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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

1985 - Thrash Metal avança, pop/rock com grandes vendagens

E lá vamos nós com mais um post sobre anos passados e seus lançamentos: agora é a vez do ano de 1985. Tem muito thrash metal com Exodus, Anthrax, Overkill, MegadethSlayer e Kreator; tem rock de muito sucesso com Dire Straits, The Smiths, The Cult; tem heavy metal clássico com Scorpions, Accept e Iron Maiden; tem grandes guitarristas como Stevie Ray Vaughan e Gary Moore; e muito mais! Para conferir o post anterior, que falou sobre o ano de 1975, veja aqui.

No post passado, sobre 1984, falávamos sobre a fome na África, e dois grandes eventos musicais aconteceram para tentar amenizar o sofrimento do continente: a gravação do single "We Are The World", com diversos artistas do primeiro escalão mundial, com a renda destinada para os países pobres de lá; e o festival Live Aid, um festival com o mesmo intuito e que acabou trazendo diversos shows de grandes artistas, inclusive reunião de bandas que estavam separadas - vide Led Zeppelin e Black Sabbath com Ozzy Osbourne nos vocais. Ainda no plano musical, tivemos a realização da primeira edição do festival Rock In Rio, um fato marcante para a indústria de shows no Brasil, trazendo bandas e artistas totalmente inéditos, um evento que marcou época. Tivemos também a perda de Ian Stewart, conhecido como o sexto Rolling Stone, um pianista que acompanhou a banda em turnês e gravou em diversos álbuns. Em termos tecnológicos, se o ano anterior marcou o início das vendas do Macintosh, este ano ficou marcado como o ano de lançamento da primeira versão do Windows, além da saída de Steve Jobs da Apple - ele retornaria muitos anos mais tarde, para reerguer a companhia quase do zero e transformá-la em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. O cinema ficou marcado pela estreia do filme "De Volta Para o Futuro", o mais assistido deste ano. A ciência fez um grande avanço ao descobrir grandes buracos na camada de ozônio que acabam contribuindo para o aquecimento do planeta. Na política, tivemos Mikhail Gorbachev assumindo a liderança da União Soviética, um líder muito importante que iniciou a famosa "Perestroika", a reestruturação do partido comunista soviético que resultou no colapso da União Soviética, revoluções no leste europeu e queda do muro de Berlim. Na América do Sul, tivemos o fim da ditadura no Uruguai e a eleição de Tancredo Neves, que nem conseguiu tomar posse: na véspera, ele foi internado às pressas com fortes dores abdominais e acabou falecendo pouco mais de um mês depois de internado. Assumiu seu vice-presidente, José Sarney, que alguns meses depois convocou uma Assembleia Constituinte: o Congresso Nacional eleito em 1986 foi o responsável por elaborar a atual Constituição de nosso país, promulgada em 1988. Um grande marco da atual democracia brasileira.

Apertem os cintos que a viagem pelo tempo, trinta anos atrás, vai começar!

John Fogerty - "Centerfield" - depois de atravessar diversos problemas com o álbum anterior, que foi processado por suposto plágio pelo seu ex-empresário, Fogerty fugiu um pouco da mídia e se afastou do mundo musical. Teve um disco seu rejeitado pela gravadora e acabou levando dez anos para lançar este novo disco de sua carreira solo. Felizmente, este foi um álbum de redenção, que o levou ao topo da parada norte-americana, graças ao sucesso das canções "The Old Man Down The Road" e da faixa-título. Destaco também as canções "Rock And Roll Girls" e "Mr. Greed". Apesar do sucesso, o álbum foi motivo de mais controvérsias: duas canções dele, "Mr. Greed" e "Zanz Kant Danz", foram acusadas de serem ataques ao seu ex-empresário Saul Zaentz. Além disso, a canção "The Old Man Down The Road" foi acusada também de plágio do clássico do Creedence "Run Through The Jungle" (pior que as canções se parecem...). Fogerty se livrou do plágio levando o violão para o tribunal e mostrando que não era o caso. Também alterou o nome da canção para "Vanz Kant Danz", para fugir dos ataques de seu inimigo. O importante mesmo foi John Fogerty ter voltado à ativa no mundo musical - uma mente brilhante que está sempre compondo grandes canções, com certeza!

