Pesquisar neste blog:

sábado, 5 de outubro de 2013

1993 - o rock alternativo ganhou força

Fechando a série de posts revivando lançamentos de anos passados, este post vai voltar no tempo, até o ano de 1993, 20 anos atrás, para relembrar o que foi produzido de maior relevância musical (dentro do contexto do blog, claro). Para conferir os posts sobre os anos de 1973 e 1983, veja aqui e aqui.

Falávamos, no post sobre 1992 (leia aqui), dos problemas com AIDS, desrespeito aos direitos humanos (aqui e nos EUA) e problemas políticos brasileiros, com o impeachment de Fernando Collor. Em 1993, temos a posse do presidente Bill Clinton, cujo primeiro mandato ficaria marcado pela tentativa de acordo de paz entre Israel e Palestina (seu segundo mandato acabaria manchado pelo escândalo sexual com uma estagiária). Também neste ano temos a separação da antiga Tchecoslováquia em duas novas repúblicas: República Tcheca e Eslováquia. Os terroristas parecem dar um aviso aos EUA, um prelúdio do que aconteceria alguns anos depois, com um ataque a bomba no World Trade Center. Depois do massacre de Carandiru no ano anterior, temos mais duas chacinas, ambas no Rio de Janeiro: na Candelária e em Vigário Geral. Nelson Mandela é premiado com o Nobel da Paz, e pede na ONU o fim das sanções econômicas contra seu país. O novo presidente brasileiro, Itamar Franco, nomeia Fernando Henrique Cardoso como ministro da fazenda e este anuncia o Plano Real, que finalmente estabilizaria a economia brasileira e reduziria drasticamente a inflação no país (o ano seguinte, 1994, teria a URV, que desindexou a economia, e o lançamento da nova moeda brasileira, o real). Na cultura, temos o lançamento do fenômeno de bilheteria "Parque dos Dinossauros", filme de Steven Spielberg que é considerado um marco de efeitos especiais (ganhou Oscar por efeitos de som e efeitos especiais). As perdas deste ano seriam de Mick Ronson, guitarrista que tocou junto com David Bowie no seu clássico "Ziggy Stardust", e Frank Zappa, um dos artistas mais inovadores de nossa época. O festival Hollywood Rock tem nova edição, desta vez com destaque total para o grunge em voga na época, trazendo Nirvana, Alice In Chains e L7 (confira um post sobre esta edição do festival aqui). Foi também a primeira aparição dos Red Hot Chili Peppers no Brasil; para mim, a melhor apresentação deles por aqui. Com o sucesso das bandas de grunge, o rock alternativo ganhou força e começou a fazer sucesso nos EUA, chegando ao Top 10 da Billboard frequentemente.

Pequeno envelope que trazia o cartão eletrônico que era o ingresso para o festival Hollywood Rock de 1993 (as marcações a caneta foram feitas por mim)
Vamos então aos álbuns que estão completando (ou completaram) 20 anos:

Radiohead - "Pablo Honey" - disco de estreia da então banda alternativa Radiohead, que acabou se transformando em uma das maiores bandas da atualidade. Este álbum tinha uma aura alternativa, especialmente no seu trabalho de guitarra, e seu principal single, "Creep", acabou gerando um sucesso que a banda depois reclamou - eles acabaram tendo que excursionar por quase dois anos promovendo este disco. Destaque, além do single citado, para as canções "How Do You?" e "Stop Whispering". Desde então, a banda evoluiu muito musicalmente, fugindo daquele rótulo inicial de rock alternativo para adicionar diversos elementos eletrônicos, de jazz e diversas outras influências em sua sonoridade. Interessante ver como começou a carreira desses britânicos, hoje considerados talvez os melhores do rock atual.

Lenny Kravitz - "Are You Gonna Go My Way" - terceiro disco de estúdio da carreira de Lenny Kravitz, talvez o primeiro com sucesso mundial, graças ao sucesso da faixa-título e de outras canções de qualidade, como "Believe", "Is There Any Love In Your Heart" e "Sister". É um álbum muito bom, recheado de influências rock, soul e folk, e rendeu duas indicações ao Grammy para o cantor. Gosto deste álbum, mas ainda acho o próximo dele, "Circus", seu melhor trabalho. A carreira de Lenny segue firme e forte, com previsão de lançamento de um novo álbum para este ano de 2013.

