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quinta-feira, 8 de maio de 2014

1984 - Heavy Metal ainda com força, rock nacional crescendo

Aqui vai mais um post sobre anos passados e seus lançamentos: agora é a vez do ano de 1984 e seus principais lançamentos. Van Halen, Anthrax, Queen, R.E.M., Scorpions, muita coisa boa lançada. Para conferir o post anterior, que falou sobre o ano de 1974, veja aqui.

No post sobre o ano de 1983, falávamos de inovações tecnológicas, e este ano de 1984 marcaria o início das vendas do Macintosh pela Apple. Falávamos também de abertura política no Brasil, e este ano ficaria marcado pelos gigantescos comícios pró Diretas Já, ocorridos em abril - lamentavelmente, a emenda que instituiria eleições para presidente não foi aprovada pelo Congresso Nacional. No lado científico, a comunidade de pesquisadores anunciou a descoberta do tão temido vírus da AIDS, uma doença que gerou muito medo e preconceito mundo afora - talvez ainda gere, em países menos desenvolvidos do continente africano. Este ano também foi a vez da União Soviética se vingar do boicote norte-americano aos jogos olímpicos de Moscou, pagando na mesma moeda com as olimpíadas de Los Angeles. Citei eu a falta de desenvolvimento na África e a fome na Etiópia estava a todo vapor, e os países europeus se uniram e levantaram capital para ajudar o país - até hoje estes países sofrem com guerras civis, ditaduras sanguinárias e muito sofrimento. O tráfico de drogas também era notícia há trinta anos, com a introdução do crack em Los Angeles, o que geraria uma epidemia nos EUA - só agora estamos tendo contato com esta tragédia aqui no Brasil. No lado musical, tivemos uma grande perda: a morte de Marvin Gaye, um gigante do soul norte-americano, assassinado pelo próprio pai. A boa notícia do ano foi o retorno de Joe Perry ao Aerosmith. A banda, aos poucos, recuperaria todo o sucesso que teve nos anos 70.

Lá vamos então a mais uma viagem musical pelos principais lançamentos de trinta anos atrás:

Van Halen - "1984" - último disco do Van Halen a contar com Dave Lee Roth (ele retornaria anos depois para turnês e para o mais recente disco de estúdio, "A Different Kind Of Truth"), é o maior sucesso da banda (pelo menos em termos de venda, com mais de dez milhões de cópias vendidas), fortemente impulsionado pelo single "Jump", uma novidade na época para a banda, pelo forte uso de teclados. Porém, mesmo quem não curte o uso de teclados na banda acaba sendo conquistado nas faixas seguintes do disco, que transbordam o talento da guitarra de Eddie, como nos clássicos "Panama" e "Hot For Teacher", e também na última faixa, "House Of Pain". A banda implodiria a seguir, com a saída de Dave Lee Roth, quase chegando ao fim (Roth faria sucesso no começo da carreira solo, com a ajuda de outro ás da guitarra: Steve Vai). Levaram um bom tempo para se recuperar, com Sammy Hagar substituindo Roth. Entretanto, o retorno da banda se daria com uma sequência de quatro álbuns de estúdio chegando ao topo da parada norte-americana. Atualmente, a banda se reconciliou com Roth e gravou, em 2012, mais um álbum de estúdio com ele - confira aqui a resenha deste disco.

Judas Priest - "Defenders Of The Faith" - depois de um clássico de grande sucesso (o álbum anterior, "Screaming For Vengeance", já atingiu a marca de mais de cinco milhões de cópias vendidas ao redor do mundo), a banda não arriscou muito e manteve praticamente a mesma sonoridade para este disco. Neste processo, produziu mais alguns clássicos e canções que se tornaram favoritas em shows, como a canção de abertura, "Freewheel Burning", "Jawbreaker" "The Sentinel". Eu particularmente gosto muito desse álbum e fica até difícil destacar mais uma canção da outra. A dupla de guitarristas K.K. Downing e Glenn Tipton estava afiadíssima e fez mais um trabalho de primeira. Rob Halford também se destaca e grita a plenos pulmões do início ao fim do disco. Trinta anos depois, não me soa datado e ainda consigo escutar frescor ao escutar este álbum. Um verdadeiro clássico!