The Smiths - "Meat Is Murder" - este segundo álbum dos Smiths alcançou o topo da parada britânica com canções mais engajadas politicamente. Morrissey atacou para todas as direções, incluindo uma canção pró-vegetariana (a faixa-título) e críticas à indústria musical e à administração da primeira ministra britânica Margareth Tatcher. Musicalmente, o álbum mantém o estilo do primeiro, com a adição de algumas experimentações em outros estilos. Destaque para a canção de abertura, "The Headmaster Ritual", e para as canções "Rusholme Ruffians""What She Said" e "That Joke Isn't Funny Anymore". Dos membros da banda, o vocalista Morrissey é certamente o que tem a carreira mais ativa atualmente. E também gosta de uma polêmica. Recentemente, ele informou à mídia que sofreu tratamento para se curar de um câncer, sem informar especificamente qual tipo da doença ele tinha. Seu álbum mais recente foi lançado em 2014, mas atualmente ele está sem contrato com nenhuma gravadora.

Tears For Fears - "Songs From The Big Chair" - este álbum é do tempo em que o pop era bem feito, gostoso de escutar, baseado em música de verdade, ao contrário dos dias atuais, que prestigia beleza e playback com batidas eletrônicas. A dupla Roland Orzabal e Curt Smith já tinha feito algum sucesso com o disco anterior e o hit "Pale Shelter", mas neste álbum alcançaram sucesso mundial, topo da parada norte-americana, onde conseguiram vender mais de cinco milhões de cópias deste grande disco. Os destaques ficam, óbvio, para os grandes hits radiofônicos que todo mundo que tenha vivido os anos 80 conhece: "Shout", "Everybody Wants To Rule The World" e "Head Over Heels". A dupla ainda alcançaria sucesso com o próximo álbum, e depois meio que cairia no esquecimento do mercado fonográfico. Entretanto, continuam na ativa, fazendo shows mundo afora. Inclusive no Brasil, onde estiveram em 2011 - confira a resenha do show deles no Rio de Janeiro aqui.

Anthrax - "Armed And Dangerous" - este EP marcou a estreia de Frank Bello no baixo e Joey Belladonna nos vocais, o início da famosa formação clássica do Anthrax que gravou seus melhores álbuns até 1992, quando Belladonna saiu da banda. Traz as primeiras canções compostas pelos dois e mais uma cover para "God Save The Queen", dos Sex Pistols, e duas canções do disco anterior gravadas ao vivo, já com a nova formação. Em 1992, a banda relançou este mesmo EP, adicionando duas canções de seu primeiro single, que tinha virado raridade (e continha uma gravação ainda com o primeiro baterista da banda, Greg D'Angelo). Importante registro histórico que marca o começo da melhor fase da banda. Ainda este ano, o primeiro álbum inteiro com esta formação seria lançado (ver mais abaixo).

Eric Clapton - "Behind The Sun" - este álbum do mestre Eric Clapton foi o primeiro de uma sequência de discos a contar com Phil Collins (Genesis) tanto na bateria e teclados como na produção também (Ted Templeman também fez parte da equipe de produção). Aliás, o álbum trouxe diversos convidados: o guitarrista Steve Lukather (Toto), Lindsey Buckingham (Fleetwood Mac) além de alguns parceiros de longa data de Clapton, como Nathan East (baixo), Ray Cooper (percussão), Greg Phillinganes e Chris Stainton (teclados). Musicalmente, o álbum tentou trazer algum hit de sucesso para Clapton, embora não tenha conseguido um êxito tão grande neste quesito - a canção mais conhecida seria "Forever Man". Outras canções que merecem destaque são "She's Waiting", "See What Love Can Do" e "Same Old Blues". Eric Clapton completará 70 anos de idade em maio e agendou uma série de shows na famosa casa britânica Royal Albert Hall, para comemorar seu aniversário. Alguém me arranja uma passagem para Londres, por favor!!

