Pesquisar neste blog:

sábado, 14 de abril de 2018

Bate Papo com Ricardo, Cadinho de Songs, sobre o Dire Straits

Dire Straits no Rock And Roll Hall Of Fame é um sonho de muito tempo, Mark e David Knopfler, John Illsley, Alan Clark, Guy Fletcher, Pick Withers, Terry Williams, e também músicos fantásticos como Mel Collins (que tocou como convidado da banda no discaço ao vivo "Alchemy") juntos de novo, nem que fosse por uma música (parece que não vai rolar...). Quem ouviu "Sultans Of Swing" pela primeira vez através da versão arrasadora do disco "Alchemy" - ao vivo da banda de 1983 - não tira da memória (sempre refrescada pelo VHS, depois pelo especial da extinta TV Manchete em 1986-1988 e depois pelo DVD) os riffs e solos suingados da guitarra do escocês Mark, uma música que é essencialmente um grande riff e solo de guitarra sem fim, que cresce de forma empolgante no final. Tá lá no blog "Riffs e Solos" - "Impossível não falar do mérito de Mark Knopfler, o guitarrista que tocando sem palheta (finger style), conseguiu elaborar esse solo incrível, e deixando sua marca na história da guitarra. O solo de "Sultans Of Swing" não é difícil. Embora a complexidade aumente na parte final (e mais empolgante) da execução, ele está baseado na pentatônica e Knopfler utiliza o mesmo lick para formar várias frases".

Depois desta rápida introdução, começamos este post na forma de um bate-papo sobre o Dire Straits, banda que marcou a nossa geração. Uma conversa descontraída entre Ricardo, do blog Cadinho de Songs, e João Paulo, do blog Ripando a História do Rock.

Ricardo (Cadinho de Songs): Dire Straits e Mark Knopfler foram meu cartão de entrada no mundo do rock, com 14 / 15 anos, entre 1984 e 1985, especialmente por "Sultans Of Swing" e pela repercussão do álbum "Brothers In Arms" no mundo inteiro e no Brasil, pois antes eu só ouvia trilha de novela, Roberto Carlos, Elvis (da minha mãe), "Thriller", do Michael Jackson, e um pouco de rock nacional (Paralamas, Ultraje, Legião), e ali comecei a fazer o meu gosto musical, a ouvir e se apaixonar pela primeira banda de rock na minha vida. Cheguei a montar uma banda de rock no colégio, e comprar uma guitarra Giannini Sonic preta (deveria ser vermelha!), sem tocar uma nota, e tentar solar como Mark, com uma falsa bandana vermelha na testa! E você João, conta aí...

João Paulo (Ripando a História do Rock): Dire Straits não foi minha banda de entrada no rock (a minha foi o Kiss, show no Maracanã e tal em 1983), e eu até levei um tempo para conhecer mais a fundo a banda. Curtia os sucessos que tocavam nas rádios da época, em especial a versão absurda ao vivo de Sultans (ou, como nosso amigo Marco Antonio falava, soltando o suíno!). Não tinha MTV ainda, não conhecia os vídeo clipes da banda. Lá por volta de 1988, comprei uma coletânea em K7, com os grandes sucessos. A partir dali que fui me aprofundando na discografia da banda. Em "Making Movies" e "Love Over Gold", a técnica é tamanha que eu sinto que foi quase um flerte com o rock progressivo. Qual o teu sentimento sobre essa evolução na discografia da banda, Ricardo?

Ricardo (Cadinho de Songs): Fiz o mesmo, parti de "Alchemy" - que é um seminal disco ao vivo, dentre os maiores de todos os tempos, mas funciona como um ótimo best seller da banda, além do disco de hits (o mais pop e comercial) "Brothers In Arms", para conhecer as músicas daquele grupo tão famoso até então. Daí veio as canções de "Making Movies" - que como o próprio nome indica tem uma pegada conceitual, de contar histórias / crônica. Cenas a la Bob Dylan (grande inspiração de Mark), mas com uma urgência rock típica de um Bruce Springsteen (Roy Bittan, tecladista da E Street Band, toca nesse disco). Músicas como "Expresso Love""Tunnel Of Love"  tem esse flerte tímido com climas do progressivo, mas tem muito de jam sessions e falsos finais de Bruce Springsteen em sua pegada mais rock and roll ("Solid Rock"). Mais complexa, lírica e apaixonante é a balada "Romeo and Juliet", para mim  uma das maiores canções de amor de todos os tempos... junto a "Layla" de Clapton tem assento nos corações daqueles que sofrem por amor. "I can't do the talks, like they talk on the TV / And I can't do a love song, like the way it's meant to me / I can't do everything, but I'll do anything for you / I can't do anything 'cept be in love with you... " Lirismo, poesia e uma bela melodia no virtuosismo do grande Mark Knopfler em seu violão Dobro. A banda evoluiu muito nestes 2 discos, notadamente o quarto álbum "Love Over Gold" com a entrada de Alan Clark, e temas como "Private Investigations", e o clássico épico "Telegraph Road" - provável música que será tocada no Hall da Fama. A consolidação da melhor fase da banda (de componentes) foi aí (com a turnê seguinte, a do "Alchemy"):

Mark Knopfler - guitarra, vocal
John Illsley - baixo, backing vocals
Alan Clark - teclado
Hal Lindes - guitarra rítmica, backing vocals
Terry Williams - bateria.