Anthrax - "Fistful Of Metal" - depois das estreias de Metallica e Slayer, no ano anterior, este ano de 1984 trouxe o primeiro trabalho de outra banda do Big Four: o Anthrax. E este álbum acaba sendo único na discografia da banda, por ser o único a contar com o vocalista Neil Turbin e o baixista Dan Lilker, que sairiam depois das gravações e turnês promocionais. Turbin tinha um estilo mais agressivo de cantar, muitos gritos e agudos, e as canções acabam refletindo um pouco estas características, puxando um pouco o estilo do disco para o heavy metal tradicional. Destaque para as canções "Metal Thrashing Mad", "Panic" e a cover do Alice Cooper "I'm Eighteen". Joey Belladonna e Frank Bello entrariam para a banda e fariam parte da formação mais clássica do Anthrax, que gravou junta até o começo dos anos 90. A banda sofreu muitas modificações e dificuldades nos anos 2000, mas se estabilizaram e recuperaram terreno com a volta de Belladonna e a participação nos shows do Big Four. Atualmente, estão gravando um novo álbum que deverá ser lançado em breve. Se vier com a mesma qualidade do anterior, será um grande petardo!

Whitesnake - "Slide It In" - até aqui, o Whitesnake era uma banda fortemente calcada no blues rock da década de 70, com o guitarrista Mick Moody como figura central, ao lado do vocalista David Coverdale. Para este álbum, o outro guitarrista, Bernie Marsden, foi substituído pelo ex-Trapeze Mel Galley, e o baterista Cozy Powell substituiu Ian Paice. A banda já começava a se preparar para transformar seu som, com o objetivo de entrar no mercado norte-americano. Pode-se considerar este disco, então, como uma transição. E que bela transição! As composições fortes, o trabalho excelente da dupla de guitarristas e a bateria mais pesada de Cozy contribuíram para criar um dos melhores álbuns do Whitesnake (meu preferido, com certeza). Destaque para a faixa-título, a balada "Love Ain't No Stranger" e o blues "Slow An' Easy". Moody não conseguiria nem tocar na turnê de lançamento do álbum, sendo substituído por John Sykes (recém saído do Thin Lizzy). Sykes ainda gravaria guitarras para a versão que foi lançada nos EUA, diferente da versão britânica. Trinta anos depois, o Whitesnake ainda está na ativa, com altos e baixos de seu líder, David Coverdale. Uma banda que merece muito respeito, pela sua longa história dentro do rock!

The Smiths - "The Smiths" - álbum de estreia de uma das bandas mais importantes da década de 80, uma banda fundamental e altamente influente no movimento indie. Desde o começo, a banda já dizia ao que vinha, com os vocais únicos de Morrissey, meio melancólicos com traços operísticos, unidos a um trabalho simples, direto e altamente eficiente de Johnny Marr, a parceria compositora da banda. Os destaques deste primeiro álbum ficam para "Still Ill", "Hand In Glove" e "What Difference Does It Make?". A banda ainda lançaria mais três discos de estúdio e um ao vivo antes de encerrar suas atividades em 1987. Uma banda que durou pouco mas que influencia muito até os dias de hoje.

Queen - "The Works" - depois do polêmico álbum "Hot Space" e o uso excessivo de elementos da disco e dance music, o Queen resolveu retornar a suas origens roqueiras neste álbum de 1984, pelo menos em parte, já que este disco ainda traz alguns elementos pop dançantes. Sendo assim, a guitarra de Brian May voltou a reinar em diversas músicas, como "Tear It Up" e "Hammer To Fall". Os momentos mais lentos, acompanhados do piano de Freddie Mercury, também se fazem presentes, como nas canções "It's A Hard Life" e "Is This The World We Created...?". Pra completar, temos os grandes sucessos do álbum, as canções "Radio Ga Ga" e "I Want To Break Free". Pronto, a banda tinha voltado a sua melhor forma e alcançou a segunda posição da parada britânica. A banda começaria a sofrer com a doença de Mercury nos anos seguintes, até que a tragédia da morte do vocalista atingiu o grupo em 1991. Brian May e Roger Taylor se reuniram com Paul Rodgers e excursionaram o mundo todo entre 2004 e 2009, até chegaram a gravar um álbum de estúdio, "The Cosmos Rock". Atualmente, a dupla anunciou algumas datas nos EUA com o vocalista Adam Lambert, oriundo de um reality show musical. Veremos no que vai dar este encontro...

Yngwie Malmsteen - "Rising Force" - primeiro álbum da carreira solo de Yngwie Malmsteen, e seu sucesso acabou levando-o a sair do Alcatrazz (Steve Vai iria substitui-lo). O disco é talvez um dos melhores da carreira do guitarrista sueco, com composições fortes que ganham ainda mais força com todo o virtuosismo neoclássico de Yngwie. O vocal de Jeff Scott Soto reforça ainda mais toda a qualidade que este disco transborda. Destaque para as canções "Black Star", "Far Beyond The Sun", "Now Your Ships Are Burned" e "As Above, So Below". O vocalista Soto ainda gravaria o próximo álbum com Malmsteen, mas sairia a seguir. Yngwie gravaria com diversos vocalistas (e demais instrumentistas), e perderia um pouco do sucesso conquistado nos anos 80 na década seguinte, em especial nos EUA, onde o heavy metal entrou em forte declínio. Contudo, o guitarrista ainda tem muita força na Europa, Japão e América do Sul, em especial no Brasil, onde costuma ser idolatrado como um dos maiores mestres das seis cordas.

