas favoritas no máximo.

Mas tem um problema: roqueiro é curioso, é investigador. Tem que conhecer mais bandas, escutar mais sons. É a essência básica de quem curte rock and roll. Hoje em dia é mole ser roqueiro, com tanto blog, podcast, torrent de música, vai no Youtube e vê trechos dos shows mais recentes de sua banda favorita. Lá atrás, começo dos anos 80, nada disso existia. Ou esperava algo surgir no rádio (a Fluminense FM fez bem seu papel aqui, para nós roqueiros cariocas) ou então recorria a um amigo. Roqueiro decente tinha que andar em bando, todo de preto, mal vestido, pra assustar mesmo. E era desse bando de amigos maltrapilhos, de amigos de escola, de amigos de onde quer que fossem, que surgiam nossas fontes para buscar nova informação musical. Era o famoso boca a boca. Era como as bandas começavam o seu sucesso - se o disco lançado tinha qualidade, ele corria de mão em mão, de repente todos queriam comprá-lo, e se transformava em um tremendo sucesso.

Quem leu o primeiro post deste blog (leia aqui) sabe que sou um colecionador: comecei cedo, e nunca mais parei. Mesmo com a grana curta, eu ia juntando o pouco que tinha para comprar os meus discos favoritos. E o colecionador roqueiro tem a curiosidade investigativa ampliada muitas vezes. Com grana curta, como fazer? Ora, para isso existiam as fitas K7. Fitas virgens prontas para gravar a música do seu artista favorito, vendidas a preços módicos para qualquer um (não lembra um pouco o CD virgem??). Você gravava o que queria nas fitas: programas de rádio, aquele disco favorito, uma seleção montada por você. Que tecnologia!! Pronto, agora você não precisava comprar todos os lançamentos, se concentrava apenas nas suas bandas favoritas e o restante você gravava nas fitas K7. 

Uma típica fita K7 dos anos 80

E essas fitas K7 rodavam por todos os amigos, para que todos conhecessem as bandas e seus discos. Claro. O roqueiro é evangelizador. Precisa angariar adeptos para nossa causa. Trazê-los para o lado negro da força. Todo roqueiro mais experiente já passou por isso: chega aquele moleque novinho, chatinho, te vê com uma camisa de banda mais famosa, e chega perguntando o óbvio: "Você curte a banda X?". Você respira fundo, responde a algumas obviedades e começa o processo de evangelização: "Bon Jovi?? Muito fofo. Eu só curto rock muito pesado. Já escutou Slayer?" (nesta conversa, você pode substituir as bandas e os adjetivos. Exemplo: substitua Bon Jovi por Restart, Slayer por Ratos de Porão. Ou, fofo por comercial, e pesado por alternativo). Ora, o moleque vai ficar atordoado com essa afirmação. Das duas uma: ou ele vai te pedir algo emprestado para ouvir, ou vai correr atrás.

E as performances ao vivo? Digo em vídeo. Os vídeos eram ainda mais raros por aqui, e esses mereciam autênticas sessões de cinema - um favorecido comprava o vídeo e chamava para a sessão, ou levava o vídeo para ser assistido na casa de alguém. Os mais antigos lembrarão de vídeos clássicos e onde os viram pela primeira vez: AC/DC - Let There Be Rock ("Deixa o Rock Rolar" por aqui), Led Zeppelin - The Song Remains The Same ("Rock é Rock Mesmo" por aqui). Estes ainda passaram em alguns cinemas. E os outros? Somente em sessões privadas. Na casa de algum amigo...

Algumas lojas especializadas aproveitavam a situação na época e do seu acesso a diversos títulos. Eles tinham um catálogo e copiavam tanto um disco quanto uma fita de vídeo por um preço salgado mas abaixo do original. Hoje você vai no camelódromo e compra toda a discografia de uma banda em um único CD de MP3. Melhor ainda, você baixa da Internet tudo isso. Mas ir na loja também tinha seu glamour: nunca se ia sozinho, tinha que ir com amigos, de preferência para fazer mais amigos. Os donos das lojas aqui do Rio são conhecidos dos roqueiros, porque sempre foram poucas lojas...

