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sábado, 24 de setembro de 2016

Os anos dourados do Whitesnake

Houve um tempo em que o Whitesnake tinha em sua formação Jon Lord e Ian Paice, ambos ex-Deep Purple na época. Teve guitarristas do naipe de Bernie Marsden, Mick Moody, Mell Galley e John Sykes. De 1978 a 1984, estes foram os anos dourados da banda!

No comecinho de 2011, o blog falou sobre o canto do cisne do Deep Purple nos anos 70, o belo álbum "Come Taste The Band", de 1975, e sua edição comemorativa de 35 anos. No final do post, falávamos sobre o destino de cada integrante: a morte por overdose de Tommy Bolin; o vício em drogas que tanto atrapalhou a carreira de Glenn Hughes; e a formação do Whitesnake por David Coverdale, com a participação de Jon Lord e Ian Paice. Vamos detalhar mais sobre a formação desta banda agora.

Cartaz do Reading Festival, de 1980, com o Whitesnake fechando a última noite.
Com o fim do Purple, David Coverdale resolveu partir para uma carreira solo. O nome de seu primeiro disco foi, adivinhe: "White Snake", de 1977. Foi o começo da parceria com o guitarrista Mick Moody, que divide as composições deste disco com Coverdale. No ano seguinte, saiu o segundo disco da carreira solo: "Northwinds", novamente em parceria nas composições com Moody. Ambos foram produzidos por Roger Glover, outro com história no Purple (curiosamente, Glover e Gillan saíram da banda para Coverdale e Hughes entrar...). Nas turnês de promoção destes álbuns, o guitarrista Bernie Marsden e o baixista Neil Murray já estavam presentes. Esta formação acabou evoluindo para uma banda que aproveitou o nome do primeiro disco solo de Coverdale. Estava formado o Whitesnake, que adicionou o gênio dos teclados Jon Lord e o baterista Dave Dowle para gravar seu primeiro álbum, "Trouble".


1978 - "Trouble" - o álbum de estreia do Whitesnake é um bom disco, trazendo um blues rock bem conciso com algumas pitadas de rock and roll mais direto, com influências de Beatles - incluindo a bela cover para "Day Tripper". As boas melodias do álbum garantem uma audição agradável. Ao contrário dos discos da carreira solo, produzidos por Roger Glover, aqui a banda traz Martin Birch, velho conhecido dos tempos de Deep Purple, para produzir (ele produziu todos os discos citados neste post). A abertura acelerada com "Take Me With You", a faixa "Lie Down (A Modern Love Song)", a instrumental "Belgian Tom's Hat Trick" e o fechamento com "Don't Mess With Me" são os maiores destaques desta estreia da banda. Sem pestanejar, a banda caiu na estrada pela Europa para promover o álbum e se tornar conhecida. Um destes shows acabou virando o EP "Live At Hammersmith", lançado inicialmente somente no Japão. Mais tarde, ele entraria em versões mais completas do disco ao vivo "Live... In The Heart Of The City".

1979 - "Lovehunter" - meu disco preferido desta fase áurea. Aqui a banda estava entrosada e inspirada, desde o começo, com duas grandes canções de abertura: "Long Way From Home" e o clássico "Walking In The Shadow Of The Blues" (uma pena esta faixa não ser mais tocada ao vivo pela banda...). Coverdale tem uma de suas melhores performances vocais em álbuns da banda. Outros destaques incluem "Medicine Man", a faixa-título e o encerramento com "We Wish You Well", que até hoje é utilizada no final dos shows da banda. O álbum conseguiu entrar no Top 30 britânico, mostrando que a banda aos poucos ia caminhando rumo ao sucesso. A banda tocou ao vivo ainda mais para se tornar conhecida, incluindo uma participação no festival Reading. Depois de tanto show, a banda retornou ao estúdio para gravar novamente.

1980 - "Ready An' Willing" - outro grande álbum da banda, manteve a boa qualidade do anterior, sem ser tão brilhante. Aqui houve troca de baterista: saiu Dave Dowle e entrou Ian Paice, deixando a banda com três membros ex-Deep Purple (além de Paice, Coverdale e Lord). Logo na abertura um super clássico, "Fool For Your Loving", presença marcante nos shows da banda até hoje. Outros destaques deste belo álbum são "Sweet Talker", "Blindman" e "Ain't Gonna Cry No More". Com o sucesso da faixa de abertura, a banda alcança a sexta posição na parada britânica e consegue seu primeiro disco de ouro por lá. Conseguem também entrar pela primeira vez na parada norte-americana, no Top 100. Durante a turnê, a banda toca como uma das atrações principais no festival Reading e resolvem gravar as apresentações na famosa casa de shows Hammersmith Odeon, em Londres. Destas gravações, surgiram o álbum a seguir...

1980 - "Live... In The Heart Of The City" - este álbum ao vivo foi um grande sucesso da banda na época, atingindo o Top 5 na parada britânica e alcançando disco de platina. Também conseguiu entrar na parada norte-americana. Belo feito para um disco duplo que concentra a maior parte de suas músicas com faixas do último disco de estúdio, "Ready An' Willing" (nada menos que quatro canções). Claro que algumas pérolas foram incluídas, como os clássicos "Might Just Take Your Life" e "Mistreated", do Deep Purple, além de uma versão especial para "Ain't No Love In The Heart Of The City", uma canção do blueseiro Bobby Bland. As performances são inspiradas: nesta época, David Coverdale não se arriscava em agudos desnecessários e dominava totalmente o palco, mandando muito bem. A dupla de guitarristas Mick Moody e Bernie Marsden se mostra entrosada e afiada nos solos, enquanto que a dupla ex-Deep Purple Ian Paice e Jon Lord segura as pontas ao lado do baixista Neil Murray. Um grande álbum ao vivo de uma banda que estava em seu auge. Se você não conhece, recomendo uma audição atenta!