Dire Straits - "Alchemy" - quando fiz o post com os melhores discos ao vivo do rock (confira aqui), este álbum estava presente. Trata-se de uma apresentação antológica, gravada no auge da banda, encontrou Mark Knopfler inspirado, longas versões com improvisos, culminando com o grande clássico da banda sendo executado ao vivo, talvez em sua versão mais impressionante: falamos dos mais de dez minutos de "Sultans Of Swing". Temos ainda quase quinze minutos de "Tunnel Of Love""Private Investigations" como grandes destaques. O disco, duplo, foi bem na parada britânica (terceira posição), mas não tão bem na parada norte-americana (apenas chegou na posição 46). Considero que este disco pavimentou o caminho para o sucesso absoluto que viria a seguir: o multiplatinado álbum "Brothers In Arms", um dos discos mais vendidos de todos os tempos. Atualmente, Mark Knopfler toca uma carreira solo sem muito sucesso, porém de extrema qualidade (recomendo muito seu último álbum, "Privateering"); em outra vertente, temos Alan Clark e Chris White (ex-tecladista e ex-saxofonista da banda) com um grupo de grandes músicos, excursionando e tocando as músicas do Dire Straits. Anunciaram que devem gravar um álbum de inéditas. Tenho curiosidade de saber o que Mark Knopfler acha deste projeto... 

Scorpions - "Love At First Sting" - depois da entrada de Matthias Jabs, os Scorpions foram construindo uma nova sonoridade, combinando o peso do heavy metal com melodias e algumas baladas no meio. Este álbum é o ápice desta sonoridade, em termos de sucesso - um disco que já vendeu mais de três milhões de cópias. Os destaques ficam para as já clássicas "Bad Boys Running Wild", "Rock You Like A Hurricane", "Big City Nights" e a mega balada "Still Loving You", um dos maiores sucessos da banda. A banda ainda conseguiria manter seu sucesso mundial com os próximos dois álbuns, decaindo na segunda metade dos anos 90. Recentemente, chegaram a anunciar a aposentadoria e uma turnê mundial para encerrar a carreira, mas repensaram esta decisão e continuam na estrada. Longa vida a estes alemães, que estão completando 40 anos de carreira!

Minor Threat - "Minor Threat" - este álbum na verdade é uma compilação de dois EPs lançados pela banda em 1981. Estes dois EPs trazem as principais canções da banda, as que são mais famosas e que costumam ser coverizadas pelas bandas influenciadas. E estas bandas influenciadas não são poucas nem pouco importantes: de Slayer e Ratos de Porão a Rage Against The Machine e Pennywise. A qualidade de gravação é sofrível, o álbum vendeu muito pouco, mas é um álbum fundamental para quem quer conhecer um dos pilares do hardcore norte-americano. Destaque para as canções "I Don't Wanna Hear It", "Straight Edge" (a letra desta canção inspirou a criação do movimento straight edge, de bandas que não consomem álcool ou drogas) e "Guilty Of Being White" (esta canção foi acusada de ser racista, mas o vocalista Ian MacKaye negou). A banda só durou três anos, se encerrando em 1983. O vocalista Ian MacKaye fundaria, alguns anos mais tarde, o Fugazi, uma banda importante do cenário independente. O baixista Brian Baker iria migrar para a guitarra e entraria para o Bad Religion em 1996. Os demais membros continuariam em bandas de menor expressão do cenário independente.

R.E.M. - "Reckoning" - este foi o segundo álbum da banda, muito antes da fama e sucesso alcançados no final dos anos 80 / começo dos anos 90. O grupo ainda estava formando sua sonoridade, porém a voz de Michael Stipe já se destacava, os arranjos nas seis cordas de Peter Buck também. As composições já demonstravam uma força que iria destacá-los no underground e em pouco tempo consagraria a banda como uma das maiores e mais influentes do chamado college rock. Destaque para as canções "So. Central Rain (I'm Sorry)", "Pretty Persuasion" e "(Don't Go Back To) Rockville". O R.E.M. infelizmente encerrou suas atividades em 2011 - me pareceu que a banda sentiu que não conseguia mais impressionar e gravar um álbum que fosse páreo para os clássicos antigos. Quis sair enquanto ainda estava em forma e com reconhecimento. Duvido que uma reunião venha a ocorrer, a banda não é chegada a esse tipo de evento. Mas, como disse o outro, nunca diga nunca...