Slayer - "Hell Awaits" - depois do sucesso do disco de estreia e do EP "Haunting The Chapel", a gravadora Metal Blade resolveu investir no Slayer e contratou uma equipe de produção mais profissional para a gravação deste álbum. Também financiou o disco, o que não aconteceu no disco anterior (as despesas com a gravação de "Show No Mercy" foram pagas por Tom Araya e pelo pai de Kerry King). O álbum, segundo a Wikipedia, reflete as influências da dupla de guitarristas na época, que estavam muito impressionados com o Mercyful Fate - o disco traz uma temática satanista e canções um pouco mais longas. Este talvez seja o disco do Slayer que eu menos gosto, mas ainda assim temos boas faixas e alguns clássicos: a faixa-título, que abre o disco, abriu também muitos shows da banda no passado; outros destaques como "Kill Again", "At Dawn They Sleep" e "Necrophiliac". O Slayer está em estúdio gravando um novo álbum, que será o primeiro a não contar com Jeff Hanneman, falecido em 2013. Seu substituto será Gary Holt, que tem excursionado com a banda desde 2011. Thrash metal de primeira é o que a gente espera!

Accept - "Metal Heart" - neste álbum, o Accept resolveu trabalhar com o mesmo produtor que os Scorpions já trabalhavam há anos - Dieter Dierks. Depois do sucesso do disco anterior, "Balls To The Wall", a banda tentou catapultar seu sucesso e repetir a fama que os conterrâneos já tinha alcançado. O resultado foi um disco de produção polida e composições caprichadas que acabaram se tornando outro clássico desta banda germânica de heavy metal. Destaque para a abertura do álbum com a faixa-título (contendo referências a dois grandes temas da música clássica) e para as canções "Midnight Mover", "Wrong Is Right" e "Living For Tonite". O Accept é mais uma banda confirmada para tocar no Monsters Of Rock, aqui no Brasil. Eles estão escalados para tocar no dia 26 de abril, domingo. Existem rumores de que eles tocarão também em outras capitais, mas nenhuma data foi confirmada pela banda ainda.

Exodus - "Bonded By Blood" - uma das bandas pioneiras no cenário thrash metal acabou sendo uma das últimas a lançar seu álbum de estreia. O Exodus esteve na ativa desde o começo, acabou perdendo um importante membro para o Metallica (seu guitarrista Kirk Hammett, que foi substituir Dave Mustaine) e ainda teve problemas com a gravadora, que demorou mais de meio ano para colocar o disco na rua. Musicalmente, é o mais forte dos álbuns de estreia de todas as bandas thrash: a dupla Gary Holt / Rick Hunolt, inspiradíssima, nos presenteou com uma saraivada de riffs excelentes, que até hoje infuenciam bandas ao redor do mundo. E tínhamos Paul Baloff, o primeiro vocalista da banda, que se destaca também com seus vocais (Baloff chegou a voltar para a banda em 1997, mas faleceu em 2002 e não conseguiu gravar um novo álbum com o Exodus). Destaque para os clássicos do thrash metal "Bonded By Blood", "And Then There Were None", "A Lesson In Violence", "Piranha", "Strike Of The Beast" (esta é muito aguardada nos shows da banda, pois a plateia é sempre incentivada a fazer a famosa "Wall Of Death"), um discaço que deveria ser obrigatório para qualquer fã de thrash que se preza. Atualmente, a banda acabou de lançar um excelente álbum, "Blood In, Blood Out", que alcançou a posição mais alta na parada para a banda (38º lugar). Foi o retorno do vocalista Steve "Zetro" Souza. A banda também excursionou em outubro aqui no Brasil, com excelentes apresentações (confira a resenha do disco aqui e a resenha sobre o show no Circo Voador aqui).

Overkill - "Feel The Fire" - esta é mais uma estreia de uma grande banda de thrash metal, o Overkill, originário de New Jersey, nos EUA, um grupo que demorou bastante a fazer sucesso e talvez até hoje não tenha alcançado toda a popularidade que merece, dada a excelente qualidade de seus álbuns. Nesta estreia, a banda veio cuspindo fogo a toda velocidade em canções que hoje são consideradas clássicos do estilo como a faixa de abertura, "Raise The Dead", a preferida dos fãs "Rotten To The Core", "Hammerhead", a faixa-título, e a primeira de uma série de canções com o nome da banda (seriam três, uma em cada um dos três primeiros álbuns da banda). A banda continua ativa e altamente produtiva até os dias de hoje. Seu último registro de estúdio, "White Devil Armory", é um desbunde e um dos melhores lançamentos do ano anterior. Que a banda venha ao Brasil novamente!!

