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sexta-feira, 9 de junho de 2017

1997 - heavy metal em baixa, nu metal e poppy punk ainda fortes

Chegamos ao último post (pelo menos este ano) desta série relembrando os lançamentos de anos passados, sendo que este último vai voltar vinte anos no tempo, até o ano de 1997, para mostrar os destaques de então. Confira também os posts sobre os anos de 1967, 1977 e 1987 (confira também os lançamentos nacionais de 1987).

Trinta anos atrás, em 1987, iniciava o governo do norte-americano Bill Clinton, democrata que acabou muito conhecido por seu caso extraconjugal com uma estagiária. No Brasil, foi aprovada a emenda constitucional da reeleição, que permitiu ao então presidente Fernando Henrique Cardoso se reeleger no ano seguinte, 1998. Alguns áudios acabaram vazando, revelando um esquema de compra de votos de parlamentares - uma espécie de mensalão tucano. Economicamente, este ano ficou marcado pela crise dos Tigres Asiáticos. Alguns culparam a China como responsável pela crise. Os chineses, com salários mais baixos que os demais países asiáticos, abocanharam boa parte do mercado e acabaram deixando os demais em maus lençóis. Em outubro de 1997, a bolsa de Hong Kong caiu mais de 10%, e a nossa bolsa caiu acima dos 8%. Além da queda da bolsa, nossa economia sentiu essa crise com crescimento da taxa de juros e desaceleração. A coisa toda só iria estourar pra valer, no Brasil, após a crise na Rússia e as eleições de 1998. No cinema, este foi o ano de "Titanic", a superprodução que arrebatou grandiosas bilheterias e muitas indicações ao Oscar no ano seguinte. E alavancou ao estrelato o casal de protagonistas: Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Entretanto, o ano foi muito produtivo, com diversos filmes excelentes que até hoje são lembrados: "Jurassic Park: O Mundo Perdido", "A Outra Face", "Homens de Preto", "Advogado do Diabo" (grande atuação de Al Pacino), "Boogie Nights", "Amistad" (filme memorável de Steven Spielberg), "Jackie Brown" (filme subestimado de Quentin Tarantino) e "Melhor É Impossível" (atuação majestosa de Jack Nicholson). Na música, tivemos o sucesso estrondoso do acústico dos Titãs e a estreia do Charlie Brown Jr., no Brasil; Radiohead e Oasis foram os maiores destaques da música internacional. Infelizmente, tivemos as perdas de Michael Hutchence, do INXS, e do músico brasileiro Chico Science, um revolucionário muito reconhecido e lembrado até hoje.

Chega de enrolação, vamos aos principais lançamentos deste ano de 1997!


The Ofspring - "Ixnay On The Hombre" - depois do sucesso estrondoso do álbum anterior, "Smash", uma gigantesca turnê ocupou a banda durante os próximos anos, e também uma chuva de propostas tentadoras de gravadoras maiores começaram a tentar tirar a banda da gravadora Epitaph. No final, o Offspring acabou saindo para a gravadora Columbia, onde lançou este novo disco de estúdio, outro sucesso que alcançou Top 10 da parada dos EUA e disco de platina. A qualidade do disco é muito boa e manteve a banda em alta rotação até o próximo lançamento, graças a faixas como "Mota", "Gone Away" e "All I Want". Foi na turnê de promoção deste álbum que a banda veio pela primeira vez ao Brasil, para shows em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Compareci ao show no Metropolitan, RJ, e a banda me impressionou com um show competente, empolgante, que até hoje me traz boas lembranças. Já retornaram diversas vezes para nosso país, e foram recentemente confirmados para o Rock In Rio deste ano. Adição muito interessante, com certeza será um dos melhores shows do festival!

Blur - "Blur" - este não foi o primeiro disco do Blur, mas foi o que mais fez sucesso no maior mercado fonográfico: o norte-americano. A banda deu uma guinada rumo ao indie rock, em termos de timbres de guitarras e sonoridades. Os maiores sucessos deste álbum foram "Song 2", "M.O.R." e "Chinese Bombs". O disco repetiu a primeira posição no Reino Unido, também alcançado pelos dois álbuns anteriores. Nos EUA, conseguiu disco de ouro e 61ª posição. Foi o único disco de ouro da carreira do Blur em terras norte-americanas. A banda passou boa parte dos anos 2000 em hiato, mas já retornou à ativa e lançou um novo álbum de estúdio em 2015.

Sick Of It All - "Built To Last" - este foi o segundo e último álbum do Sick Of It All lançado por uma grande gravadora (EastWest). E a banda não alterou sua música para agradar ou tentar vender mais. Permaneceu fiel ao estilo hardcore, aproveitou o apoio financeiro, caprichou na produção e lançou um grande disco, recheado de belas canções para agitar e pular. Basta ouvir "Good Lookin' Out", a faixa-título, "Us Vs Them", "Burn'em Down", canções que se mantiveram ativas ao longo do tempo nos shows da banda. A EastWest não renovou o contrato do Sick Of It All, e a banda voltou ao mundo independente, assinando com a gravadora Fat Wreck Chords, a gravadora de Fat Mike, o vocalista do NOFX. Permaneceram por lá durante oito anos, lançando três álbuns. Atualmente, são artistas contratados da gravadora Century Media, e seu último lançamento data de 2014, um álbum completo; em 2016, lançaram um EP com material inédito. Baluartes do hardcore, tocaram pelo Brasil no ano passado. Que voltem sempre!!