Rush - "Grace Under Pressure" - Este álbum do Rush continuou a mudança musical da banda iniciada no disco anterior, "Signals": os teclados assumiram um papel bem mais relevante, tivemos alguns flertes com o reggae e o ska, e as canções não eram mais tão longas como na época de ouro. Ainda assim, o álbum mostrou mais qualidade que o anterior: primeiro, a banda rompeu a longa relação com o produtor Terry Brown, produzindo eles mesmos o disco (a banda não gostou do trabalho de Terry no disco anterior); segundo, não deixaram a guitarra em um segundo plano distante, o instrumento de Alex Lifeson participou e é perfeitamente audível. Destaque para as canções "Distant Early Warning", "Red Sector A" e "The Enemy Within". A banda está descansando este ano de 2014, para voltar a excursionar pelo mundo no ano seguinte, comemorando os 40 anos de carreira. Viva o Rush!

Saxon - "Crusader" - este álbum pode ser considerado como de transição: a banda ainda fazia grande sucesso na Europa, começava a fazer sucesso nos EUA, e começou a tornar seu trabalho um pouco mais acessível, diminuindo o peso. O próximo álbum seria ainda mais comercial, só que o sucesso não aconteceu: o surgimento do hair metal nos EUA matou a chance de grande sucesso por lá das bandas mais tradicionais de heavy metal. Voltando a este álbum, o grande destaque é a faixa-título, épica e forte, se tornou um clássico favorito dos fãs nos shows. Destaque também para "Bad Boys (Like To Rock 'N' Roll)"  e "Run For Your Lives" (jogada esperta da banda ter utilizado o coro de torcidas de futebol nesta canção). Ainda assim, podemos considerar este disco em um patamar inferior aos álbuns mais clássicos do começo da década. A banda continua com tudo na ativa, melhor do que nunca, tendo lançado ótimos álbuns nos últimos anos: "Call To Arms", de 2011, e "Sacrifice", lançado ano passado, são provas contundentes de que a banda ainda é bastante relevante na cena metal. Longa vida ao Saxon!

Roger Waters - "The Pros And Cons Of Hitch Hiking" - este foi o primeiro álbum da carreira solo de Roger Waters, depois dele declarar o fim do Pink Floyd (ele perderia, na justiça, os direitos do nome para os outros integrantes). Trata-se de mais um álbum conceitual bolado por Waters, contando a estória de um homem que deseja cometer adultério com uma mulher que ele dá carona, adicionando um monte de medos e paranóias dele na trama. Roger se uniu a uma equipe de talento para este projeto: nada menos que Eric Clapton nas guitarras, Ray Cooper na percussão (tocou no acústico de Clapton) e Michael Kamen tocando piano e ajudando Waters a produzir o álbum. Toda essa empreitada conseguiu disco de ouro nos EUA e alcançou uma posição modesta (31ª posição) para quem estava acostumado a liderar a parada com sua ex-banda. Não tem o nível de um álbum do Pink Floyd, mas considero um trabalho bastante interessante (dois gênios juntos, Waters e Clapton, tinha que ser interessante) e, como álbum conceitual, deve ser apreciado em sua plenitude!

Twisted Sister - "Stay Hungry" - terceiro álbum da banda e, de longe, seu disco mais bem sucedido.  Tudo isso graças a dois singles que estouraram nas rádios e na MTV: falo das canções "We're Not Gonna Take It" e "I Wanna Rock". Quem não viu o vídeo hilário da primeira? Quem nunca cantou o refrão da segunda? Sim, a banda fez concessões, tornando o som mais melódico e pop, perdendo um pouco do peso e punch dos discos anteriores. Ainda assim, o álbum passa uma coesão grande entre as faixas, e até arriscou com uma faixa de mais de sete minutos. Outros destaques do disco ficariam para "Burn In Hell" e "Don't Let Me Down". Apesar da banda ter retornado com a formação original em 2003 e estar sempre em turnê, eles não tem lançado nenhum álbum com novas composições (apenas em 2004 regravaram este álbum com algumas poucas faixas bônus inéditas, sendo quatro delas gravadas naquele ano). Apenas revival mesmo...

