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quarta-feira, 14 de março de 2012

1972 - Mais um ano de ouro para o rock - parte 1

Ano passado fiz uma série de posts sobre lançamentos importantes ocorridos dentro de determinados anos passados. Os anos escolhidos voltaram 20, 30 e 40 anos atrás no tempo: 1971, 1981 e 1991. Este ano vamos continuar esta série abrangendo os anos de 1972, 1982 e 1992. Este post, então, vai falar sobre o ano de 1972, mais um ano de ouro do rock, que viu grandes clássicos serem lançados. Clássicos que completam este ano 40 anos de idade. Vamos falar sobre eles!
(pela quantidade de discos importantes lançados no ano de 1972, teremos dois posts sobre este ano)

No post sobre o ano de 1971 (veja aqui), vimos que a Guerra do Vietnã seguia a todo vapor, mas diversos protestos anti-guerra aconteciam. Estes protestos se intensificaram e acabaram mudando um pouco a posição do governo americano, que começou a retirar suas tropas. Era o começo do fim da participação norte-americana na guerra, que acabaria no ano seguinte. Logo no começo do ano, um evento trágico ocorre na Irlanda do Norte: é o famoso "Domingo Sangrento", tema da famosa canção do U2, onde 14 pessoas desarmadas que protestavam foram mortas pelo exército britânico. Este evento desencadeia diversos protestos anti-Inglaterra em toda a Irlanda. Voltando aos EUA, o famoso escândalo Watergate começa a se desencadear. Este escândalo acabaria causando a renúncia do presidente Richard Nixon dois anos mais tarde, em 1974. A missão lunar americana faria sua última viagem à Lua neste ano, com a Apollo 17. No esporte, 1972 foi ano de jogos olímpicos, realizados em Munique, na Alemanha, que acabaram marcados por um atentado terrorista onde onze atletas israelenses foram mortos. A Fórmula 1 conheceria o campeão mais novo até então - o feito foi do nosso Emerson Fittipaldi. No cinema, foi o ano do lançamento do primeiro filme da trilogia "O Poderoso Chefão", um grande marco, com grandes atuações de Al Pacino, Marlon Brando, Robert Duvall e James Caan. No Brasil, a ditadura seguia com forte repressão e foi neste ano que a Guerrilha do Araguaia foi severamente combatida. Musicalmente, além dos Mutantes já citados no post de 1971, teríamos um outro grande lançamento, muito marcante na música nacional, os Novos Baianos, com "Acabou Chorare".
Emerson campeão levanta a taça
Então vamos à primeira parte dos discos que completam ou vão completar 40 anos de idade:

Neil Young - "Harvest" - um dos discos mais clássicos de Young, ele foi lançado pouco depois de sua saída do  supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young (apesar disso, seus antigos parceiros aparecem no disco fazendo backing vocals). Neil já tinha gravado com a Crazy Horse, mas este disco segue a linha mais acústica e também baseada no country rock. O resultado é belíssimo, com destaque para as canções "Heart Of Gold" (o Black Label Society fez uma versão bacana no disco "Alcohol Fueled Brewtality Live"), "Alabama" (uma das canções que geraram a famosa polêmica entre Neil Young e o Lynyrd Skynyrd) e "The Needle And The Damage Done". O álbum foi um grande sucesso na época, alcançando o topo da parada americana. Bons tempos que a parada americana era bem frequentada no seu topo...

The Allman Brothers Band - "Eat A Peach" - este disco foi lançado logo após o clássico ao vivo "At Fillmore East", e acaba tendo a ver com ele. Três das nove músicas são faixas ao vivo oriundas das gravações dos shows. As outras canções, gravadas em estúdio, levam o peso de serem as últimas a contar com a participação de Duane Allman (falecido no final de 1971, de um acidente de moto) e as primeiras sem ele. Destaque para os clássicos "Melissa", "Blue Sky" e para a canção "Mountain Jam", de 33 minutos de duração (na época em que foi lançada, ela acabou dividida em dois lados inteiros de um dos LPs). Todo o disco tem muita qualidade e é o registro de uma banda em seu auge, que tinha acabado de sair de uma grande tragédia. A banda ainda iria fazer muito sucesso nos próximos discos, alcançando o topo da parada. Sucesso mais que merecido!

Scorpions - "Lonesome Crow" - primeiro disco da carreira do Scorpions, sua maior importância é a presença de Michael Schenker como membro da banda. Durante a turnê com o UFO, ele seria recrutado para a banda inglesa e iria fazer história com álbuns clássicos. Sua sonoridade é distante do que a banda viria a fazer futuramente, tanto com Uli Jon Roth quanto com Mathias Jabs. No primeiro caso, um hard rock clássico muito interessante e no segundo caso aquele hard rock recheado de baladas pelas quais o Scorpions é mais conhecido. Neste disco, percebe-se o talento dos irmãos Schenker, mas ainda vemos uma banda em formação, tentando encontrar o seu som. Destaco os solos de Michael, já despontando como grande guitarrista.