Dire Straits - "Brothers In Arms" - este foi o álbum de maior sucesso na carreira do Dire Straits, vendendo mais de 30 milhões de cópias mundo afora. Tremendo sucesso se deve à qualidade das composições de Mark Knopfler, combinando elementos de jazz, rock antigo e diversas sonoridades de guitarra com melodias atrativas e agradáveis, com um time de músicos de primeira tocando com ele e ainda por cima, com a ajuda de uma canção ao lado de Sting, "Money For Nothing", que teve um videoclipe promocional que alavancou ainda mais as vendas do disco. Quem viveu os anos 80 vai conhecer mais da metade do álbum: sucessos como "So Far Away", "Walk Of Life", "Your Latest Trick", "Why Worry" e a triste porém maravilhosa faixa-título. Topo das paradas britânica e norte-americana, foi seguido de uma gigantesca e igualmente bem sucedida turnê mundial. Depois de tanto trabalho e sucesso, Knopfler deu um tempo da banda, aparecendo raras vezes em apresentações ao vivo. O começo da próxima década veria a última atividade da banda, com o lançamento do álbum "On Every Street", devidamente comentado no post que falou sobre o ano de 1991. Atualmente, Mark Knopfler segue com uma carreira solo de sucesso moderado mas de muita qualidade. Seu último álbum solo lançado foi o excelente "Privateering", de 2012. Para este ano está agendado mais um lançamento: "Tracker" será o nome do novo disco. Várias datas de shows já foram anunciadas. Tomara que Mark Knopfler lembre do Brasil!!

Megadeth - "Killing Is My Business... And Business Is Good!" - após ser expulso do Metallica, Dave Mustaine voltou para Los Angeles com desejo de vingança e de superar a sua ex-banda. Conheceu o baixista Dave Ellefson (a quem ele chama de Junior) e começou a procurar por outros membros, inclusive um vocalista. Kerry King, do Slayer, atuou como segundo guitarrista durante um tempo. Mustaine acabou assumindo os vocais e se tornou o principal compositor também. Gravaram uma demo e conseguiram um contrato com a gravadora Combat, que lhes deu um adiamento de oito mil dólares. Torraram quase o dinheiro todo com drogas e bebidas, acabaram demitindo o produtor e produzindo o álbum por eles próprios. Apesar da baixa qualidade do disco (segundo a Wikipedia, uma versão não mixada acabou sendo utilizada pela gravadora na prensagem do disco), ainda assim é um dos álbuns mais importantes da primeira leva de bandas de thrash metal. Um álbum que praticamente iniciou o subestilo speed metal, dada a sua velocidade e a grande técnica dos guitarristas, em especial Mustaine. Destaque para a faixa de abertura, "Loved To Death", a faixa-título, "Rattlehead" e "Mechanix", composição de Mustaine que acabou saindo também no disco de estreia do Metallica, "Kill'em All", com um nome diferente e em versão mais lenta: a famosa "The Four Horsemen". Este foi apenas o início da carreira de uma das melhores bandas de metal do planeta. Recentemente, o Megadeth sofreu duas baixas em sua formação: o baterista Shawn Drover e o guitarrista Chris Broderick. Nenhum substituto foi anunciado até o momento.

Scorpions - "World Wide Live" - este álbum ao vivo veio coroar a bem sucedida sequência de discos que os Scorpions lançaram desde 1979, quando o guitarrista Matthias Jabs entrou na banda e eles começaram a crescer em popularidade no mercado norte-americano, fazendo um som mais acessível que o heavy metal mais clássico que eles praticavam nos anos 70. O álbum também mostra a força e o carisma que a banda tem ao vivo, apresentando um show conciso, forte e energético, com canções como "Blackout", "Big City Nights", "Rock You Like a Hurricane" e "Dynamite", completando com o sucesso das então duas baladas mais conhecidas do grupo, "Holiday" e "Still Loving You". Este álbum representou o ápice comercial e criativo na carreira da banda, que até hoje utiliza este repertório como base para seus shows. Apesar de ter ameaçado se aposentar, os Scorpions continuam na ativa, fazendo shows ao redor do mundo e lançando novos discos. Um novo álbum da banda está previsto para ser lançado este ano, contendo diversas canções antigas que nunca foram lançadas, bem como novas composições. Longa vida aos alemães dos Scorpions!