Stevie Ray Vaughan - "Couldn't Stand The Weather" - Stevie teve uma carreira curtíssima, mas de tremenda qualidade, onde ele sempre demonstrou muito feeling e técnica com sua guitarra. O álbum de estreia, lançado no ano anterior, teve mais impacto e contém mais clássicos, porém este traz algumas releituras muito interessantes para grandes canções. É o caso de "Voodoo Child (Slight Return)", uma interpretação magistral do clássico de Jimi Hendrix; e "Tin Pan Alley", um blues delicioso de quase dez minutos, antiga composição de um bluesman chamado Bob Geddins. As demais canções não brilham tanto, porém esbanjam a já citada técnica única que Vaughan tinha. Lamentavelmente, um acidente de helicóptero acabou vitimando este gênio da música, que poderia ter produzido muito mais (Stevie morreu com apenas 35 anos). Que o trabalho deste grande guitarrista seja sempre lembrado, foi uma produção muito acima da média!

Bruce Springsteen - "Born In The USA" - Bruce já tinha uma carreira consolidada e de muita qualidade em 1984, tendo chegado ao topo da parada e tendo lançado álbuns consagrados pelo público e crítica. Entretanto, neste álbum, o boss combinou sua incrível força de composição com uma veia pop melódica, num casamento que fez o disco explodir em popularidade, chegando ao topo de diversas paradas e se tornando um dos discos mais vendidos de todos os tempos - mais de 30 milhões de cópias mundo afora!! Desde a faixa-título, que abre o disco em um clima otimista e pra cima, "Darlington County" e "Working On The Highway", ambas com alegria contagiante, até os hits "Glory Days" e "Dancing In The Dark", o disco esbanja alegria, qualidade e técnica invejáveis (cortesia da E Street Band), tornando-o um dos maiores clássicos dos anos 80. Felizes fomos nós, presentes ao show dele no Rock In Rio, pois tivemos o prazer e a honra de ver Bruce tocar esta obra prima de cabo a rabo. Um artista único, com incrível talento e sem a arrogância que assola tantas estrelinhas descartáveis. Viva Bruce Springsteen!!

Celtic Frost - "Morbid Tales" - álbum de estreia desta banda suíça (!?) que, apesar de ter feito muito pouco sucesso, foi deveras influente nas bandas de death metal e black metal. Liderada pelo guitarrista e vocalista Tom Fischer (codinome Tom Warrior), a banda foi uma continuação da banda anterior de Tom, o Hellhammer. A qualidade do álbum é tosca, mas sua importância muito grande. Uma mistura louca de thrash metal, primórdios do death metal e black metal, influências de bandas clássicas do metal como Black Sabbath e Judas Priest, e também dos pioneiros do Venom na parte de black metal. Destaque para as faixas "Dethroned Emperor", "Procreation (Of The Wicked)" (coverizada pelo Sepultura nas sessões de gravação do álbum "Roots") e "Nocturnal Fear". A banda teve curta duração, teve um revival na década passada, e voltou a inatividade. Quem sabe não aconteça uma nova reunião da banda, para algum festival europeu? Só o tempo dirá...

Dio - "The Last In Line" - o grande sucesso do primeiro álbum de Dio deu força para este segundo disco alcançar uma posição muito mais alta nas paradas. Com o mesmo time, adicionando apenas o tecladista Claude Schnell, a sonoridade continua focada em um heavy metal tradicional calcado na voz maravilhosa de Ronnie e na guitarra cortante e rápida de Vivian Campbell. Destaque para as canções "We Rock" e a faixa-título, lançadas como single e com vídeo promocional, além de "Eat Your Heart Out" e a épica "Egypt (The Chains Are On)". Campbell ainda gravaria mais um álbum com Dio, até sair e entrar no Def Leppard. O baixinho seguiria sua carreira solo firme e forte até seus últimos dias, interrompendo brevemente nos momentos em que retornou ao Black Sabbath, seja no começo dos anos 90 ou na década passada, quando resolveram rebatizar a banda de Heaven And Hell. Ronnie faleceu em maio de 2010, vítima de um câncer. Na minha opinião, o melhor vocalista de todos os tempos!

Metallica - "Ride The Lightning" - depois de toda a confusão envolvendo a expulsão de Dave Mustaine, a entrada de Kirk Hammett e a rápida gravação do primeiro álbum, "Kill'Em All", o Metallica caiu na estrada e consolidou a nova formação, iniciando as composições para o novo álbum. Acabaram escolhendo a terra natal do baterista Lars Ulrich para gravar este disco novo, e contaram com a ajuda do pessoal do Mercyful Fate, utilizando o estúdio da banda para ensaiar. Escolheram o produtor Flemming Rasmussen, que tinha trabalhado como engenheiro de som do álbum "Difficult To Cure", do Rainbow. O álbum se tornou um clássico absoluto do thrash metal, tendo ajudado a definir o estilo com faixas ultra aceleradas como "Fight Fire With Fire" e "Trapped Under Ice", e outras mais cadenciadas, como a faixa-título e os clássicos "For Whom The Bell Tolls" e "Creeping Death". O álbum ainda arrisca e inclui uma balada, "Fade To Black", muito criticada na época pelos fãs mais radicais, porém com o tempo se tornou um grande clássico. O álbum ainda inclui uma longa faixa instrumental, "The Call Of Ktulu", onde a banda demonstrou seu virtuosismo. Foi o primeiro passo que o Metallica deu rumo ao mega-estrelato: com um álbum de tamanhas qualidades, a banda viu sua base de fãs aumentar exponencialmente, o que acabou lhes gerando um contrato com uma grande gravadora, onde lançariam seus demais discos e chegariam ao posto de maior banda de heavy metal da atualidade.