Jethro Tull - "Tick As A Brick" - este álbum conceitual (Ian Anderson disse em entrevista que o álbum foi conceitual de propósito, para parodiar o gênero) contém apenas duas canções - pra falar a verdade, apenas uma, dividida em duas para colocar uma em cada lado do LP. Citando a Wikipedia, a letra é baseada em um poema escrito por um garoto fictício, quando na verdade foi escrita totalmente por Ian Anderson. A capa do disco ficou famosa ao se estender e se tornar um jormal (bons tempos de vinil, permitia explorar estes lados artísticos). Musicalmente, o álbum é fantástico, explorando toda a musicalidade que a banda podia mostrar, diversas nuances e quebras de tempo. A qualidade do disco o levou ao topo da parada americana. Nada mais merecido!

Slade - "Slade Alive!" - este é um dos mais incendiários e clássicos discos ao vivo já gravados na história do rock. Uma performance de tirar o fôlego desta banda britânica que sempre seguiu um caminho energético e bem rock and roll em sua carreira. O disco parece conseguir captar toda a energia do show, tornado sua audição ainda mais interessante. Aqui, eles usam material próprio e algumas covers para compor o repertório, com destaque especial para as performances de "Keep On Rocking" e "Get Down With It". Recomendo escutar este disco no volume máximo, e se imagine num show da banda - empolgante!

Deep Purple - "Machine Head" - a segunda formação do Deep Purple, chamada Mk2, chega ao seu auge nesta gravação, perfeita, conduzida magistralmente por Martin Birch. Poucos discos de rock trazem uma coleção tão forte e potente de clássicos como este: "Highway Star", "Smoke On The Water", "Lazy", "Space Truckin'". Ritchie Blackmore e Jon Lord estão afiadíssimos, com solos incríveis; Ian Gillan desfila seu talento vocal com maestria; e a cozinha com Ian Paice e Roger Glover seguram tudo isso e ainda acrescentam mais talento ao álbum. Um disco que marcou muito e que ajudou a definir o que seria feito no heavy metal e hard rock dos anos seguintes. Um marco musical desta grande banda!

Creedence Clearwater Revival - "Mardi Gras" - registro final desta grande banda, é um álbum irregular e sem o guitarrista Tom Fogerty. John Fogerty havia proposto que quem compusesse a canção a cantaria - por isso, temos os outros dois membros cantando. O resultado traz altos e baixos no disco, sem uma unidade musical e sem o punch que a banda tinha nos discos anteriores. Os poucos destaques do disco ficam para as canções que John canta. Depois de diversos atritos e vendas mais baixas, a banda acabou decidindo se separar. John Fogerty embarcou em uma carreira solo de sucesso (passou ano passado pelo Brasil - veja aqui), Tom Fogerty acabou falecendo em 1990 e Stu Cook e Doug Clifford recentemente criaram o Creedence Clearwater Revisited, para tocas os sucessos de sua ex-banda. Estão agendados para tocar no Brasil neste mês de março, com shows nas principais capitais do país.

Wishbone Ash - "Argus" - depois de abrir para o Deep Purple e conseguir a ajuda de Ritchie Blackmore para um contrato com uma gravadora, a esta altura o Wishbone Ash já tinha lançado dois álbuns, mas nenhum deles teve a importância e o impacto que este disco iria causar no mundo musical. Este é um álbum pioneiro no seu trabalho de guitarras, da dupla Ted Turner e Andy Powell. Este estilo seria largamente seguido por diversas bandas, como Thin Lizzy e mais tarde pelo Iron Maiden. O disco contém alguns clássicos, como "Sometime World", "The King Will Come" e "Warrior". A capa foi outro destaque, com uma figura que parecia Darth Vader (será que inspirou George Lucas?). A banda ainda lançaria diversos discos, mas acabou tomando um direcionamento mais pop, e acabou implodindo nos anos 80, com muitas mudanças de formação. Atualmente, temos duas versões da banda: uma conduzida por Martin Turner (baixista e vocalista) e outra por Andy Powell. Uma pena esta divisão...

Rolling Stones - "Exile On Main St." - simplesmente considerado o melhor álbum dos Rolling Stones (eu gosto mais do "Sticky Fingers"), é uma obra prima ampla, abrangendo diversos estilos com os quais a banda sempre flertou - do rock direto ao blues, soul e country, dentre outros. Dezoito canções divididas em dois LPs (na áurea época do vinil). Era a época da evasão das bandas britânicas para fugir dos impostos abusivos e os Stones não foram diferentes - foram parar em Nice, na França, onde Keith Richards alugou uma mansão para toda a banda ficar e gravar o disco. O consumo de drogas era alto e muitos estranham a banda ter escapado ilesa de tamanho abuso, mas além de não ter sofrido nenhuma perda naquela época, ainda registraram este álbum fantástico, com clássicos marcantes como "Tumbling Dice", "Sweet Virginia", "Happy" e "Shine a Light". Recentemente tivemos o lançamento da reedição remasterizada do disco, com direito a um CD de extras. Altamente recomendável!!