U2 - "Pop" - este foi o auge da mudança musical promovida pelo U2 nos anos 90. Iniciada no excelente álbum "Achtung Baby", ela passou pelo mediano "Zooropa" e culminou com este álbum, o mais fraco de toda a sua discografia. Musicalmente, o álbum mistura muitas modernices como o techno em moda na época, sampling, bateria programada, afastando a banda de temas sérios e levadas memoráveis para perder seu tempo com músicas eletrônicas descartáveis que não agradaram a nenhum fã da banda. Resultado: apesar de ter alcançado o primeiro lugar nas paradas de diversos países, as vendas rapidamente despencaram e este álbum acabou sendo um dos menos vendidos em toda a carreira da banda. Se algo se salva neste álbum, são as canções "If God Will Send His Angels", "Staring At The Sun" e "Last Night On Earth". Um ponto positivo deste disco é que sua turnê trouxe a banda pela primeira vez ao Brasil - incluindo um show bastante problemático (em termos de logística de chegada do público) no antigo autódromo de Jacarepaguá. Felizmente, a banda se recuperou e voltou a lançar belos discos de estúdio a seguir. Papo para outros posts!!

Body Count - "Violent Demise: The Last Days" - este foi o terceiro álbum do Body Count, e não conseguiu repetir o bom desempenho dos dois discos anteriores. Já sem o baixista Mooseman (que acabou falecendo em 2001, baleado), este seria o último trabalho do baterista Beatmaster V, que faleceu antes do lançamento do álbum. As canções não possuem o ataque de antes, estão um pouco diluídas e sem grande inspiração. A introdução imita um pouco a abertura do primeiro álbum da banda; desta vez, Ice-T atira em um crítico chato que tenta entrevistá-lo. Os poucos destaques são "Strippers", "Violent Demise", "I Used To Love Her" e "Last Days". A banda andou um bom tempo deixada de lado nos anos 2000, mas retornou e acabou de lançar um disco novo, "Bloodlust". Ainda há vida no Body Count!

Helmet - "Aftertaste" - este quarto álbum do Helmet foi gravado por um trio, já que o guitarrista Rob Echeverria tinha saído da banda para se juntar ao Biohazard. Apesar de manter a boa sonoridade criada pela banda no começo da década (uma espécie de heavy metal alternativo), sem repetir as experimentações do disco anterior, este álbum não conseguiu repetir o sucesso dos discos anteriores, ficando muito pouco tempo na parada. Algumas canções se destacam: "Renovation", "Exactly What You Wanted", "Birth Defect" e "Harmless". A esta altura na história da banda, os três membros (Page Hamilton, Henry Bogdan e John Stanier) já estavam com relacionamentos muito desgastados e a banda terminou após a turnê de promoção. O Helmet foi reativado pelo guitarrista/vocalista Page Hamilton em 2004, e vem lançando álbuns e tocando ao vivo desde então, sem os outros membros da formação mais clássica.

Aerosmith - "Nine Lives" - depois do sucesso estrondoso dos dois álbuns anteriores ("Pump", de 1989, e "Get A Grip", de 1993), este disco acabou decepcionando um pouco os fãs de longa data, por trazer um álbum um tanto irregular, sem o punch e as melodias presentes antes e que conquistaram tanto aos fãs. O álbum até que começa muito bem com a faixa-título, e com o grande sucesso "Falling In Love (Is Hard On The Knees)", mas começa a derrapar e a exagerar com baladas como "Hole In My Soul", "Full Circle" e "Pink". Apesar de ter alcançado o topo da parada norte-americana e duplo disco de platina (dois milhões de cópias vendidas), mostrou uma queda considerável para seus concorrentes anteriores, que alcançaram sete milhões de cópias vendidas e muito mais sucessos cravados nas paradas e nos corações dos fãs. Este poderia ser considerado o começo da queda em popularidade da banda, que passaria a vender bem menos nos próximos lançamentos. A banda está com turnê marcada pelo Brasil, incluindo show no Rock In Rio e em outras capitais. Se não exagerarem no número de baladas, é um grande show a ser curtido!

Machine Head - "The More Things Change..." - este álbum marca a estreia do baterista Dave McClain (oriundo do Sacred Reich) na banda - Dave está com o Machine Head até os dias atuais. Também seria o último disco a contar com o guitarrista Logan Mader, que sairia da banda no meio da turnê promocional. Trata-se de um álbum com diversos elementos musicais consagrados pelo disco anterior ("Burn My Eyes"), e alguns experimentos com nu metal, estilo que iria dominar o álbum seguinte da banda. Então temos canções muito boas, como "Ten Ton Hammer", "Take My Scars", "Struck A Nerve", "Down To None" e "Violate", combinadas a faixas mais experimentais como "The Frontlines", "Blistering" e "Blood Of The Zodiac". Podemos considerar este um álbum de transição entre o groove metal arrasador do primeiro disco e o nu metal do álbum seguinte. A mudança de estilo que estava pra acontecer seria benéfica para a banda, pelo menos em princípio (o álbum "The Burning Red", de 1999, seria bem sucedido, aproveitando a onda de sucesso do estilo nu metal nos EUA); no médio prazo, a banda acabaria prejudicada e em uma situação sem gravadora - superada por diversos álbuns de muita qualidade. O Machine Head, de 2003 em diante, surgiria como uma grande força do heavy metal moderno!
Sevendust - "Sevendust" - este foi o álbum de estreia do Sevendust, uma banda norte-americana, originária da cidade de Atlanta, que trafega com qualidade pelo heavy metal, rock alternativo, grunge e nu metal, mesclando tudo em canções originais como "Black", "Bitch", "Terminator" e "My Ruin". O álbum conseguiu se infiltrar na parada norte-americana e, apesar de não ter alcançado uma posição muito alta (apenas a 165ª posição), acabou conseguindo disco de ouro. Seus próximos álbuns de estúdio iriam sempre entrar pelo menos no Top 20 da parada, mostrando a força e longevidade que o grupo conseguiu alcançar. Seu trabalho mais recente de estúdio foi "Kill The Flaw", de 2015, e alcançou a 13ª posição. Os rumores apontam novo álbum de estúdio para o final deste ano, começo do ano que vem. A banda segue firme e forte na ativa!