Toda essa nostalgia me relembra uma época especial, onde foram cultivadas amizades maravilhosas, reforçadas pelos laços roqueiros. Com os amigos mais chegados, emprestávamos 10, 20 discos por vez um pro outro (quem não lembra dos roqueiros andando pela rua com aquela vasta coleção de vinis debaixo do braço?). Muita banda que adoro hoje acabei conhecendo assim, pegando o disco emprestado. Tempos mágicos esses. Que não voltam mais.

Hoje em dia, as amizades são virtuais, com Orkut, Facebook e tantos outros. Não se empresta mais nada, mais fácil baixar direto - você só compartilha o link. Uma pena, esse contato, essa mágica de compartilhar o gosto musical com seus amigos, ali, ao vivo, na hora, era lindo.

Uma dica para os mais novos. Não falarei para abandonar redes sociais. Mas falarei para valorizarem o contato humano. Façam amigos pela rede social, mas marquem encontros com eles, saiam para se divertir, de preferência indo a um show de uma banda de rock. Saiam para tomar uma cerveja e discutir sobre os últimos lançamentos de suas bandas favoritas. E isso vale também para os mais velhos: reencontraram seus antigos amigos nas redes sociais? Socializem então com eles, relembrem dos bons tempos, comemorem o reencontro. Afinal, o ser humano é um ser social, não um ser virtual.

Confesso que este post foi bastante atípico. Mas nos próximos, comentarei sobre o Black Country Communion, a nova banda de Glenn Hughes com Joe Bonamassa, Derek Sherinian e Jason Bonham. Comentarei também sobre o Pride & Glory, uma banda de rock sulista que Zakk Wylde formou há um tempo atrás; e comentarei sobre o Montrose, uma banda de hard rock do começo dos anos 70, que influenciou o Van Halen. Aguardem!!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

No começo, havia centenas de CDs...

Sou um fã de rock desde que eu me lembro por gente. Desde que o Kiss explodiu o Maracanã em 1983 com sua apresentação. E a curiosidade me levou a conhecer diversas, inúmeras bandas. As que iam surgindo e as do passado, claro, qualquer fã decente de rock precisa conhecer as bandas antigas, as bem antigas, as que começaram tudo. Até 1988, eu tive que me contentar com o (pouquíssimo) que eu escutava no rádio e de eventos auditivos e festas nas casas dos amigos. Não rolava som lá em casa (a "vitrola" tava quebrada e não tinha grana pra consertar).
Mas em 1988, após uma frustrada e curtíssima carreira militar, comecei a trabalhar e consegui comprar um toca-fitas portátil da Sony, que passou a ser meu melhor amigo. E de quebra vieram as primeiras fitas - era época de Legião Urbana e seu "Que País É Este?", minha primeira fita original comprada. Daí pra frente, minha fome de "colecionador" foi crescendo e aumentando minhas fitas, LPs de vinil e, finalmente, a partir de 1994, os prateadinhos CD's que já eram a moda e a maioria de vendas das lojas. Minha coleção de CD's começou com o essencial, o fundamental, o fantástico "Dark Side Of The Moon", do Pink Floyd, presente de amigo oculto do trabalho. Aos poucos, fui substituindo os LP's que tinha por prateadinhos com qualidade de som, sem a fritura do vinil. E adquirindo muitos outros, novos, antigos, nacionais, importados, simples, duplos, caixas, todos os tipos !
Bem, pouco mais de 15 anos depois, cá estou tentando passar a experiência de uma decisão que tomei: ripar todos os meus CD's ! A esta altura, são mais de 500 CD's, a grande maioria original (mais alguns copiados, claro...). Sim, o processo de ripar os CD's tem todo um tom de nostalgia, porque você pega um CD, vê a capa, e sua cabeça relembra mil coisas: quando e onde você comprou, porque comprou, o momento que você atravessava, etc.
Então, os próximos posts vão tentar relatar esta nostalgia vivida por este que digita estes caracteres. Ah, e não citei acima: meus CD's ficam organizados em ordem alfabética, então procurei seguir esta ordem (salvo algumas exceções). Que venha a letra A...

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