Coverdale-Page - "Coverdale-Page" - já falei sobre este álbum em um post especial (ver aqui). Após alguns projetos frustrados em sua carreira, Jimmy Page insistia com Robert Plant no retorno do Led Zeppelin, mas não conseguia sucesso nas tentativas. Acabou encontrando em David Coverdale um vocalista com talento para colocar inveja em Plant. Bastou um álbum de qualidade, como esse, que chegou no Top 5 das paradas americana e britânica, e alguns shows pelo Japão para a inveja atingir em cheio Plant, que rapidinho aceitou o convite de Page... O álbum tem muitas qualidades e merece sua atenção, caso não o conheça. Procure escutar "Shake My Tree", "Pride And Joy""Over Now", composições poderosas com o típico hard rock que os dois veteranos se especializaram. Provavelmente o melhor álbum que Jimmy Page fez fora do Led Zeppelin!

Iron Maiden - "A Real Live One" e "A Real Dead One" - esta foi a época em que Bruce Dickinson anunciou sua saída do Iron Maiden, e a banda resolveu explorar comercialmente esta saída. Lançou estes dois discos ao vivo, um ("A Real Live One") com músicas dos últimos discos (da época), e outro ("A Real Dead One") com músicas mais antigas, do começo da carreira. Todas gravadas ao vivo durante a turnê da banda promovendo o álbum "Fear Of The Dark". Mais pra frente, veremos que eles também lançaram o show competo do Monsters Of Rock da época. A coisa depois ficou sem sentido que, quando os álbuns foram relançados, remasterizados, foram juntados em um álbum duplo. A banda na época soava um pouco burocrática, e eu considero estes dois discos ao vivo um pouco desnecessários na discografia do grupo. Prefira o excelente álbum "Live After Death" ou o também muito bom "Live At Donnington", comentado mais abaixo neste post.

Aerosmith - "Get A Grip" - este um dos melhores álbuns da carreira do Aerosmith, e também um dos que mais fez sucesso e o que mais vendeu cópias: superou a marca de 20 milhões de unidades mundo afora. A banda conseguiu casar com perfeição rocks empolgantes como a faixa-título, "Eat The Rich", "Fever" e "Livin' On The Edge" com baladas que impulsionaram um sucesso ainda maior do grupo, como "Cryin'""Crazy". Com tanta música boa e tanto sucesso, o álbum conseguiu chegar ao topo da parada americana. Merecido, é um disco de muitas qualidades!

Primus - "Pork Soda" - terceiro disco de estúdio desta banda tão diferente, liderada por Les Claypool, um dos grandes baixistas do nosso tempo. É o seu baixo que dita o ritmo e dá as cartas em todas as faixas do álbum, num estilo difícil de rotular. Destaque para as faixas "My Name Is Mud" (que ganhou vídeo-clipe de divulgação), "Welcome To This World" (minha preferida) e "DMV" (outra que ganhou vídeo-clipe). O álbum chegou à sétima posição americana, melhor colocação para um álbum do Primus, e conseguiu disco de platina, assim como seu antecessor (disco de platina corresponde a um milhão de cópias). A banda atravessou um hiato de quase dez anos, mas está de volta a ativa, realizando turnês pela América do Norte. Um pulinho no Brasil cairia bem!!

Kiss - "Alive III" - Após lançar um ótimo álbum, "Revenge", a banda sabia que tinha material suficiente para eternizar aquele grande momento pelo qual passavam: Bruce Kulick era o guitarrista ideal para a banda, tocando muito e sem os problemas alcoólicos de Ace Frehley. Eric Singer, substituindo Eric Carr há pouco tempo, se encaixou perfeitamente (tanto que está até hoje na banda, após um curto momento fora para os shows da reunião). Foi o apogeu do Kiss sem máscaras e, claro, teve suas polêmicas: muita gente acusou a banda de na verdade gravar algumas faixas em estúdio, adicionando o som da plateia artificialmente, além de contar com o tecladista Derek Sherinian tocando nos bastidores. Polêmicas à parte, e assumindo o ponto de vista de mero curtidor, o álbum sempre me passou uma excelente vibração e ótimas performances, em especial "Creatures Of The Night", "Unholy" e o clássico "Detroit Rock City". Até uma performance do hino nacional americano foi incluída. Este álbum fez parte de uma sequência de sucessos que acabou levando a banda de volta ao mega-estrelato, e mais tarde a uma reunião da formação original. Parte da história de uma das maiores bandas de rock do mundo!