Slayer - "Haunting The Chapel" - mais um EP que adicionei à lista de lançamentos deste ano de 1984, este em especial contém duas canções que se tornaram quase que obrigatórias nos shows do Slayer: "Chemical Warfare" e "Captor Of Sin". Este EP acabou sendo lançado por pressão da gravador Metal Blade, que queria faturar em cima da banda, já que o álbum de estreia deles tinha se tornado o disco mais vendido da gravadora. Foi um momento de transição, onde a banda começou a explorar a velocidade em suas canções, enquanto ainda mantinha as influências de metal clássico. Quando o álbum "Show No Mercy" foi lançado em CD, este EP acabou sendo adicionado como bônus. Sempre bom relembrar os grandes momentos do Slayer e de Jeff Hanneman, que faleceu ano passado, de problemas no fígado. Rest in peace, Jeff!!

Red Hot Chili Peppers - "The Red Hot Chili Peppers" - esta estreia do Red Hot não guarda nenhuma semelhança musical com o que o grupo vem fazendo atualmente. Aqui, a banda arriscava bastante e fazia um som altamente influenciado pelo funk norte-americano, influência que eles tem deixado bem para trás nos álbuns mais recentes. A formação da banda só tinha o vocalista Anthony Kiedis e o baixista Flea da formação atual. O sucesso passou longe, o disco nem conseguiu entrar na parada da Billboard. Destaque para a faixa de abertura e single do álbum, "True Men Don't Kill Coyotes", que teve um vídeo produzido, que tocou bastante na MTV, ajudando a banda a ficar conhecida. A banda ainda lançaria dois discos de muito pouco sucesso, que também não entrariam na parada. A situação mudaria em 1989, com o lançamento de "Mother's Milk". História para outros posts...

The Cult - "Dreamtime" - disco de estreia do The Cult, muito pouco conhecido mas de muitas qualidades. Um álbum com muitas referências à cultura indígena, e que já contava com os incríveis riffs de Billy Duffy e os vocais de um Ian Astbury novo e inspirado. A banda ainda mesclava aquele clima gótico típico das bandas inglesas dos anos 80 com o rock mais forte e inspirado nas bandas dos anos 70, que o grupo faria nos álbuns seguintes. Destaque para a abertura com "Horse Nation", o single principal do disco "Spiritwalker" e  também para a canção "Gimmick". Atualmente, o grupo segue na ativa: lançou seu último disco em 2012, e já deu entrevistas indicando que deve gravar um novo trabalho ainda este ano. A banda tem excursionado muito, incluindo a América do Sul e o Brasil no roteiro. Em 2013, eles tocaram o clássico álbum "Electric" na íntegra!

Iron Maiden - "Powerslave" - o Iron Maiden já estava plenamente estabelecido em 1984: a formação da banda estabilizou com a entrada do baterista Nicko McBrain, no ano anterior, e o sucesso já tinha acontecido também, vide o topo da parada britânica com "The Number Of The Beast" e a longa turnê por arenas promovendo o álbum anterior. Entretanto, a banda não se contentou muito, e partiu rapidamente para a composição e gravação deste disco, novamente com o clássico produtor Martin Birch (Deep Purple, Rainbow, Black Sabbath). O resultado foi mais um álbum clássico, um de meus preferidos, com grandes canções como "Aces High", "Two Minutes To Midnight", a faixa-título e também a longa "Rime Of The Ancient Mariner", com quase 14 minutos de duração, a faixa mais longa da carreira do Iron Maiden. Complementando esta viagem musical está um trabalho de arte fantástico de Derek Riggs, desenhando o mascote Eddie com a temática egípcia, temática que foi transportada para o palco construído para a turnê. A importância deste álbum é tamanha que a banda recriou a turnê em 2008/2009, tocando apenas os clássicos desta época. A turnê foi um sucesso completo, igual a original. Com a base de fãs conquistada ao longo dos anos, o Iron Maiden se transformou em um dos maiores casos de sucesso da indústria do entretenimento. Veja a participação de Bruce Dickinson palestrando em eventos de empreendimento como prova do sucesso da banda e seu modelo de negócios. Sucesso garantido a longo prazo!