E você João, tem uma formação preferida (além de Mark e John que sempre estiveram com a banda) e o que você acha do grande sucesso comercial da banda - o disco "Brothers In Arms"?


João Paulo (Ripando a História do Rock): com certeza, essa formação também é minha preferida, concisa e entrosada. As performances em "Alchemy" são maravilhosas. Meio que marcam o fim de uma era mais técnica, coroando com aquela apresentação magistral. Agora, sobre "Brothers In Arms", eu acho que a banda ali quis estourar mesmo, vender muito, tipo garantir a aposentadoria vendendo muito disco. Mas fizeram em grande estilo, produção caprichada, músicos de estúdio gravando junto, vídeo clipes com mega produção, tudo grandioso. E no meio de tanta grandiosidade, os meus destaques ficam para a faixa-título, aquela levada meio melancólica, e aquele vídeo cheio de efeitos especiais maneiros, acabou sendo escolhido o melhor vídeo daquele ano de 1985; e a lentinha "Why Worry", uma delícia de música pra escutar em um final de tarde, tomando vinho. A coisa toda foi tão grandiosa, disco, turnê, que eles resolveram sumir. E aí eu acho que todo o sucesso assustou Mark. Ele declarou o fim da banda, foi fazer trilha sonora, gravar disco de country, acho que foi o jeito que ele encontrou para não enlouquecer com o mega estrelato. Só retornaram em 1991, seis anos sem um álbum de estúdio. O que você achou desse retorno, com o álbum "On Every Street"?

Ricardo (Cadinho de Songs): confesso que não esperava nem mais a volta da banda, mas com o disco esperei algo do nível de um “Brothers In Arms”, e vi ali o verdadeiro começo da intimista, mas rica carreira solo de Mark, com temas mais puxados ao country e folk, apesar dos  6 singles das 12 canções do disco, com hits mais pop como “Calling Elvis” (com um clipe caprichado também, com revival dos Thunderbirds), “Ticket to Heaven”, “The Bug”, “Heavy Fuel”, “On Every Street” e “You And Your Friend”, essas duas últimas baladas com acento country que mais me chamam a atenção no disco, estas belas canções de um grande compositor e guitarrista que já ensaiava para a sua carreira solo, com as 12 canções do disco inteiramente feitas por Mark. Neste disco, Guy Fletcher firmou-se como segundo tecladista da banda, que acompanhou Mark em carreira solo depois, porém o disco todo (pra mim o mais fraco) me soou como o epitáfio da banda, pareceu-me um disco solo de Mark (com um par de canções comuns, com exceção de poucas como as 2 últimas faladas), acompanhado de músicos de apoio.  Depois da turnê desse disco (que pra variar não passou aqui), a banda acabou de vez e me deixou um vazio que anos depois fui preencher com alguns ótimos discos solo de Mark ("Sailing To Philadelphia", "Golden Heart", "Tracker" e "Privateering") e com o seu show em 2001 no Via Parque (ex-Metropolitan). Você estava lá João? O que achou? (eu adorei o show!) E o que você acha do Dire Straits Legacy? (a banda de Alan e ex-membros do grupo?) Haverá chances de vermos todos juntos de novo na cerimônia?

João Paulo (Ripando a História do Rock): eu não fui nesse show!! Eu nem sei porque não fui, sempre gostei do cara, acho que passou batido por mim, não me lembro exatamente o porquê. Uma pena, deve ter sido um puta show! Agora, me resta torcer pra ele voltar algum dia ao Brasil, mas não guardo muitas esperanças, infelizmente. Sobre esse Dire Straits Legacy, tem cara de uma banda cover de luxo. OK, os caras tem direito de tocar, mas os principais membros não estão ali: nem o Mark nem o John. E o maior problema é que os caras não estão criando nada novo, só estão tocando os clássicos antigos e faturando em cima. E essa nova faceta do rock eu considero um tanto quanto triste: um público que rejeita o novo, quer ficar parado no tempo escutando as mesmas músicas de sempre. E é o Alan Clark que vai lá no Rock And Roll Hall Of Fame, né? Mark e David não devem ir. Aí sim seria a oportunidade mais que correta para deixar, apenas por um dia, as diferenças de lado e fazer uma apresentação bem legal e honesta, uma homenagem, tributo para todo o legado que a banda deixou para sempre.
Agora, você falou da carreira solo do Mark, e eu adoro! E eu tenho que confessar uma coisa: eu tinha preconceito com o James Taylor, baladeiro do primeiro Rock In Rio, mas escutando ele ali, tocando na faixa-título do “Sailing To Philadelphia” me ajudou a superar isso e conhecer melhor o trabalho do cara!!
E aí, Ricardo, você acha que a gente tem alguma chance de ver (pra você, pela segunda vez) o Mark Knopfler no Brasil?