Anthrax - "Sound Of White Noise" - este foi o primeiro álbum do Anthrax após a saída de Joey Belladonna e a entrada de John Bush nos vocais. Além desta estreia, o álbum também é marcado por ser o último a contar com a participação do guitarrista Dan Spitz. Trazendo uma sonoridade modificada, abrangendo elementos mais modernos como o grunge da época (o produtor Dave Jerden trabalhou com o Alice In Chains também), não agradou muito alguns fãs mais hardcore, porém abriu as portas para outra gama de admiradores, e conseguiu chegar na posição mais alta da parada americana para um disco da Anthrax: sétima posição. Os destaques são "Only", "Hi Pro Glo" e "Invisible". A banda sofreria bastante para conseguir um substituto para Spitz, até a entrada de Rob Caggiano em 2001 (Paul Crook excursionou e tocou em dois álbuns mas nunca foi realmente efetivado; Jonathan Donais é o guitarrista solo da banda desde o começo deste ano). Atualmente, a banda está a todo vapor, aproveitando-se do sucesso e qualidade de seu último álbum de estúdio, "Worship Music". Tocaram em maio deste ano aqui no Brasil, ao lado do Testament (confira tudo sobre estes shows aqui). Longa vida ao Anthrax, uma das melhores bandas de thrash do mundo!!

Morbid Angel - "Covenant" - terceiro álbum do Morbid Angel, seu disco de maior sucesso e um dos álbuns de maior sucesso do estilo (segundo a Wikipedia, este é o álbum de death metal mais vendido - 150 mil unidades). Sonoramente, é uma porradaria apocalíptica de primeira, complexa e extremamente bem tocada. O disco é bem uniforme, mas ainda posso destacar as canções "Rapture", "Vengeance Is Mine", "Angel Of Disease" e "God Of Emptiness". O vídeo desta última canção teve relativo sucesso com sua inclusão no desenho "Beavis And Butthead", e acabou ajudando na divulgação do álbum. Atualmente a banda continua na ativa, com uma formação próxima da original, sem o baterista Pete Sandoval (Tim Yeung é seu substituto desde 2010; Pete sofreu uma cirurgia e por isso foi substituído) e com a adição de Destructhor na guitarra.

Ozzy Osbourne - "Live & Loud" - excelente registro da suposta turnê de despedida de Ozzy Osbourne - imaginava-se, na época, que este seria o último álbum do madman. Que nada, ele seguiu carreira e ainda nos encanta até hoje. O repertório abrange toda a sua carreira, porém foca mais no excelente álbum "No More Tears", incluindo também alguns petardos de sua ex-banda (na época) Black Sabbath. A banda de Ozzy na época incluia Zakk Wylde na guitarra, Mike Inez no baixo (entraria logo a seguir no Alice In Chains) e Randy Castillo na bateria (Randy morreu de câncer em 2002). Banda de primeira, produziu um disco ao vivo muito bom, quem não conhece deve procurar escutar!!

Death - "Individual Thought Patterns" - este álbum já traz toda a técnica da banda, que começava a fugir do death metal puro e violento para complexas canções de qualidade musical apurada. A formação que gravou este álbum incluía Gene Hoglan na bateria (atualmente no Testament), Steve DiGeorgio no baixo e o guitarrista Andy LaRocque (tocou muito com King Diamond), além do fundador e compositor Chuck Schuldiner. Algum destaque para as faixas "In Human Form", "Mentally Blind" e "The Philosopher" (esta ganhou vídeo-clipe), mas o álbum todo se mantém com qualidade elevada. É um puta disco, mas eu ainda prefiro os dois próximos ("Symbolic" e "The Sound Of Perseverance"), um pouco mais melódicos e trabalhados. Obras primas de Schuldiner que devemos aproveitar ao máximo: infelizmente, um câncer no cérebro acabou nos privando de seu talento musical. Salve, Chuck!!