Mercyful Fate - "Don't Break The Oath" - segundo álbum da banda, manteve a base heavy metal e a temática satânica, calcando-se nos agudos e falsetes de King Diamond, com uma produção mais caprichada e polida. Destaque para as canções "Nightmare", "The Oath" (a mais longa do disco, cheia de clima na introdução e com grande riff) e "Come To The Sabbath". Conforme foi dito no post de 1983, King Diamond teve problemas cardíacos, foi operado e ainda está em recuperação, mas já fez uma aparição como convidado no último álbum do Volbeat (primeiro da banda a contar com o guitarrista Rob Caggiano, ex-Anthrax). Melhoras para ele e que volte a nos presentear com seu talento!

Kiss - "Animalize" - este é o único álbum do Kiss a contar com o guitarrista Mark St. John, que mal esquentou a cadeira na banda: o seu substituto, Bruce Kulick, chegou a gravar alguns solos neste disco. Outro que não disse muito ao que veio na época foi Gene Simmons, se dedicando a diversos projetos paralelos e deixando a banda meio de lado. Coube a Paul Stanley segurar as pontas e compor e produzir a maior parte do álbum. Não é um grande disco da banda, na minha opinião. Temos alguns destaques, entretanto a banda estava seguindo um caminho muito glam rock que alienou um pouco os antigos fãs. O maior destaque do álbum é a canção "Heaven's On Fire", e podemos citar também "Under The Gun" e "Thrills In The Night". Recentemente, a banda foi incluída no Rock And Roll Hall Of Fame, mas não quis se apresentar com os membros originais Peter Criss e Ace Frehley. E continuam a diversificar seus investimentos, atacando agora com um time de futebol americano...

U2 - "The Unforgettable Fire" - depois do grande sucesso de "War", o U2 resolveu realizar uma grande mudança na sua sonoridade, trocando de produtor (contrataram a dupla Daniel Lenois / Brian Eno, que iriam trabalhar com a banda por diversos álbuns) e buscando compor canções mais ambientais e muito mais trabalhadas em arranjos que no disco anterior. O resultado foi bom, mas este disco não vendeu tanto quanto o anterior e quanto o próximo, talvez pelos excessos na produção. Ainda assim, podemos destacar o clássico "Pride (In The Name Of Love)", a faixa-título e a linda balada "Bad". A banda está meio parada atualmente, sem lançar um disco de inéditas desde 2009. Sua última turnê foi um sucesso estrondoso e quebrou diversos recordes de público e arrecadação. Aguardemos pelo próximo passo desses irlandeses, achei que o último álbum deixou um pouco a desejar...

Ramones - "Too Tough To Die" - primeiro álbum dos Ramones a contar com o baterista Richie Ramone, ele tem uma pegada mais pesada, um pouco inspirada no heavy metal, e considero ele um dos melhores álbuns da banda nos anos 80, perdendo somente para "Brain Drain". Apesar da qualidade, não foi bem nas paradas, ficando acima da centésima posição. Muitas faixas favoritas dos fãs nos shows da banda são deste álbum: "Mama's Boy", a faixa-título, "Durango 95", "Wart Hog". Assim como no disco anterior, o baixista Dee Dee Ramone assume os vocais em algumas canções, em especial na excelente "Wart Hog". Um grupo muito criticado pela falta de técnica, mas de fundamental importância para a cena punk e que influenciou diversas gerações de músicos de bandas muito importantes, como Metallica, Anthrax, Sepultura, Pearl Jam, dentre muito outros. Viva os Ramones!

AC/DC - "'74 Jailbreak" - este foi apenas um EP que a banda lançou com músicas que já tinham sido gravadas nos anos 70, porém somente apareciam nas versões australianas dos álbuns da banda. O clássico supremo "Jailbreak" saiu originalmente no álbum "Dirt Deeds Done Dirt Cheap", e as demais músicas saíram  na versão australiana do disco "High Voltage". O que vale lembrar é que o AC/DC não atravessava um momento tão bom em 1984: o álbum lançado no ano anterior, "Flick Of The Switch", não entrou no Top 10 norte-americano, e o seguinte também não entraria. Este EP acabou sendo uma espécie de reafirmação da força da banda, incluindo uma música tão forte como a abertura e pagando tributo mais uma vez ao grande Bon Scott, o vocalista destas gravações. A banda só recuperaria o grande sucesso em 1990, com o aclamado "The Razors Edge". O AC/DC deve entrar em estúdio em breve para gravar um novo álbum, mesmo com a nada boa notícia de doença de seu guitarrista Malcolm Young. Melhoras para Malcolm e longa vida ao AC/DC!!