Pennywise - "Full Circle" - este quarto álbum do Pennywise acabou ganhando uma importância mais que especial após o suicídio do baixista da banda, Jason Thirsk. Jason tinha se afastado da banda para tratar de seu alcoolismo, conseguiu se recuperar e retornou à banda. Entretanto, uma recaída acabou sendo o gatilho para uma nova crise que acabou levando a seu suicídio. A banda chegou a dar um pequeno tempo para se recuperar, mas retornou rapidamente às atividades, entrando em estúdio e gravando este álbum, considerado uma homenagem ao amigo perdido. Randy Bradbury foi o escolhido para substituir Jason. O disco traz a sonoridade típica da banda, um punk/hardcore energético, com boas pitadas melódicas e refrões que dão vontade de cantar. Confira este estilo em canções como "Fight Till You Die", "Society", "Final Day" e "Every Time". Vale citar a inclusão de uma versão especial do clássico da banda, "Bro Hymn" (oriunda do primeiro disco), como uma justa homenagem a Jason. Um belo disco para quem aprecia punk e/ou hardcore!

Misfits - "American Psycho" - os Misfits, enquanto em atividade no final dos anos 70 e começo dos anos 80, não conseguiram muita notoriedade, e acabaram lançando apenas dois álbuns, por gravadoras independentes. Com o fim da banda, o vocalista Glenn Danzig montou sua própria banda e acabou alcançando sucesso em 1993, com a canção "Mother", de seu primeiro álbum (sucesso tardio; tanto a canção quanto o álbum foram originalmente lançados em 1988). Neste meio tempo, o baixista Jerry Only lutou nos tribunais para ganhar alguma participação na venda dos discos dos Misfits - Danzig afirmava que ele tinha composto todas as músicas e escrito todas as letras. No final da briga judicial, Jerry se juntou ao guitarrista Doyle e eles ganharam o direito de gravar e tocar utilizando o nome Misfits - na época, Danzig não tinha muito interesse em excursionar com sua ex-banda. A dupla arranjou um novo vocalista - Michale Graves - e um novo baterista - Dr. Chud - e partiram para a gravação deste novo álbum de estúdio. Com a produção de Daniel Rey, famoso por sua parceria com os Ramones, o disco conseguiu reviver a pegada energética dos Misfits e todo aquele clima de filmes de terror classe Z, reativando o interesse em torno da banda. Destaque para a faixa-título e para as canções "Speak Of The Devil", "From Hell They Came", "Dig Up Her Bones" e "Hate The Living, Love The Dead". Não se deixe enganar pela ausência de Glenn Danzig neste álbum - trata-se de um disco de muita qualidade!

Whitesnake - "Restless Heart" - este era para ter sido um álbum solo de David Coverdale. Entretanto, a gravadora colocou a devida pressão e o disco acabou se tornando mais um álbum do Whitesnake, o nono de estúdio da banda. Ao lado de Coverdale, temos Adrian Vandenberg nas guitarras, Guy Pratt (tocou no projeto Coverdale/Page e também no Pink Floyd e na banda de David Gilmour, entre outras) no baixo e Denny Carmassi (outro que tocou no projeto Coverdale/Page e também tocou no Montrose) na bateria. Musicalmente, a banda se afastou do hard rock norte-americano que a banda praticou no final dos anos 80 e começo dos anos 90. Preferiram tentar retomar a veia blues rock, com alguma qualidade mas sem muito sucesso comercial - o álbum sequer foi lançado no maior mercado do mundo, o norte-americano. Destaque para a faixa-título, e para as canções "Too Many Tears", "Crying", "Stay With Me" e "Take Me Back Again". Esta formação veio ao Brasil para promover este álbum, incluindo um show no Metropolitan ao lado de Megadeth e Queensryche. Este escriba estava lá e curtiu muito: foi meu primeiro show (de muitos) do Whitesnake!!

Testament - "Demonic" - com dificuldades nas vendas, o Testament meio que abandonou qualquer sonho comercial e partiu para um álbum extremo, quase que todo calcado no death metal (o vocal de Chuck Billy é bem urrado neste disco), com letras lidando com temas satânicos. A mudança de estilo não agradou totalmente os fãs, que ainda preferiam o clássico thrash metal dos primeiros álbuns. Destaque para as canções "The Burning Times", "Jun-Jun", "John Doe" e "Hatred's Rise". Esta foi uma época muito difícil para a banda, que sofreu com muitas mudanças em sua formação e, para piorar tudo, sofreu com um câncer do vocalista Chuck Billy. Felizmente, ele superou tudo e continua na ativa até os dias de hoje!

Bruce Dickinson - "Accident Of Birth" - enquanto o Iron Maiden patinava com o vocalista Blaze Bailey, Bruce Dickinson resolveu atiçar os fãs da donzela de ferro se unindo com o guitarrista Adrian Smith e o desenhista Derek Riggs, outros também envolvidos com a ex-banda, para a gravação deste álbum. Bruce também desistiu de suas experimentações sonoras com o grunge e outros estilos e retomou o heavy metal. Com todos esses atrativos, o disco acabou sendo um sucesso e atraiu mais a atenção dos fãs do Iron que a banda propriamente dita. Destaque para as canções "Taking The Queen", "Road To Hell", "Man Of Sorrows" e a faixa-título. A dupla Dickinson-Smith ainda lançaria mais um álbum solo de destaque até que foram instados a salvar o Iron Maiden, em 1999. E a banda retomou sua importância e grandeza, lançando novamente grandes álbuns e lotando estádios ao redor do mundo.