Ricardo (Cadinho de Songs): Acho difícil, mas não impossível (Medina poderia trazer para o palco Sunset, etc..). As turnês do Dire Straits na época para fazer shows no Brasil, eram sempre anunciadas por alguém, mas nunca vinham e deixavam os brasileiros com água na boca em turnês mundiais com Eric Clapton na guitarra-base (!), em 1988, passando na TV Bandeirantes sábado a noite... Pena que nunca os vi junto ao vivo, mas o show de Mark em 2001 com 7 músicas dos Straits (“Telegraph Road”, “Romeo And Juliet”, “Money For Nothing”, “Walk Of Life”, “Brothers In Arms”, “Sultans Of Swing” e “Calling Elvis” - https://www.setlist.fm/setlist/mark-knopfler/2001/atl-hall-rio-de-janeiro-brazil-5bd3e318.html) Foi muito bom mesmo, com casa cheia e emoção de todos presentes (e se minha memória lembra, veio com o Alan Clark). Realmente não me interessei pela banda cover deles, mesmo resenhando-a  no blog, se viessem no Rio iria ver mais como uma curiosidade mesmo. Acho triste que Mark e John não se juntem a Alan e aos demais para uma simples apresentação na cerimônia (até o Richie Sambora vai fazer isso com Bon Jovi), para mim histórica e de reconhecimento para uma grande banda, hoje "esquecida" pelos roqueiros mais jovens, porém super relevante.

O Rock and Roll Hall Of Fame de Cleveland, nos EUA, comprova isso, eis que vai homenagear a banda com a sua indução ao Hall dos maiores artistas do rock depois de alguns anos, tendo sido escolhido como a terceira banda na votação popular junto a outros artistas e bandas. Na cerimônia, Ann Wilson apresentará o Moody Blues, Howard Stern estará à disposição para Bon Jovi, Brandon Flowers, do The Killers, induzirá o The Cars, Mary J. Blige e Andra Day prestarão tributo a Nina Simone e Brittany Howard, do Alabama Shakes, induzirá a inovadora Sister Rosetta Tharpe. Embora não se saiba ainda bem quem apresentará o Dire Straits e porque o recluso Knopfler não participará da cerimônia, seu irmão David, que tocou com a banda em seus dois primeiros álbuns, disse que não estará lá também. Ele alega que o Hall da Fama do Rock And Roll renegou os custos de viagem. E Mark parece ter dito que gostaria de Clapton ou Dylan para a apresentação / indução da banda ao hall, vai ver pra tornar difícil ele sair de casa...

De fato, o site Ultimate Classic Rock noticiou que o Dire Straits irá se apresentar no Hall da Fama do Rock and Roll em 14 de abril - mas sem o vocalista Mark Knopfler, que não estará participando da cerimônia. O tecladista Alan Clark revelou os planos da banda para sua grande noite em seu site, explicando: "há muita conjectura em fóruns sobre se a banda está se apresentando no Hall of Fame, e se não por que não e quem na banda vai. Bem, aqui está ele e é oficial: Eu, Guy Fletcher e John Illsley vamos participar da cerimônia, onde estaremos fazendo uma versão unplugged de 'Telegraph Road' comigo na harmônica, Guy no ukulele, John no banjo, e o vocal realizado por nós três como uma harmonia de três partes". Clark também já disse que Stevie Wonder se sentaria com o grupo. O post atual em seu site diz que os três ex-membros ainda planejam realizar o épico “Love Over Gold” acusticamente, e não será cantado por Wonder. (http://www.alanclarkmusic.com/bio/) Então, nada parece certo ainda, o que é sério, ou brincadeira, mas o Dire Straits será mais uma banda imortalizada no Hall da Fama com louvor, e esperamos ver alguns membros, ao menos John, Mark (ainda temos esperança) e Clark reunidos, quem sabe tocando juntos depois de tantos anos...

Pra fechar, alguns vídeos:

“Sultans Of Swing” ao vivo (do “Alchemy”):


“Telegraph Road” (do álbum “Love Over Gold”):


Um abraço rock and roll e até a próxima!!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...