AC/DC - "Fly On The Wall" - assim como o álbum anterior, "Flick Of The Switch", este disco também costuma ser menosprezado e considerado inferior aos demais na discografia do AC/DC. Seu fraquíssimo resultado comercial (posição de número 32 na parada norte-americana, péssima para uma banda do tamanho do AC/DC) não reflete completamente a qualidade do álbum. Novamente produzido pelos irmãos Young, ele contém canções fortes, som cru, na cara do ouvinte, um esporro de primeira. Destaque para a abertura com a faixa-título, a empolgante "Shake Your Foundations", "Danger" e "Sink The Pink". O álbum marcou a estreia de Simon Wright em um disco de estúdio do AC/DC. Com o fraco desempenho nas vendas, a banda lançaria uma espécie de coletânea no ano seguinte, com apelo mais comercial. O AC/DC está com diversas datas agendadas este ano na Europa e EUA, o começo de mais uma turnê mundial da banda, muito provavelmente a última, após a inestimável baixa do membro fundador Malcolm Young. Que marquem presença aqui no Brasil!

Dio - "Sacred Heart" - terceiro disco da carreira solo de Ronnie James Dio, o último a contar com o guitarrista Vivian Campbell, que se desentendeu com o baixinho e nunca mais trabalhou com ele (Vivian entraria no Whitesnake e pouco depois no Def Leppard). Podemos considerar este álbum como o último capítulo desta primeira fase da carreira da banda Dio. Destaque para a abertura com "King Of Rock And Roll", além da faixa-título e as canções "Rock And Roll Children" e "Hungry For Heaven". A turnê de promoção deste álbum contou com um palco cheio de efeitos especiais, como laser e um dragão que Dio combatia durante o show. Vale a pena ver este show através do DVD "Finding The Sacred Heart - Live In Philly 1986", lançado em 2013. Aliás, os shows de Dio vem sendo lançados um atrás do outro, após a sua morte. Uma forma de manter a música de Ronnie na memória de seus fãs!

Red Hot Chili Peppers - "Freaky Styley" - este segundo álbum dos Red Hot Chili Peppers é único por ter sido produzido por um ídolo da banda, George Clinton (líder dos grupos Parliament e Funkadelic). A banda ainda não tinha alcançado o sucesso com o disco anterior e também não gostou da produção muito limpinha. Clinton permitiu que a banda experimentasse mais e misturasse seu som funk e punk, iniciando a sonoridade pela qual a banda acabou conhecida (e meio que abandonou nos discos recentes). Destaque para a canção de abertura "Jungle Man" e as canções "Freaky Styley" e "Catholic School Girls Rule". Uma das últimas aparições da banda foi no Super Bowl de 2014, quando a banda foi fortemente criticada por fazer playback (fazer mímica enquanto uma base pré-gravada toca). O baixista Flea, um dos criticados, se defendeu dizendo que é política da NFL (entidade que organiza os jogos de futebol americano, incluindo o Super Bowl) que todos os artistas toquem com uma base pré-gravada. Há rumores de que a banda deve iniciar as gravações do próximo álbum neste primeiro trimestre, com produção própria, sem contar com o parceiro de longa data Rick Rubin.

Yngwie Malmsteen - "Marching Out" - segundo álbum da carreira solo de Yngwie Malmsteen, mais um com Jeff Scott Sotto nos vocais. Jeff iria sair da banda depois da turnê. Mostra-se como mais um álbum de muito heavy metal inspirado na guitarra virtuosa de Yngwie, com os vocais de Jeff mandando muito bem mais uma vez. Talvez um degrau abaixo do excelente disco de estreia. Destaque para as canções "I'll See The Light, Tonight", "Don't Let It End", "I Am A Viking" e a faixa-título. O disco aumentou ainda mais a reputação de Malmsteen como um dos grandes nomes da guitarra nos anos 80. A carreira deste guitarrista sueco iria ter duas certezas: muitos solos virtuosos e muitas trocas de vocalista (incluindo muitos vocalistas que trabalharam com o grande inspirador de Yngwie, Ritchie Blackmore). Atualmente, ele está com apresentação marcada no Brasil, escalado para o segundo dia do Monsters Of Rock, no mesmo dia de Accept, Manowar e Kiss. Este festival promete!!