Faith No More - "Album Of The Year" - já distante do sucesso comercial de "The Real Thing", o Faith No More lutava para se manter relevante nesta época de nu metal (estilo que a banda ajudou a criar com sua influência) e poppy punk. Os álbuns do grupo atiravam para muitos lados, e nem sempre os fãs compreendiam a viagem musical da banda. Aqui não foi diferente: com uma nova troca de guitarrista - saiu Dean Menta e entrou Jon Hudson - a banda flertou com o heavy metal, o rock alternativo, estilos mais suaves, tudo encaixado as vezes em uma mesma música. Podemos destacar algumas faixas, como a abertura com "Collision" e as canções "Last Cup Of Sorrow", "Mouth To Mouth" e "Ashes To Ashes". Após a turnê promovendo este álbum, a banda se desfez. Cada integrante partiu para projetos paralelos sem sucesso comercial. Em 2009, a banda voltou a se reunir com a mesma formação que gravou este álbum, e realizou uma turnê de reunião que inclusive passou pelo Brasil em 2011 (no festival SWU). Em 2015, a banda gravou um novo álbum de estúdio, chamado "Sol Invictus". Voltaram a tocar no Brasil, inclusive na edição daquele ano do Rock In Rio. Longa vida a esta banda, sua loucura e experimentação estão sempre produzindo bons resultados!

G3 - "G3: Live In Concert" - este álbum ao vivo trouxe músicas executadas na primeira turnê denominada G3, um projeto criado pelo guitarrista Joe Satriani, e que tem perdurado até os dias de hoje. Nesta primeira encarnação, o projeto trouxe, além de seu criador, os guitarristas Eric Johnson e Steve Vai. A turnê trazia um show completo de cada um dos guitarristas e, no final, uma grande jam com os três juntos no palco, tocando clássicos do rock. Este primeiro disco trouxe muita virtuose, claro, mas também trouxe a suavidade e leveza das canções de Eric Johnson, um pouco da excentricidade de Steve Vai, a precisão técnica de Joe Satriani e uma jam muito bem azeitada com os três presentes, executando clássicos como "Going Down" e "Red House" (Jimi Hendrix Experience). Outras encarnações desta turnê passaram diversas vezes pelo Brasil, incluindo estes e outros guitarristas, como Robert Fripp, John Petrucci e Steve Morse. Quase sempre, esta turnê é um grande sucesso, mostrando a força de Satriani e seus colegas virtuosos no nosso país.

Radiohead - "OK Computer" - este foi o terceiro álbum de estúdio do Radiohead, e foi considerado por muitos críticos como sua obra-prima, muitas vezes comparada com álbuns revolucionários dos anos 60 e 70 como "Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band" e "Dark Side Of The Moon" (menos, bem menos!). O álbum marcou uma grande evolução musical para a banda, com maior utilização de teclados, mais experimentações dentro do estúdio, composições mais elaboradas, e produção de Nigel Godrich ao lado dos membros da banda. Os maiores destaques ficam para as canções "Airbag", "Paranoid Android", "Karma Police" e "No Surprises". O álbum foi o primeiro a alcançar o primeiro lugar na parada britânica, e também foi bem na parada norte-americana, chegando ao 21º lugar. A longo prazo, conseguiu a marca de dois discos de platina por vendas acima de dois milhões de álbuns. Os próximos álbuns da banda conseguiriam posições ainda mais altas nos EUA e se manteriam no topo da parada do Reino Unido, tornando o Radiohead uma das maiores atrações modernas do rock.

Megadeth - "Cryptic Writings" - assim como o Metallica, o Megadeth mudou sua sonoridade e diminuiu seu ataque, em uma tentativa de fazer mais sucesso e vender mais discos. Para Dave Mustaine, era questão de honra alcançar os mesmos feitos que sua ex-banda. A mudança se iniciou, para o Megadeth, no excelente álbum "Countdown To Extinction", e continuou no álbum seguinte, "Youthanasia", e neste álbum. Aqui, a mudança se acentuou um pouco mais: as composições ficaram mais melódicas, se utilizando de menos elementos de heavy metal, flertando com alguns poucos elementos alternativos (e utilizando um produtor de country music). Tenho vívido na minha mente minha reação altamente descontente ao escutar pela primeira vez este álbum. Demorou bastante, mas atualmente já consigo ver muitas qualidades neste disco; musicalmente, ele é bem composto e estruturado, apesar de fugir do típico heavy/thrash que o Megadeth praticava até então. Os grandes destaques do álbum ficam para as canções "Trust", "Almost Honest", "Sin", "A Secret Place" e "She-Wolf". A maioria destas faixas conseguiu vencer o teste do tempo e ainda agradam os fãs nos shows da banda. O álbum conseguiu entrar no Top 10 da parada norte-americana e alcançou disco de platina. Esta formação mais clássica, com Dave Mustaine, Dave Ellefson, Marty Friedman e Nick Menza se encerraria logo no começo da turnê: Menza sairia e daria lugar a Jimmy DeGrasso (DeGrasso tinha tocado no projeto MD.45 de Mustaine e ficaria apenas quatro anos com a banda; atualmente, ele está tocando no Black Star Riders). O maior passo em falso que o Megadeth daria ainda estava para ser cometido: o fracasso comercial e de crítica com "Risk". Papo para futuros posts!

Limp Biskit - "Three Dollar Bill, Yall" - este foi o disco de estreia da banda Limp Biskit, que chamou a atenção ao abrir alguns shows do Korn. As performances polêmicas do vocalista Fred Durst talvez tenham afastado alguns ouvintes, e atraído outros tantos. Musicalmente, a banda flertava muito forte com o rap, muito mais que outras bandas do movimento nu metal. Apesar desse grande flerte, neste disco de estreia as canções se apresentavam mais raivosas e pesadas. Basta conferir "Pollution", "Counterfeit" e "Leech" ou a cover irada para "Faith", de George Michael. O álbum foi um sucesso, conseguindo alcançar disco duplo de platina (dois milhões de cópias) com o passar do tempo. E abriu as portas para a banda fazer muito sucesso com os próximos álbuns, que venderiam ainda mais e chegariam ao topo da parada norte-americana.