U2 - "Zooropa" - um dos deslizes do U2, na minha opinião, acontece aqui. Não foi seu maior deslize (o maior seria no álbum seguinte, "Pop"), porém muito longe de seus melhores momentos. Sim, este álbum chegou ao topo da parada de diversos países, incluindo os dois principais mercados: EUA e Inglaterra. Altamente experimental, esta época viu a banda irlandesa flertando muito com a música eletrônica e dando um pouco de ombros para o rock mais tradicional que eles praticaram nos anos 80. A imprensa, na época, elogiou o disco, mas isso não quer dizer muito - o Zeppelin já foi altamente detonado pela mídia... Ainda posso dar destaque para as canções "Zooropa", "Stay (Faraway, So Close!)" e "The First Time", que mantiveram a característica assinatura sonora da banda, como a excelente guitarra de The Edge. Felizmente, o U2 se reencontrou e lançou álbuns mais recentes voltando a sua melhor forma roqueira. Que continuem assim!

Deep Purple - "The Battle Rages On..." - este foi o último álbum a contar com Ritchie Blackmore na guitarra. Portanto, trata-se de um disco histórico. Possui suas qualidades, mas também defeitos. Ele pode ser considerado superior aos fracos álbuns anteriores ("The House Of Blue Light" e "Slaves And Masters"), mas perde feio se compararmos com os maiores clássicos gravados pela mesma formação. Canções muito boas podem ser encontradas, como "Anya" e "A Twist In The Tale". Temos também canções dispensáveis, como o hard rock banal de "Lick It Up". No final das contas, temos um álbum mediano. No meio da turnê, Blackmore resolveu abandonar de vez a banda e se dedicar ao trabalho medieval com sua patroa. Uma pena, sinto muita falta de sua guitarra. O Deep Purple encontrou um grande substituto para ele, Steve Morse, que vem gravando e tocando com a banda deste 1994. Antes, porém, Joe Satriani ajudou a banda a finailizar a turnê (Joe foi convidado a entrar para a banda, porém compromissos contratuais com sua gravadora impediram).

Smashing Pumpkins - "Siamese Dream" - segundo álbum do grupo, o disco que levou a banda ao estrelato, chegou à décima posição na parada norte-americana e abriu as portas para o grupo liderado por Billy Corgan, que nesse álbum toca quase tudo: baixo, guitarra, canta, produz (o que acabou causando atritos com os outros membros). A produção, além de Corgan, incluiu o produtor da moda na época, Butch Vig, o mesmo que produziu o aclamado álbum do Nirvana, "Nevermind". Com uma sonoridade variando mais pro alternativo, porém com algumas pitadas hard rock, posso destacar as canções "Cherub Rock", de começo mais pesado; "Geek U.S.A.", mais agitada; e "Luna", bela canção acústica. Atualmente, o único membro restante desta formação é o vocalista/guitarrista Billy Corgan, a figura principal da banda. Continua lançando discos e fazendo sucesso...

Pennywise - "Unknown Road" - segundo álbum deste quarteto californiano que surgiu na mesma onda que o Offspring e o Green Day, sem alcançar o sucesso de seus pares. Musicalmente, este disco se mantém firme na sonoridade iniciada no álbum anterior, porém sem uma canção tão marcante como as que o álbum auto-entitulado possuía. Eu destaco as faixas "Homesick", "You Can Demand" e "Dying To Know". A banda aumentaria um pouco sua popularidade com os próximos álbuns, e também se envolveria em uma tragédia com a morte de seu baixista, Jason Thirsk, em 1996 (ele cometeu suicídio). A banda continua na ativa até os dias de hoje: o vocalista Jim Lindberg esteve fora da banda durante alguns anos, mas está de volta e a banda está trabalhando em um novo álbum com ele, previsto para ser lançado ainda este ano.

The Breeders - "Last Splash" - este foi o segundo álbum deste grupo alternativo formado pela baixista dos Pixies, Kim Deal. Incluía também em sua formação sua irmã gêmea, Kelley. Este é o disco de maior sucesso do grupo, que se formou no começo da década de 90, quando Kim teve tempo livre dos Pixies e composições prontas para lançar. O grande destaque do álbum é o clássico "Cannonball", que tocou exaustivamente nas rádios rock da época. A sonoridade é próxima do que os Pixies faziam, um rock mais para o alternativo, com a voz característica de Kim e levadas melódicas com pitadas de guitarras com timbre até próximo de sua banda (ex-banda agora, ela saiu dos Pixies neste ano de 2013). Além do mega-sucesso, destaco também "No Aloha", "Divine Hammer" e "Saints". A formação que gravou este disco se reuniu este ano para comemorar os vinte anos do álbum, tocando inclusive aqui no Brasil, São Paulo, em julho - tocaram o disco na íntegra!