Kiss - "Asylum" - este disco marca a estreia de Bruce Kulick na guitarra, substituindo Mark St. John. Kulick já estava tocando ao vivo com a banda, mas só foi oficializado como membro do Kiss no final do ano anterior. Musicalmente, o disco mostra a banda ainda cedendo  para o glam rock que fazia sucesso na época, mas já mostrando traços da musicalidade e vitalidade de seu novo guitarrista, cuja performance nos solos é um ponto a se destacar. Posso destacar também as canções "King Of The Mountain", "I'm Alive", "Love's A Deadly Weapon" e "Tears Are Falling". A banda levaria algum tempo até retornar a sua sonoridade característica e o sucesso mais intenso - a balada "Forever" (do álbum "Hot In The Shade") seria a catalisadora. O Kiss será a atração principal do segundo dia do festival Monsters of Rock, que acontecerá em São Paulo, no mês de abril. Também se apresentarão em outras capitais do Brasil: Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte e Brasília. Uma grande turnê sul-americana e brasileira!

Stevie Ray Vaughan - "Soul To Soul" - terceiro álbum deste mestre do blues, mais um grande disco de blues, com composições próprias de Stevie e algumas covers, um álbum muito bem tocado e que costuma ser considerado o segundo melhor da carreira do guitarrista, perdendo apenas para o disco de estreia, "Texas Flood". Os grandes destaques do álbum são "Look At Little Sister" (cover de Hank Ballard, o cara que compôs "The Twist"), "Ain't Gonna 'N' Give Up On Love" (composição de Stevie, solo sensacional), "You'll Be Mine" e "Life Without You". A turnê deste disco teria algumas datas gravadas e posteriormente lançadas como o disco ao vivo "Live Alive", no ano seguinte. Stevie lançaria mais um álbum de estúdio em 1989 e faleceria no ano de 1990, vítima de um acidente de helicóptero. Uma perda incalculável para a música - Stevie foi um dos melhores guitarristas de nosso tempo, com certeza!

Gary Moore - "Run For Cover" - este é um álbum incrível que conduziu o grande Gary Moore ao estrelato, em parte graças à constelação de convidados que contribuíram para este projeto: Glenn Hughes, Phil Lynott, Bob Daisley e Don Airey são alguns dos principais nomes que tocam no disco. Quem está acostumado com os discos de blues que Gary fez nos anos 90 (os que mais fizeram sucesso em sua carreira) pode estranhar a sonoridade aqui, um hard rock potente e coeso que te faz levantar com tudo. Começando logo pela abertura com a faixa-título, e continuando em "Reach For The Sky" e "Nothing To Lose", ambas com os vocais de Glenn Hughes. Ainda se destacam as canções "Military Man" e "Out In The Fields" (vocal de Phil Lynott) e "Empty Rooms" (balada regravada do disco anterior e lançada como single, conseguiu certo sucesso nas paradas). Vejam a versatilidade e o talento que Gary Moore tinha, passeando com desenvoltura pelo hard rock e pelo blues em sua carreira. O álbum conseguiu entrar nas paradas (alcançou a 12ª posição na parada britânica) e com certeza ampliou o público de Gary. Lamentavelmente, este grande guitarrista acabou falecendo de infarto enquanto tirava férias, no ano de 2011. Entretanto, deixou um enorme legado com seu trabalho, que influenciou e continua influenciando diversas gerações. Salve Gary Moore!