Exodus - "Another Lesson In Violence" - este foi um álbum ao vivo matador, chutador de traseiros, gravado pela formação original do Exodus, marcando o retorno do vocalista Paul Baloff e do baterista Tom Hunting. Marcou também a estreia do baixista Jack Gibson, até hoje com a banda. O repertório, claro, gira em torno das canções do grande clássico "Bonded By Blood": eles tocam quase o disco todo - somente "Metal Command" ficou de fora. Ainda entraram faixas obscuras, como por exemplo "Impaler", uma antiga composição, ainda do tempo de Kirk Hammett na banda (ela seria gravada no próximo disco de estúdio do Exodus, "Tempo Of The Damned"). Lamentavelmente, a banda teve muitos problemas com a gravadora Century Media, que não promoveu adequadamente o álbum, e acabou nem lançando o vídeo gravado do show. Estes problemas levariam a banda a dar um tempo, retornando apenas em 2001, quando tocaram no evento beneficente Thrash Of The Titans (festival beneficente em favor de Chuck Billy, do Testament, onde tocaram diversas bandas de thrash reunidas). A tragédia abateu o grupo em fevereiro de 2002, quando um ataque cardíaco acabou vitimando o grande vocalista Paul Baloff. Rest in peace, Baloff!!

Kreator - "Outcast" - a década de 90 foi de muita experimentação para o Kreator. Eles já tinham flertado com o industrial e com o groove metal, e desta vez flertaram um pouco com o gótico, mantendo algum peso (bem diluído) em seu som. Em quase nada lembrava a banda letal e agressiva de álbuns anteriores como "Extreme Aggression" e "Coma Of Souls". Algum destaque para as canções "Phobia", "Enemy Unseen" e "Against The Rest". A experimentação iria continuar, e só iria finalizar na década seguinte, quando a banda se reinventou e lançou um de seus maiores álbuns: "Violent Revolution". Mas este álbum fica pra outra conversa!

Pantera - "Official Live: 101 Proof" - este foi o primeiro (e único) álbum ao vivo do Pantera. Consegue mostrar bem o ataque letal que a banda tinha quando tocava para suas insanas plateias. Gravado na turnê do álbum "The Great Southern Trendkill" (a turnê em que Phil Anselmo teve sua overdose de heroína), o disco traz os principais clássicos do grupo: "A New Level", "Walk", "5 Minutes Alone", "This Love", "I'm Broken", "Cowboys From Hell", "Cemetery Gates", "Fucking Hostile", em versões intensas e matadoras. O álbum traz também duas canções inéditas de estúdio: "Where You Come From" e "I Can't Hide". O Pantera ainda lançaria mais um álbum de estúdio em 2000, antes de implodir. Os irmãos Abott não gostaram da falta de dedicação do vocalista Phil Anselmo para com a banda (Anselmo mostrava ter tempo sobrando para seus outros projetos: Down e Superjoint Ritual) e acabaram encerrando as atividades da banda. Criaram uma nova banda, Damageplan, mas a tragédia da morte de Dimebag Darrel acabou com qualquer esperança de volta da banda. Um grande talento interrompido abruptamente por um ignorante com uma arma automática. Quem nunca foi a um show do Pantera pode ter uma ideia de como era escutando este grande álbum!

Biohazard - "No Holds Barred" - este é um álbum ao vivo do Biohazard, gravado em Hamburgo, na Alemanha, durante a turnê promovendo o disco "Mata Leão". Nesta época, a banda trazia o guitarrista Rob Echeverria, que tinha substituído Bobby Hambel (Bobby depois retornou ao grupo em 2008). O repertório do show passa a limpo a carreira da banda até ali, incluindo diversas músicas dos quatro álbuns do grupo, incluindo seus principais sucessos: desde a abertura com "Shades Of Grey", passando por "Authority", "Tales From The Hard Side", "How It Is", "Wrong Side Of The Tracks" e a mais conhecida de todas, "Punishment". Também inclui a cover para "After Forever", do Black Sabbath. Um show em alta rotação, calcado no hardcore e agitado e sem muito tempo para o fã respirar. Conforme o tempo foi passando, a banda foi implodindo, perdendo força no mercado e acabou encerrando atividades em 2005. Eles retornaram em 2008 com a formação original e clássica, para shows em alguns lugares (o Brasil foi incluído). Lançaram em 2012 seu último álbum de estúdio, "Reborn In Defiance" (confira a resenha aqui), já com a saída amigável do baixista e vocalista Evan Seinfeld. Atualmente estão em hiato, sem nenhuma previsão de retorno. A mistura de heavy metal, hardcore e hip hop que a banda fazia perdeu bastante o apelo comercial, deixando-os com pouco espaço no mercado.

Oasis - "Be Here Now" - depois de dois álbuns muito bem sucedidos, a expectativa para este terceiro álbum de estúdio do Oasis era enorme. A gravadora da banda resolveu esconder o jogo e não permitir muita divulgação do material gravado. Os atritos entre os irmãos Gallagher tinha crescido muito desde a última turnê, com diversas brigas. Os irmãos superaram suas diferenças e entraram em estúdio para gravar este muito antecipado álbum, que acabou gerando um pouco de desapontamento, não alcançando todo o sucesso que se esperava dele. Em entrevistas recentes, os irmãos acabaram admitindo que o álbum foi super produzido e não tem tanta qualidade como os dois primeiros. Ainda assim, destaco as canções "D'You Know What I Mean", "Stand By Me" e "All Around The World". As brigas entre os irmãos Gallagher iriam aumentar e eventualmente iriam causar o fim do Oasis. Até os dias atuais, eles não se falam e não voltaram a tocar juntos. Ficou o legado da banda para os fãs escutarem.