1981 - "Come An' Get It" - a banda seguiu em frente e lançou mais um álbum de estúdio, alcançando a posição mais alta da parada britânica para um disco do Whitesnake - segunda posição. Na difícil parada norte-americana, a banda entrou porém em uma posição abaixo da alcançada pelo disco anterior - apenas 151ª posição. Apesar de não conter músicas muito conhecidas, o padrão de qualidade se manteve e podemos destacar a boa abertura com a faixa-título e as canções "Don't Break My Heart Again", "Lonely Days, Lonely Nights" e "Child Of Babylon". Um álbum menosprezado porém de muita qualidade, seguindo o alto padrão que a banda imprimia na época. Como o sucesso estava ficando restrito ao limitado mercado britânico, e a banda não conseguia crescer no lucrativo mercado norte-americano, a grana começou a parecer curta e os conflitos começaram a aparecer.

1982 - "Saints & Sinners" - as gravações deste álbum mostraram muita tensão e uma grande mudança na formação da banda. Os membros estavam insatisfeitos com seu empresário, reclamavam que estavam ganhando pouco (para uma banda que tocava para grande plateias e estava vendendo muitos discos na Inglaterra) e foi quase uma implosão. De uma só vez, saíram Neil Murray, Ian Paice, Mick Moody e Bernie Marsden. Depois de um hiato de quase um ano, Coverdale pegou para si a parte empresarial da banda e refez o grupo, trazendo o guitarrista Mel Galley (ex-Trapeze), o grande baterista Cozy Powell (que estava no Michael Schenker Group) e o baixista Colin Hodgkinson. Mick Moody acabou retornando também. Ainda com tantos problemas e conflitos, temos um belo álbum, que também conseguiu entrar no Top 10 britânico. O disco traz dois grandes clássicos do Whitesnake: "Crying In The Rain" e "Here I Go Again", além de outros destaques como as faixas "Young Blood" e "Victim Of Love". Durante a turnê de promoção do álbum, a banda foi a atração principal do festival Monsters of Rock, realizado em Donnington Park, em 1983. As tensões e os conflitos foram aumentando e mais uma grande mudança de formação estava pra acontecer...

Festival Monsters Of Rock de 1983, que teve como atração principal o Whitesnake.

1984 - "Slide It In" - a banda excursionou ao lado do Thin Lizzy em 1983. Com muita tensão e conflito entre os membros do Whitesnake, David Coverdale acabou se aproximando do guitarrista John Sykes. A esta altura, o novo álbum já estava sendo gravado, ainda com a produção de Martin Birch - seria o último a contar com o lendário produtor. Houve uma tentativa de trazer outro grande produtor, Eddie Kramer, mas ele não se entendeu com a banda e com Coverdale. Martin acabou salvando o projeto e acabou produzindo. Mick Moody ainda participou da gravação e contribuiu compondo "Slow An' Easy" ao lado de Coverdale. Mas também foi o canto do cisne para Moody, que nunca mais retornaria para o Whitesnake. A maioria das canções acabou sendo composta por Mel Galley e Coverdale, e a dupla funcionou perfeitamente. Compuseram um belo disco, que começava a abandonar as raízes blues rock e a abraçar um pouco mais o lado comercial que faria a banda estourar no mercado norte-americano. Com a saída de Mick Moody e querendo agradar ainda mais o mercado dos EUA, a banda resolveu regravar as partes de guitarra e baixo - Colin Hodgikinson também foi demitido e Neil Murray acabou retornando. Então, para o lançamento do álbum nos EUA, Sykes e Murray regravaram as partes de guitarra e baixo e uma nova mixagem também foi feita. Os grandes destaques do álbum são a faixa-título,  a lentinha "Love Ain't No Stranger", o blues rock "Slow An' Easy" já citado, "Spit It Out" e o encerramento com "Guilty Of Love".

A velha ganância que já tinha levado o Rainbow de Ritchie Blackmore a abandonar sua sonoridade clássica para abraçar o mercado norte-americano se repetia com o Whitesnake - David Coverdale abraçou o pseudo metal que começava a ter muita força nos EUA, inclusive seu visual de cabelos esvoaçantes. Antes, porém, a banda excursionou para promover o álbum, e os dois últimos shows da turnê acabariam sendo o ponto alto e uma espécie de marco de uma era que se encerrava. Foram as duas apresentações da banda na primeira edição do festival Rock In Rio, em 1985, em frente a milhares de brasileiros que finalmente tinham a chance de ver o Whitesnake ao vivo. Já sem Mel Galley, que tinha se machucado, e também sem Jon Lord, que já tinha voltado para o Deep Purple, que refez a formação Mk2 e tinha lançado "Perfect Strangers". O Whitesnake só voltaria a gravar e se apresentar ao vivo em 1987, totalmente reformulado. Os anos dourados tinham chegado ao fim!



Espero que tenham gostado desse post, que apresenta os primeiros anos de uma grande banda clássica, que está no Brasil para mais uma turnê. Um abraço rock and roll e até a próxima!!

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