Iron Maiden - "Live After Death" - este é o registro da ultra bem sucedida turnê World Slavery Tour, que percorreu o mundo no ano anterior e neste, incluindo uma apresentação no Brasil, no festival Rock In Rio. Gravado a partir das apresentações da banda em Londres, Inglaterra (no Hammersmith Odeon) e Long Beach, EUA (na Long Beach Arena), é um dos melhores discos ao vivo de todos os tempos (veja outros neste post). Pegou a banda no seu auge criativo, com um palco explorando a temática egípcia do álbum "Powerslave" e o melhor repertório que o Iron Maiden já produziu até hoje. Performances arrebatadoras para clássicos como "Revelations", "Rime Of The Ancient Mariner" e "Phantom Of The Opera". Um momento tão importante da banda que ela decidiu recriá-lo em 2008/2009, com uma turnê com repertório muito parecido. Compre o CD, veja o DVD (que inclui trechos da apresentação no Rock In Rio), se esbalde nessas performances da banda em seu auge!

The Cult - "Love" - depois da estreia tímida, o The Cult excursionou bastante para promover seu nome e o disco de estreia, e entrou em estúdio para gravar seu sucessor. O resultado foi um disco mais coeso, mais forte, com mais punch, que abandonou as influências mais góticas e partiu para um som mais calcado nas influências de bandas clássicas de rock dos anos 70. O álbum agradou muito o público, capitaneado pelos sucessos "Revolution" e "She Sells Sanctuary". Outras canções de destaque são a faixa de abertura, "Nirvana", e "Rain". Definitivamente é meu disco preferido da banda, apesar de não ser o de maior sucesso - nos próximos álbuns, a banda conseguiria sucesso no mercado norte-americano e venderia mais. A banda continua na ativa até os dias de hoje, permanecendo com a dupla Ian Astbury e Billy Duffy liderando. O último disco lançado foi "Choice Of Weapon", de 2012. Um novo álbum de estúdio é aguardado para este ano.

Rush - "Power Windows" - este disco marca o início da parceria do Rush com o produtor Peter Collins, que produziria quase todos os álbuns da banda até 1996. Marca também um aprofundamento no uso dos teclados nas canções, que continuam explorando novas direções, fugindo um pouco da sonoridade do rock progressivo dos álbuns do passado. Ainda assim, um bom disco, com destaque para as canções "The Big Money", "Manhattan Project", "Marathon" e "Mystic Rhythms". O álbum manteve a boa fase da banda, tendo sido outro disco que entrou no Top 10 norte-americano (o quinto seguido). Recentemente, o Rush confirmou diversas datas norte-americanas de sua turnê comemorativa de 40 anos de carreira. Segundo entrevistas dos membros do grupo, é provavelmente a última grande turnê do Rush. Que lembrem do Brasil!!

Anthrax - "Spreading The Disease" - depois da boa recepção ao EP "Armed And Dangerous", o Anthrax partiu para o primeiro álbum inteiro com o novo vocalista Joey Belladonna e o novo baixista Frank Bello. Musicalmente, este álbum pode ser considerado uma transição: enquanto ele ainda guarda algumas características do disco anterior (como algumas canções com a pegada mais voltada ao heavy metal tradicional), ele já começa a mostrar traços do que a banda faria em um futuro próximo. Belladonna já mostra seu talento em diversas canções, se destacando. Os principais destaques ficam para as faixas "Madhouse", "S.S.C./Stand Or Fall", "Medusa" e "Gung-Ho". Atualmente, o Anthrax encontra-se em estúdio gravando o sucessor de "Worship Music", álbum que será o primeiro a contar com o novo guitarrista Jon Donnais. Este ano promete: disco novo do Slayer e do Anthrax!!


S.O.D. - "Speak English Or Die" - segundo a Wikipedia, após gravar o álbum do Anthrax citado acima, Scott Ian e Charlie Benante perceberam que ainda tinham tempo sobrando no estúdio e chamaram amigos para tocar e evoluíram uma ideia de Scott, sobre um personagem chamado "Sargent D" (o carinha da capa do disco), montando uma banda momentânea com o ex-baixista e amigo Dan Lilker e com o vocalista Billy Milano. Conseguiram o tempo livre no estúdio, gravaram as canções e lançaram o álbum pela gravadora Megaforce. Fizeram uma pequena turnê para promover o disco, e algumas canções foram utilizadas pelo programa "Headbangers Ball", da MTV norte-americana. Foi o suficiente para o projeto que se iniciou como uma brincadeira no estúdio virar querido no underground, chegando a vender um milhão de cópias. Outros dois álbuns ainda foram lançados, tamanha a demanda pela banda. Musicalmente, a banda praticava uma sonoridade misturando o thrash metal do Anthrax com o hardcore, com letras politicamente incorretas e se utilizando constantemente de um humor negro e ácido. Destaque para a faixa de abertura, "March Of The S.O.D." (o Anthrax tocou esta canção em São Paulo, em 2013), a faixa-título, "Chromatic Death", "Milk" (estas duas foram regravadas pelo Anthrax e lançadas no disco "Attack Of The Killer B's"), dentre muitas outras faixas relâmpago. Um disco altamente influente nas bandas de crossover que surgiram desde então!