Sepultura - "Chaos A.D." - após excursionar exaustivamente para promover o excelente álbum "Arise", a banda se isolou no País de Gales com o produtor Andy Wallace para produzir um de seus melhores álbuns, começando a expandir seus horizontes musicais com aventuras percussionistas e acústicas. Também flertam com o hardcore e o industrial, além de apresentar covers de bandas variadas como Titãs ("Polícia"), New Model Army ("The Hunt") e Ratos de Porão ("Crucificados Pelo Sistema", acabou ficando de fora do disco). Destaque para a abertura com "Refuse/Resist", o clássico "Territory" e as arrasadoras "Slave New World" e "Propaganda". Conseguiu chegar na posição de número 32 na parada americana, sedimentando de vez a carreira da banda no exterior. Acabaram tocando em grandes festivais mundo afora e também no Brasil - quem não se lembra dos grandes shows no Hollywood Rock de 1994? Ainda lançariam mais um grande álbum com Max e depois ele sairia da banda, reduzindo bastante o sucesso internacional da banda. Ainda assim, o Sepultura continua a produzir grandes álbuns!!

"Judgement Night" - Trilha Sonora - nem me pergunte como é esse filme, nem mesmo sei como é seu nome no Brasil. Só sei que sua trilha sonora é uma das melhores de todos os tempos. Um projeto bem bolado, juntando grandes nomes do heavy metal com os maiores destaques do hip hop. Temos os encontros que fariam todo o sentido até fora desta trilha, como Biohazard e Onyx (eles até lançaram um single conjunto com a canção desta trilha e uma outra) e Faith No More e Boo-Yaa T.R.I.B.E.. Mas os melhores resultados acontecem em encontros inusitados, como por exemplo a faixa de abertura, "Just Another Victim", com um riff ultra viciante de Page Hamilton, do Helmet, que casou perfeitamente com o hip hop do House Of Pain. Ou então, a incendiária "Disorder", onde Ice-T esquece do hip hop para detonar um hardcore de primeira com o Slayer. Por tudo isso, esta é uma trilha sonora que fez muito sucesso na época entre os fãs de música pesada e alternativa. Já o filme, ninguém sequer sabe do que se trata!!

Nirvana - "In Utero" - terceiro e derradeiro álbum de estúdio do fenômeno Nirvana. Depois de estourar nas paradas com o disco anterior, "Nevermind", que vendeu mais que pão quente, e excursionar bastante mundo afora - Brasil incluído, ver acima - Hollywood Rock deste mesmo ano, onde, aliás, a banda estreou a canção "Heart-Shaped Box". A intenção de Kurt Cobain era a de transformar este álbum mais alternativo do que o anterior, e por isso escolheu o produtor Steve Albini. A sonoridade do álbum realmente não aparenta ser tão polida quanto antes, porém as composições são mais complexas e isso tornou o álbum um pouco mais difícil de digerir. Isso não impediu sua chegada ao topo da parada norte-americana, mesmo com a estratégia da gravadora de não promover tanto o disco. Destaque para a já citada "Heart-Shaped Box""Rape Me", "Pennyroyal Tea" e "All Apologies". A história da banda seria permanentemente marcada com o suicídio de seu líder, no ano seguinte. A adoração em torno deles só aumentaria, tornando a banda um dos nomes mais fortes do rock até os dias de hoje.

Bad Religion - "Recipe For Hate" - um dos melhores álbuns desses precursores do punk rock. Um disco de composições fortes, melodias envolventes, mostrava uma banda testando as fronteiras de seu estilo. Destaque absoluto para o grande sucesso do álbum, a canção "American Jesus", porém temos outras muito boas também, como a faixa-título, "Portrait Of Authority" e "Modern Day Catastrophists". Foi o álbum que levou a banda a uma grande gravadora, a Atlantic. Um clássico do punk completando 20 anos!!