Genesis - "Calling All Stations" - este foi o único álbum da carreira do Genesis a contar com um vocalista diferente de Peter Gabriel e Phil Collins. O vocalista escolhido foi Ray Wilson, um ilustre desconhecido que se juntou a Peter Banks e Mike Rutherford para gravar este álbum. Claro que o álbum teve muita resistência dos fãs de longa data da banda. Não se substitui um artista como Phil Collins assim, do dia pra noite. Escutando o álbum, você percebe muitas qualidades, mas estranha um pouco. O álbum até que foi bem recepcionado pelo público europeu, mas naufragou nos EUA. Algum destaque para a faixa-título e as canções "Congo", "Shipwrecked" e "Not About Us". Phil Collins retornou ao Genesis em 2007, para uma turnê de reunião muito bem sucedida. Desde então, a banda não tocou ou gravou junta. A grande expectativa é por uma reunião com Peter Gabriel e Steve Hackett, para reviver a era de ouro da banda, acontecida nos anos 70. Eles chegaram a tentar conversar mas nunca avançaram muito nas negociações. Espero que um dia essa reunião aconteça!

Dream Theater - "Falling Into Infinity" - apesar do EP "A Change Of Seasons" e de uma turnê promocional, esta foi a grande estreia do tecladista Derek Sherinian, e ele nunca conseguiu se enturmar totalmente com os demais membros da banda. Nesta época, a banda sofreu enorme pressão da gravadora por um álbum mais acessível, mais pop mesmo. A Wikipedia cita conflitos entre John Petrucci e Mike Portnoy: enquanto o primeiro queria ceder às pressões, o segundo relutou até o fim e resistiu. No final das contas, o disco traz uma sonoridade um pouco mais acessível, com algumas baladas incluídas ("Hollow Years", "Take Away My Pain"), sem fugir do heavy metal progressivo característico do grupo, com faixas longas como "Lines In The Sand" e "Trial Of Tears", ambas acima de 12 minutos. Destaque para as canções "Peruvian Skies", "Burning My Soul" e "Anna Lee". Para mim, um álbum mediano, de transição. Claramente, Sherinian não encaixou na banda - Jordan Rudess seria este nome, a partir de 1999, até os dias atuais na banda.

Rolling Stones - "Bridges To Babylon" - este foi mais um álbum de estúdio dos Rolling Stones, o vigésimo terceiro na extensa carreira da banda. O mesmo time que já tinha gravado o disco anterior continua trabalhando junto aqui, entretanto o resultado aqui não agradou tanto quanto o álbum "Voodoo Lounge". Mesmo sem agradar tanto, conseguiu disco de platina nos EUA e terceira posição na parada. Destaque para as canções "Anybody Seen My Baby?", "Out Of Control" e "Saint Of Me". Os Stones mostraram sua força mesmo quando entraram em turnê para promover o álbum, quebrando os recordes então vigentes e felizmente incluindo novamente o Brasil na rota: tocaram no primeiro semestre de 1998 por aqui, incluindo um show na Praça da Apoteose, ao lado de Cássia Eller e Bob Dylan, com quem cantaram juntos "Like A Rollin' Stone". Um momento memorável para todos os presentes (eu incluído)!!

Green Day - "Nimrod" - este quinto disco de estúdio da banda pode ser considerado o início de um período de transição, onde a banda lentamente vai abandonando as limitações do estilo punk rock que seguiam até então, para se expandir e explorar várias vertentes do rock como folk, surf music e ska. Claro que ainda temos elementos típicos do punk que a banda praticava antes, como nas canções "Nice Guys Finish Last", "Hitchin' A Ride" e "Platypus (I Hate You)". Mas temos momentos únicos como a acústica "Good Riddance (Time Of Your Life)", mostrando o início do amadurecimento e crescimento musical do Green Day. A banda lançaria mais um álbum de transição ("Warning", em 2000) até lançar o que considero sua obra-prima: o álbum conceitual "American Idiot". Um disco que fez a banda entrar no rol de grandes bandas de rock!

Saxon - "Unleash The Beast" - este álbum marca a entrada do guitarrista Doug Scaratt na banda, fechando a formação que se mantém estável até os dias atuais. Desde o álbum anterior, o Saxon parou de flertar com sonoridades comerciais e experimentações e se concentrou no bom e velho heavy metal que a banda sempre praticou com maestria e muita qualidade. Assim, o álbum traz o que promete, muito metal de primeira, com a voz caprichada de Biff Byford e o belo trabalho de guitarras de Paul Quinn e do (então) novato Doug Scaratt, sem esquecer da grande cozinha formada pelo baixista Nibbs Carter e o veterano baterista Nigel Glockler. Destaque para a faixa-título e para as canções "Circle Of Light", "Ministry Of Fools", "The Preacher" e "All Hell Breaking Loose". Os ex-membros Graham Oliver e Steven Dawson brigaram na justiça pelo direito de utilizar o nome da banda, e tentaram evitar que os membros utilizassem o nome Saxon. Perderam a causa e agora a banda que eles formaram precisa identificar claramente que não são o Saxon original. A banda original se manteve focada, lançando grandes álbuns, incluindo o último de estúdio, o excelente "Battering Ram", de 2015. Longa vida ao Saxon, um dos baluartes do heavy metal mundial!!