Deep Purple - "Perfect Strangers" - este álbum marca o retorno da formação Mk2, inativa desde o ano de 1973, quando lançaram o álbum "Wo Do We Think We Are". E este retorno foi um sucesso: o álbum alcançou o Top 20 da parada norte-americana, quinta posição da parada britânica e as turnês promovendo o álbum superaram quase todas as outras turnês da época. O álbum foi produzido pelo baixista Roger Glover, e possui altos e baixos, não alcançando a potência e o brilho dos álbuns dos anos 70. Enquanto encontramos a faixa-título, um clássico marcante que se tornou obrigatório nos shows da banda, temos algumas canções de qualidade inferior. Outros destaques que posso indicar, além da faixa-título: "Knocking At Your Back Door", bela canção de abertura; "Nobody's Home", a outra canção escolhida para single; e "A Gypsy's Kiss". Atualmente, o Deep Purple segue firme e forte com Steve Morse na guitarra e Don Airey nos teclados. Seu último lançamento, "Now What?!", foi um sucesso e a banda vem excursionando bastante para promovê-lo. O Brasil está fora da rota do Purple nos últimos anos, tomara que eles lembrem de nós novamente!

Barão Vermelho - "Maior Abandonado" - este foi o terceiro álbum do Barão Vermelho, último com Cazuza nos vocais e também o de maior sucesso da banda. Foi o reconhecimento de anos batalhando por um lugar ao sol. A produção continuou a cargo do parceiro Ezequiel Neves, e segue a linha rock dos discos anteriores, com um pouco mais de polimento. Destaque para a faixa-título, "Não Amo Ninguém", "Por Que A Gente É Assim?" e "Bete Balanço". Cazuza deixou a banda depois da turnê de divulgação, para seguir carreira solo, e Frejat assumiu os vocais. A banda sofreria com essa saída, mas se recuperaria e se tornaria um dos maiores nome do rock brasileiro. Atualmente, a banda está em hiato, sem previsão de turnês ou novos álbuns. Frejat, o líder da banda, está priorizando sua carreira solo, e confesso que lamento esta decisão: seria bom que ele alternasse com alguma atividade do Barão. Ainda mais com o rumo mais pop romântico de sua carreira solo...

Os Paralamas do Sucesso - "O Passo do Lui" - este foi o segundo álbum dos Paralamas, e foi o álbum que fez a banda estourar em todo o Brasil. Neste álbum o grupo começou a criar sua identidade musical, que ficaria mais clara com o próximo álbum, "Selvagem?", que foi um marco do rock brasileiro. Quase todas as canções do disco tocaram intensamente nas rádios, mas eu destaco "Óculos", "Meu Erro" e "Ska", presenças quase obrigatórias em shows da banda até os dias de hoje. Este sucesso levou a banda a tocar no primeiro Rock In Rio, o que aumentou ainda mais a exposição da banda. Os Paralamas do Sucesso continuam firme e forte na ativa, mesmo depois do grave acidente que Herbert sofreu. Lançaram seu último álbum de inéditas em 2009, e recentemente fizeram uma turnê em comemoração aos trinta anos de carreira, tocando em diversas partes do Brasil.

Lobão - "Ronaldo Foi Pra Guerra" - Lobão talvez seja o artista mais polêmico do rock nacional, mas também é um dos mais criativos e irrequietos de seu tempo. Este é apenas seu segundo disco, onde ele novamente faz parte de uma banda (ele já tinha feito parte do Vímana e da Blitz), e aqui a sonoridade ainda trazia um rock com grandes pitadas da new wave, com contrapontos vocais de Alice Pink Pank, ex-Gang 90 e que na época tinha um relacionamento com Lobão. Destaque para os mega sucessos "Corações Psicodélicos" e "Me Chama", além da faixa-título. Atualmente, Lobão ataca em várias frentes: como severo crítico do governo federal, como escritor (escreveu sua autobiografia e já lançou um segundo livro) e também já atuou como apresentador de programas de TV. O importante é que se mantém firme e forte na cena musical: seu último DVD, "Lobão Elétrico: Lino, Sexy & Brutal" é de uma vitalidade e um frescor impressionantes, vale muito a pena conferir!

Bem, chegamos ao fim de mais um post desta série, esses posts costumam ser bem acessados e tenho tremendo prazer em relembrar e escutar novamente esta belíssima coleção de álbuns que estão completando 30 anos. Deixe suas impressões e algum lançamento que eu tenha esquecido nos comentários. Um abraço rock and roll e até o post sobre o ano de 1994!!

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