Kreator - "Endless Pain" - disco de estreia desta banda que é talvez a mais importante banda do thrash metal alemão, e uma das mais importantes de todo o movimento. O Kreator ainda não apresentava toda a técnica apurada que possui hoje, iniciando com composições mais simples, lineares, bem mais rápidas e com produção deixando um pouco a desejar. Apesar de todos esses problemas, fizeram uma boa estreia e influenciaram muitas bandas de death e black metal que se formariam a partir de então. Uma curiosidade: neste álbum, Mille Petrozza e o baterista Ventor dividem os vocais - cada um canta cinco canções. Destaque para a faixa-título e para as canções "Total Death", "Flag Of Hate" e "Living In Fear". Atualmente, a banda está colhendo os frutos de seu último e excelente lançamento, o álbum "Phantom AntiChrist" (veja a resenha para este disco aqui). Ainda não há planos concretos para o seu sucessor.

Dead Kennedys - "Frankenchrist" - este é o polêmico álbum cujo encarte contém a famosa obra de arte "Penis Landscape", do artista H. R. Giger (ninguém mais ninguém menos que o cara que bolou o design das criaturas alienígenas do filme "Alien"). Foi o bastante para levar a banda a julgamento por distribuição de pornografia a menores, o que prejudicou bastante o grupo e quase levou a gravadora Alternative Tentacles, do vocalista Jello Biafra, à falência. Musicalmente, foi uma ruptura com o som punk/hardcore que a banda praticou nos dois primeiros álbuns, explorando um lado mais musical da banda, com canções maiores que cinco minutos, uso de trompete e outras novidades mais. O grande destaque do disco é a canção "MTV - Get Off The Air", um hino punk que pede que a emissora musical sai do ar (olha, não é má ideia não...). Os Dead Kennedys ainda lançariam mais um álbum de estúdio antes de se separarem. No começo da década passada, a banda retornou para excursionar, só que sem a participação do vocalista Jello Biafra. Chegaram a tocar alguns shows no Brasil (Rio de Janeiro foi incluído, o show ocorreu na quadra dentro da sede do América FC). Continuam tocando ao vivo, trocando constantemente de vocalista, entretanto sem lançar novo material.

Aerosmith - "Done With Mirrors" - este foi o álbum que marcou a volta da dupla de guitarristas Joe Perry e Brad Whitford ao Aerosmith. Joe ficou fora dos dois discos anteriores e Brad tinha saído nas gravações do álbum anterior. Apesar da volta da formação original, este disco não foi o que marcou o reencontro da banda com o grande sucesso que tiveram no passado. Ainda assim, é um belo disco de hard rock, merecedor de nossa atenção (apesar de muitos dos membros da banda já terem afirmado que não curtem este disco), que trouxe a banda de volta a sua melhor forma. Produzido por Ted Templeman (o mesmo que produziu os primeiros álbuns do Montrose e do Van Halen), o disco abre muito bem com uma canção da carreira solo de Joe Perry regravada aqui, "Let The Music Do The Talking". "My Fist Your Face", "Gypsy Boots" e "She's On Fire" são outros destaques do álbum. Os próximos álbuns da banda fariam grande sucesso, vendendo milhões de cópias no mundo inteiro e tornando o Aerosmith em uma das maiores bandas de rock de todos os tempos.

E mais um post com os melhores lançamentos de anos passados chega ao fim. Espero que tenham gostado do post. Deixem suas impressões e discos que acham que ficaram faltando nos comentários. Sentiu falta de lançamentos nacionais? A gente chega lá. Em breve...


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