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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Slayer - Repentless

Depois de um hiato de seis anos, a morte do guitarrista Jeff Hanneman e mais uma saída do baterista Dave Lombardo, o Slayer volta à carga com um novo álbum, "Repentless", o primeiro gravado sem Hanneman, devidamente substituído pelo guitarrista Gary Holt, que agora divide suas atenções entre sua banda original, Exodus, e o quarteto californiano de thrash metal. Um petardo como há muito não se via ser lançado pela banda!

O drama do Slayer se iniciou no começo de 2011, quando Jeff Hanneman teve que se ausentar da banda graças a uma infecção bacteriana que comeu um pedaço de carne do braço de Jeff. A última apresentação dele com a banda aconteceu em um show da turnê do Big Four nos EUA, em abril do mesmo ano. Gary Holt assumiu a partir daí a segunda guitarra. O drama aumentou no início de 2013, quando Dave Lombardo começou a questionar a contabilidade da banda e seus ganhos. Acabou sendo substituído inicialmente por John Dette, na turnê australiana, e posteriormente, em caráter mais definitivo, por Paul Bostaph (ex-Forbidden, Exodus e Testament), que já havia gravado e tocado por um longo tempo com o Slayer. No começo de maio de 2013, a trágica notícia tomou conta da Internet: Jeff Hanneman havia falecido de complicações de uma cirrose provocada pelo consumo excessivo de álcool. Apesar da declaração da banda de que iria continuar, alguns davam como certo o fim da banda em um futuro próximo: sem dois de seus membros originais, como o Slayer iria continuar? Kerry King e Tom Araya conseguiriam manter o nível de composições?

Formação atual do Slayer: Tom Araya, Gary Holt, Paul Bostaph e Kerry King
Antes da resposta a estas perguntas, a banda trocou de gravadora, saindo da American (onde lançaram nove dos onze discos anteriores de estúdio) e migrando para a Nuclear Blast. Lançaram uma versão demo da canção "Implode" como prêmio para seus fãs. A saída de sua antiga gravadora acabou significando também a troca de produtor: a banda não mais trabalharia com o chefão Rick Rubin, e escolheu Terry Date para o serviço (Terry já produziu Pantera, Soundgarden, Prong, Deftones e White Zombie, dentre outros nomes do heavy metal - fez um belo trabalho neste álbum). Repetindo a data de lançamento de "God Hate Us All", um 11 de setembro, finalmente o novo álbum viu a luz do dia em 2015. Com uma tremenda base de fãs devotados, o álbum conseguiu chegar à posição mais alta da história da banda, na parada norte-americana: quarto lugar (a posição anterior mais alta que eles tinham alcançado foi um quinto lugar com "Christ Illusion").

Contracapa do disco
Se havia alguma dúvida se o Slayer conseguiria manter o nível neste novo álbum, ela se dissipa após quase dois minutos de uma introzinha típica da banda, com aquele dedilhado que conduz a um trecho com peso cadenciado até que explode na faixa-título, um petardo supersônico de primeira, uma de suas melhores músicas desde o álbum "God Hate Us All". Riffs rasgantes, solos na velocidade da luz, Araya gritando a plenos pulmões, o melhor que o Slayer pode nos oferecer. E a pegada do álbum segue firme e forte com outros petardos alucinantes como "Take Control", que alterna trechos de cadência e de velocidade em outro riff de primeira de Kerry King. Nem tudo é velocidade estonteante no disco: "Vices" tem aquele crescente de peso que empolga e te faz bater cabeça pra valer. "Cast The First Stone" mantém rotação mais lenta ainda, compensando com muito peso. A rotação desacelera de vez com "When The Stillness Comes", uma daquelas canções bem lentas, arrastadas, que chegam a te arrepiar com aquele dedilhado introdutório bem sinistro, da mesma família de "Seasons In The Abyss" e "213". Canções típicas de Jeff Hanneman, mas compostas por Kerry King, que prova que pode manter o estilo da banda mesmo com a ausência de seu parceiro de longa data.

Com "Chasing Death" a banda volta a acelerar à velocidade da luz com um belo riff que conduz a canção (curiosamente, a letra ataca o alcoolismo, o motivo que acabou matando Hanneman...). "Implode" começa cadenciada e depois acelera pra te empolgar e entrar na roda pra valer. "Piano Wire" é a única composição remanescente do falecido Jeff Hanneman. Uma espécie de homenagem a banda deixar esta canção presente no álbum (parecida com a homenagem que o Metallica prestou no "...And Justice For All" para Cliff Burton, com "To Live Is To Die"). "Atrocity Vendor" e "You Against You" são aceleradas e agressivas, aqueles solos que você sabe a quilômetros de distância que são de Kerry King - canções típicas do Slayer. "Pride In Prejudice" encerra o álbum de forma cadenciada, evidenciando o peso e a qualidade das composições. Um disco que traz uma banda renascida das cinzas, após tantos problemas e separações, mostrando um fôlego para mais dez anos de atividade intensa, no melhor estilo Slayer de ser!

Relação de músicas:
1 - "Delusions Of Saviour"
2 - "Repentless"
3 - "Take Control"
4 - "Vices"
5 - "Cast The First Stone"
6 - "When The Stillness Comes"
7 - "Chasing Death"
8 - "Implode"
9 - "Piano Wire"
10 - "Atrocity Vendor"
11 - "You Against You"
12 - "Pride In Prejudice"

Alguns vídeos:
Vídeo clipe para "Repentless", com participação de Danny Trejo:


"When The Stilness Comes" (versão não final, liberada em abril de 2015):


"You Against You":

Um abraço rock and roll e até a próxima resenha!!

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