Uriah Heep - "Demons And Wizards" - este é meu disco preferido desta banda britânica, que faz um misto de rock progressivo e hard rock, com talento inegável. Estes discos ainda contavam com o grande vocalista David Byron (faleceu em 1985 de complicações do abuso de álcool). Nesta época, a liderança da banda era do tecladista Ken Hensley, que compôs quase todo o álbum. Destaque para as primeiras canções: "The Wizard", "Traveller In Time" e o grande clássico "Easy Livin'". A banda estava em tão boa fase que ainda neste mesmo ano lançaria outro belo disco - veja o próximo post!

Caravan - "Waterloo Lily" - este foi o quarto disco desta banda de Canterbury, Inglaterra, que ficou famosa por fazer um rock progressivo com boas pitadas de jazz, em especial neste álbum, que trouxe o tecladista Stephen Miller substituindo o membro original Dave Sinclair. Destaque para a faixa título e para as canções "Nothing At All" e "Songs And Signs". A banda seguiria uma carreira constante até começo dos anos 80, quando deu uma hibernada, retornando nos anos 90, mais para shows do que para lançamentos inéditos em estúdio. Uma bela banda que ainda resiste!

Pink Floyd - "Obscured By Clouds" - este disco foi a trilha sonora de um filme francês chamado "La Vallée". A banda gravou esta trilha no meio das gravações do seminal "The Dark Side Of The Moon", que seria lançado no ano seguinte, em 1973 (ano que vem prometo que faço post falando sobre esse ano). Vale lembrar que a banda teve apenas duas semanas para gravar este disco. Os vocais são quase todos de Gilmour, exceção feita para "Free Four", cantada por Waters, e "Stay", cantada por Wright. Temos ainda quatro músicas instrumentais. Não é um disco fundamental na carreira da banda, mas um belo registro do talento que a banda tinha também para compor trilhas sonoras (esta foi a terceira).

David Bowie - "The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars" - este álbum conceitual é, na minha opinião, a grande obra prima do camaleão David Bowie, uma unidade musical de primeira concebida como a história de um alienígena que se manifesta no personagem Ziggy Stardust, uma estrela do rock típica pregando paz e amor nos seus cinco últimos anos de existência (eis que o disco, então, abre com "Five Years". Explicado...). Destaque para os clássicos "Starman" (coverizada pelo Nenhum de Nós em português, acabou virando "Astronauta de Mármore"), "Ziggy Stardust" e "Sufragette City". Um dos shows da turnê foi filmado por D.A. Pennebaker e lançado depois como filme, acabou tendo poucas exibições na época e finalmente foi lançado como VHS em 1983 - e posteriormente em DVD.

Foghat - "Foghat" - mais uma banda britânica lançando disco neste ano, esta estava iniciando sua carreira fonográfica aqui. O Foghat é uma banda que teve seu auge de sucesso mais para o final da década de 70, com o álbum "Fool For The City". Neste disco de estréia, eles mandam ver um rock and roll direto, energético, típico de uma banda querendo ganhar seu espaço. Destaque para a abertura do álbum, o grande cover de Willie Dixon, "I Just Want To Make Love To You". Uma curiosidade é a participação de Andy Fairweather Low no disco, fazendo backing vocals, segundo a Wikipedia. Andy ficaria conhecido anos mais tarde como músico de estúdio e acompanhante de grandes turnês com Eric Clapton, Joe Satriani e Roger Waters.
Free - "Free At Last" - esta grande banda tinha terminado e acabou decidindo resolver suas diferenças e voltar, segundo a Wikipedia, para recuperar seu guitarrista Paul Kossoff, que tinha mergulhado profundamente no vício das drogas (apesar do esforço, o Free gravaria apenas mais um álbum depois deste, e Kossoff acabaria sucumbindo e perdendo sua vida graças a este vício). Apesar de não ser um dos melhores discos da banda (outros álbuns, como o de estréia e "Fire And Water", são melhores), este contém grandes momentos e clássicos deste fantástico grupo que durou apenas cinco anos (de 68 a 73). Destaco as canções "Catch A Train", "Little Bit Of Love" e "Goobbye". Após o último disco da banda, que seria lançado no ano seguinte, Paul Rodgers e Simon Kirke formariam o Bad Company, lançando grandes clássicos no selo do Led Zeppelin. Paul Kossoff formou uma banda chamada Back Street Crawler que durou pouco já que, como já falamos, ele veio a falecer em março de 1976, por complicações cardíacas do excesso de drogas. Era um grande guitarrista e deixou seu nome na história da música e do rock and roll!!

Esta foi apenas a primeira parte. Aguardem pela segunda parte, com os demais lançamentos do ano de 1972, incluindo Yes, Grand Funk, Black Sabbath e Genesis, além dos brasileiros Mutantes e Novos Baianos. Até lá!!

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