Deftones - "Around The Fur" - depois da grande estreia, a expectativa foi grande para este segundo álbum dos Deftones. E a banda não decepcionou. Entregou um álbum ainda mais pesado, sem romper com a linha vocal calma que se enerva e grita do vocalista Chino Moreno, com a guitarra de Stephen Carpenter cuspindo bastante peso, em especial em canções como "My Own Summer (Shove It)", "Lhabia", "Rickets" e "Headup" (esta última com a participação de Max Cavalera). Destaque também para a canção "Be Quiet And Drive (Far Away)" e a faixa-título, outros singles também lançados para promover o álbum. O disco foi um sucesso, alcançando disco de platina e alavancando também as vendas do primeiro disco. A banda se consolidou como uma das mais bem sucedidas da década e dentro de seu estilo, nu metal. Uma das que conseguiu sobreviver também. O disco mais recente deles é "Gore", de 2016, e chegou à segunda posição na parada dos EUA, mostrando a força da banda no mercado norte-americano.

Kiss - "Carnival Of Souls: The Final Sessions" - este é o famoso álbum grunge do Kiss. É considerado uma espécie de filho bastardo, e quase não foi lançado - só foi pois estava circulando de forma pirata entre os fãs da banda. Para entender o contexto: a banda tinha gravado um acústico de muito sucesso em 1995, com a participação de Ace Frehley e Peter Criss, e este acústico acabou levando a uma reunião com a formação original da banda, em 1996, com a banda voltando a usar maquiagem e alcançando muito sucesso comercial. Então, a última coisa que a banda estava querendo era lançar um disco polêmico (pela mudança na sonoridade) que desviasse a atenção de seus fãs. De qualquer forma, o disco acabou sendo lançado, mas quase sem nenhuma promoção, e não foi muito bem - ao contrário de todos os outros lançamentos desta época, este não conseguiu nem disco de ouro. Alguns destaques ficam para as canções "Rain", "Master & Slave" e "It Never Goes Away". Uma curiosidade: a última faixa do álbum, "I Walk Alone", é cantada pelo guitarrista Bruce Kulick - a única em toda a sua estadia no Kiss. Poucos fãs da banda conhecem bem este álbum e menos fãs ainda gostam pra valer deste disco. Escute e decida por si próprio: a banda realmente deveria ter lançado este álbum, tão diferente em sua discografia?

Judas Priest - "Jugulator" - Rob Halford saiu do Judas Priest em 1992, e imediatamente começou a montar seus projetos paralelos: Fight, 2wo e Halford. A banda demorou, mas se recompôs com o vocalista Tim "Ripper" Owens, que tinha uma banda tributo ao Judas. Musicalmente, eles resolveram abraçar influências groove metal, com um som muito pesado (chegaram a afinar as guitarras alguns tons abaixo). As reações foram diversas. Alguns gostaram da performance do novo vocalista e da nova sonoridade, enquanto que muitos não aceitaram a judança musical e sua banda querida sem seu vocalista preferido. A performance comercial do álbum não foi das melhores, mas não foi um fracasso, e na turnê promocional a banda conseguiu se reconectar com sua base de fãs, agradando bastante. Destaque para as canções "Dead Meat", "Burn In Hell" (primeira música de trabalho, com vídeo promocional gravado para ela) e "Bullet Train". O Judas Priest ainda lançaria mais um álbum com Owens ("Demolition", em 2001), até que se reuniria novamente com o vocalista Rob Halford em 2003, com quem estão até os dias atuais. Por melhor que a performance de Owens na banda tenha sido, é impossível superar o grande Rob Halford!!

Jane's Addiction - "Kettle Whistle" - enquanto esteve no Red Hot Chili Peppers, Dave Navarro fez amizade com o baixista Flea, e acabou levando ele para excursionar ao seu lado no Jane's Addiction (Eric Avery, o baixista original da banda, não quis participar da turnê), que retornou à ativa após um hiato dos Chili Peppers e um encontro de Navarro com seus ex-companheiros Perry Farrel e Stephen Perkins em uma gravação para o Porno For Pyros. Para aproveitar a turnê de reunião, a banda lançou este álbum, composto de duas novas músicas (a faixa-título e "So What!") e diversas demos e versões ao vivo de clássicos da banda. A banda não voltou completamente à ativa neste período, mas sim em 2001, quando voltou a excursionar e até entrou em estúdio, lançando o álbum "Strays" em 2003. Continuam ativos até os dias de hoje, sem lançar muito material inédito. O último álbum de estúdio da banda é "The Great Escape Artist", de 2011.

Hatebreed - "Satisfaction Is The Death Of Desire" - este foi o álbum de estreia do Hatebreed, uma banda que se iniciou com o pé fincado no hardcore, mas aos poucos foi incorporando influências heavy metal em sua sonoridade. Aqui, o hardcore era a maior influência, com músicas curtinhas, mal ultrapassando os dois minutos de duração, convidando ao pogo o tempo todo. Destaque para as canções "Before Dishonor", "Conceived Through An Act Of Violence", "Not One Truth" e "Last Breath". O álbum alcançou sucesso no underground, e rendeu ao grupo lugar em turnês importantes, ao lado de bandas como Slayer, Deftones e Napalm Death. Com as turnês e o sucesso do álbum, eles conseguiram a atenção da gravadora Universal, que lançaria seus próximos dois discos. O mais recente álbum de estúdio do grupo foi lançado em 2016: "The Concrete Confessional", pela Nuclear Blast. A banda esteve presente recentemente no Maximus Festival. Vale a pena conferir seus shows, são bem agitados e empolgantes!