Carcass - "Heartwork" - fantástico álbum destes britânicos do metal extremo, um disco que reposicionou a banda como um dos maiores destaques do gênero. O disco traz algumas concessões: a banda abandonou o metal totalmente extremo e adicionou mais musicalidade, melodias e harmonias, muita técnica para criar talvez seu melhor trabalho. Destaque para a faixa "No Love Lost" e para a faixa-título, que foram lançadas como singles e tiveram vídeo-clipe para promovê-las. A banda chegou a encerrar suas atividades em 1996, mas retornou à ativa e está com um álbum novinho em folha na rua: "Surgical Steel", lançado na segunda semana de setembro deste ano. Um álbum que promete reviver os melhores momentos da banda!!

Rush - "Counterparts" - se "Presto" foi o retorno ao rock, e "Roll The Bones" nos trouxe alguns novos clássicos, este álbum foi o retorno triunfal deste power trio a sua melhor forma e ao sucesso nas paradas: alcançou a segunda posição na parada americana. O álbum trouxe uma sonoridade um pouco mais pesada, como na abertura com "Animate" e em "Stick It Out". Trouxe também uma linda canção - "Nobody's Hero" - e uma bela instrumental - "Leave That Thing Alone" (foi indicada ao Grammy). A banda lançaria mais um álbum de estúdio e um ao vivo até que a tragédia atingiu a família do baterista Neil Peart, com a morte de sua filha e sua esposa. Depois de uma viagem de moto pelos EUA, ele conseguiu se recuperar e voltou a contatar seus amigos de banda, e o grupo voltou com tudo à ativa, conseguindo até ser incluído no Rock And Roll Hall Of Fame. Um viva a um dos melhores power trios de todos os tempos!!

Pearl Jam - "Vs." - depois do sucesso estrondoso de "Ten", o Pearl Jam conseguiu lançar um álbum tão bom e quase tão bem sucedido quanto o anterior. Isso considerando que a banda não gravou nenhum vídeo-clipe para promovê-lo! Sim, os rapazes de Seattle sentiram a pressão do sucesso e resolveram preservar sua imagem, decidindo não promover tanto o álbum. Não adiantou muito, o disco foi parar no topo da parada norte-americana e alcançou rapidamente disco de platina (atualmente, tem vendas superiores a sete milhões de cópias!). Basta uma ouvida no álbum para saber o porquê de tanto sucesso: é um disco de rock de grandes qualidades, bem tocado, bem gravado e produzido, um dos melhores que a banda fez em toda a sua carreira. E não faltam destaques: "Animal", "Daughter", "Rearviewmirror", todas muito conhecidas e muito requisitadas nos shows do Pearl Jam. Durante a turnê de divulgação deste álbum, a banda iniciaria sua batalha contra a TicketMaster, que monopolizava a venda de ingressos em quase todas as casas de shows importantes dos EUA. Levaram um baque em sua carreira por esta briga, mas conseguiram se manter vivos e ganharam respeito de seus fãs. A banda está para lançar um novo álbum neste ano, e atualmente já convive melhor com os vídeo-clipes...

Angra - "Angels Cry" - álbum de estreia desta banda brasileira de heavy metal, talvez a mais bem sucedida, depois do Sepultura. A banda apresentava o vocalista André Matos, que deixou o Viper pelas famosas divergências musicais. O som do Angra, pelo menos neste álbum, é um heavy metal coeso e vibrante, com belas pitadas de música clássica, recheado de muitas melodias agradáveis. Destaque para a faixa-título, "Carry On" (um dos maiores sucessos da banda) e "Never Understand" (com a participação de Kai Hansen e Dirk Schlächter do Gamma Ray). O disco foi muito bem recebido pelos fãs brasileiros e internacionais, o que abriu as portas para a banda tentar sua carreira internacional. Mais dois álbuns e um EP seriam lançados com André nos vocais, até que ele resolveu sair da banda, sendo substituído por Eduardo Falaschi. Atualmente, a banda se encontra sem um vocalista oficial; a turnê atual está sendo conduzida com o vocalista italiano Fabio Lione (Rhapsody Of Fire, Vision Divine).