Metallica - "Reload" - as sessões de gravação para o álbum anterior, "Load", foram pensadas para o lançamento de um álbum duplo, mas a banda acabou mudando os planos: lançou as canções prontas, caiu na estrada, e depois retornou ao estúdio para completar as demais canções, que resultaram neste segundo álbum, "Reload", uma segunda parte requentada da mesma pegada musical, calcada no hard rock e com influências de country, southern rock e de rock alternativo. Apesar da ótima abertura com "Fuel", o álbum aos poucos vai perdendo completamente a pegada, vagando entre composições de pouca inspiração e sem o devido peso que se espera do Metallica. Alguns momentos ainda se destacam: a parceria com Mariane Faithfull em "The Memory Remains"; a pegada mais pesada das canções "Devil's Dance" e "Better Than You". Entretanto, muitas canções não possuem força e não mereciam ser lançadas. Mesmo com baixa qualidade, o álbum foi direto para o topo da parada norte-americana, e já foi certificado com 4 discos de platina, correspondentes a quatro milhões de cópias vendidas. Muitos fãs preferem este álbum ao anterior, mas eu ainda acho que "Load" é musicalmente superior, e contém as principais canções desta leva de composições. Na dúvida, abandone ambos e escute um clássico da banda nos anos 80!

AC/DC - "Bonfire" - esta caixa do AC/DC virou desejo de consumo dos fãs, por trazer cinco discos envolvendo material da banda. Nem todo o material é inédito: temos um disco com uma versão remasterizada de "Back In Black". Outros dois discos incluem toda a apresentação do show que deu origem ao filme "Let There Be Rock". Outro disco traz a banda tocando ao vivo nos estúdios da Atlantic. O último disco, talvez com mais material inédito, traz uma série de versões alternativas de diversas canções da era Bon Scott, o grande homenageado desta caixa. Item importante de colecionador, mostra a importância do antigo vocalista da banda, que acabou falecendo de uma overdose alcoólica. Claro que, além dos CDs, a caixa traz uma série de itens complementares, tais como um livrinho com fotos antigas de Bon, um poster, entre outros itens. Se você curte AC/DC e a fase Bon Scott, este é um excelente item a ser adquirido. Se preferir, peça de presente, como eu fiz!!

Yes - "Open Your Eyes" - a formação clássica do Yes se reuniu em 1995, lançou duas partes do álbum "Keys To Ascension" (com canções de estúdio e versões ao vivo gravadas na turnê de reunião) e excursionou mundo afora com esta formação tão querida e desejada pelos fãs. Entretanto, no começo deste ano de 1997, o tecladista Rick Wakeman saiu da banda, deixando a banda com a responsabilidade de substitui-lo. Billy Sherwood foi o escolhido, e a banda partiu para finalmente lançar um álbum de estúdio completo. O resultado não agradou muito aos fãs, que sentiram falta de composições mais fortes. O álbum acabou indo mal nas principais paradas (norte-americana e britânica). Destaque para a faixa-título e as canções "Wonderlove" e "From The Balcony". Sherwood continuaria na banda, mas um novo tecladista seria adicionado à banda para a turnê: o russo Igor Khoroshev, que também gravaria o próximo álbum de estúdio da banda. Papo para outro post, com certeza!

Charlie Brown Jr. - "Transpiração Contínua Prolongada" - resolvi escolher dois álbuns do rock nacional para serem incluídos neste post. O primeiro é esta estreia do Charlie Brown Jr., banda santista que misturou um monte de estilos na montagem de sua sonoridade, incluindo hip hop, hardcore, reggae e rock alternativo, abordando temas relevantes para os jovens e fazendo sucesso instantâneo. A banda conseguiu um lugar abrindo para o Offspring em sua turnê brasileira, ganhando ainda mais destaque com o público roqueiro. Daí pra frente, foi só sucesso. Deste álbum, diversas canções ficaram famosas e ganharam boa execução nas rádios: "O Coro Vai Comê!", "Tudo Que Ela Gosta De Escutar", "Gimme O Anel", "Quinta-feira" e "Proibida Pra Mim". A banda teve uma carreira de sucesso até o ano de 2013, quando o vocalista Chorão foi encontrado morto em seu apartamento. A causa da morte foi uma overdose de cocaína. Ficarão lembrados como uma das bandas mais relevantes do rock nacional nos anos 90/2000!

Raimundos - "Lapadas Do Povo" - o segundo álbum do rock nacional escolhido foi este terceiro disco de estúdio dos Raimundos, "Lapadas do Povo". Neste álbum, a banda resolveu pesar a mão, flertando com o hardcore e temas mais sérios, sem muita influência da música tradicional nordestina e sem letras engraçadinhas, características comuns nos dois discos anteriores. Essa guinada sonora já pode ser conferida na primeira música de trabalho, "Andar Na Pedra". Em alguns momentos, a banda incorpora forte influência dos Ratos de Porão, como nas faixas "Véio, Manco e Gordo" e "Crumis Ódamis". Não poderia faltar a influência dos Ramones, coverizados em "Pequena Raimunda (Ramona)". E algumas outras faixas se destacam bastante, em especial "Nariz De Doze" e "Baile Funky", com um riff poderoso e letra criticando as igrejas evangélicas - quis o destino que o vocalista Rodolfo acabasse se convertendo a uma dessas igrejas. Um disco maduro e ousado que acabou afastando um pouco a banda do sucesso. Com as poucas vendas e um incidente em um show de Santos, a banda deu um tempo e só retornou em 1999, quando resolveu voltar à sonoridade mais conhecida e preferida dos fãs, incluindo uma cover que acabou trazendo muito sucesso a eles. História a ser contada mais pra frente aqui no blog!


E chegamos ao fim de mais uma série de posts que varreram o passado, voltando atrás 20, 30, 40, 50 anos para mostrar a principal produção musical do rock destes idos anos de ouro. Espero que curtam esses posts, ano que vem eles retornam, como sempre.Um abraço rock and roll e até lá!!!


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