Iron Maiden - "Live At Donnington" - ao contrário dos outros dois álbuns ao vivo lançados no começo deste ano, que se tratavam de coletâneas ao vivo, este tem mais a cara de um verdadeiro disco ao vivo, a gravação de toda a apresentação no Monsters Of Rock, em Donington, agosto de 1992. A banda na época promovia o mediano "Fear Of The Dark", mas ainda possuía um bom set combinado com as canções mais antigas. Especialmente neste show, a banda pareceu estar inspirada e dedicada a entregar aos milhares de fãs presentes uma apresentação de primeira. Destaque para a participação de Adrian Smith (fora da banda naquela época) na canção "Running Free". Na época em que foi lançado, foi considerado um item de colecionador, pois foi condicionado em uma embalagem com três LPs. Com o relançamento da discografia remasterizada da banda, algum tempo depois, este álbum ganhou nova capa e maior destaque. Merecido, trata-se de um belo registro de uma fase conturbada do Iron Maiden, mas com uma performance de primeira!

Metallica - "Live Shit: Binge & Purge" - esta caixa do Metallica foi um projeto meio megalômano da banda: incluir três fitas VHS e três CDs, além de um livro com fotos da turnê e um passe para o backstage. Foi o primeiro lançamento ao vivo oficial da banda, e talvez por esse motivo tenha vendido tanto. Os shows foram gravados em três locais diferentes: Seattle (uma das fitas VHS), San Diego (as outras duas fitas VHS) e Cidade do México (os três CDs). Abrangeu duas turnês: a Damaged Justice tour e a Wherever We May Roam tour. Era o Metallica no auge de sua forma e de seu sucesso, conquistado com o famoso álbum preto. A banda já estava se tornando na época uma das mais requisitadas ao vivo, e os shows demonstram um grupo coeso, afiado, com um ataque frontal quase insuperável. Depois deste lançamento, eles ficariam alguns anos sem lançar nada, e quando lançaram sofreram severas críticas, com a dupla "Load" e "Reload". Esta já é outra história...

Guns N' Roses - "The Spaghetti Incident?" - este é o famoso (e infame) disco de covers do Guns 'N' Roses, o último disco de estúdio da banda a contar com Slash, Duff McKagan e Matt Sorum (os três formariam anos mais tarde o Velvet Revolver). O repertório é basicamente de bandas punk antigas, com uma ou outra cover de bandas hard rock, como a cover de "Hair Of The Dog", do Nazareth. Axl Rose ainda exigiu a inclusão de uma última música, uma cover de uma canção composta por Charles Manson, o famoso criminoso condenado por diversas mortes na California. As polêmicas parece que tiraram o foco da banda, pois musicalmente o álbum se apresenta irregular, trazendo bons momentos como "New Rose" (cover do Damned), "Raw Power" (cover dos Stooges - ambas cantadas por Duff) e "Down On The Farm" (cover do UK Subs), e desperdícios como a faixa de abertura, "Since I Don't Have You", e "Buick Mackane (Big Dumb Sex)". Sinceramente, eu prefiro o "Feijoada Acidente" dos Ratos de Porão: mais autêntico e abrangente!

Motörhead - "Bastards" - presença constante nesses posts dos anos 90, este lançamento do Motörhead talvez seja o mais fraco entre os que já foram citados (os de 1991 e 1992 foram "1916" e "March ör Die", respectivamente). A banda esqueceu as sonoridades diferentes e partiu para o clássico som rápido e direto que os fãs estão acostumados. Ainda assim, o disco não tem pontos altos, apenas uma regularidade típica dos álbuns da banda. Destaques para "On Your Feet Or On Your Knees""Burner" (esta ganhou um vídeo-clipe bem legal). A canção "Born To Raise Hell" acabou sendo aproveitada na trilha sonora do filme "Cabeças de Vento", em uma versão diferente gravada com Ice-T e o vocalista Whitfield Crane (Ugly Kid Joe) fazendo participações. Este é um dos últimos momentos de Würzel na banda: ele participou da turnê de divulgação deste álbum, gravou o álbum seguinte, "Sacrifice", e então saiu. Acabou falecendo em 2011, de problemas cardíacos. Nunca foi substituído: a banda acabou virando um trio, com Phil Campbell assumindo todo o trabalho de guitarra. Atualmente, o chefão Lemmy anda com problemas de saúde, assustando seus fãs. Não obstante as dificuldades, um novo álbum está para ser lançado. Longa vida a esta instituição do rock and roll chamada Motörhead!!

Chegamos ao final de mais uma série de posts relatando os lançamentos de 20, 30, 40 anos atrás!! Ano que vem eu continuo com esta série, que costuma agradar aos meus leitores. Um grande abraço e muito rock and roll pra todos!!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...