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segunda-feira, 13 de junho de 2016

1986 - O ano de ouro do rock nacional

Já dissecamos os lançamentos internacionais do ano de 1986 - confira aqui - e agora é hora de cobrir os grandes lançamentos do rock nacional - foi o ano de ouro para as bandas do Brasil! Tem RPM, Legião Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, Ira! e muito mais!!

Com o boom do rock nacional ocorrido no ano anterior -  1985 - a maioria das bandas retratadas aqui já está consolidada ou em vias de se tornar um sucesso. Algumas lançavam seu primeiro disco e também alcançariam sucesso em breve. As vendas de discos neste ano de 1986 dispararam para todos os estilos, incluindo nosso rock brasuca. O motivo foi o Plano Cruzado, lançado no final de fevereiro e que congelou os preços (quem viveu nesta época vai lembrar dos famosos "fiscais do Sarney", que fiscalizavam o congelamento dos preços e até tentavam fechar estabelecimentos que violassem a regra). Então, vários dos lançamentos cobertos neste post conseguiram atingir a marca de um milhão de cópias vendidas, coisa rara dentro do rock brasileiro. Claro que, após as eleições gerais para Governador, Senador e Deputados - que formaram a Assembleia Constituinte responsável por promulgar a Constituição Federal do Brasil em outubro de 1988 - a coisa toda desabou como um castelo de cartas e a mega inflação voltou com tudo. Serviu para iludir a população e eleger a esmagadora maioria de candidatos do partido governista da época (um doce pra quem adivinhar qual partido era esse. Dica: é o partido que nunca sai do poder no Brasil...).

Lá vamos nós na nossa viagem pelo tempo, relembrar grandes lançamentos do ano de ouro do rock nacional!

Lobão - "O Rock Errou" - sempre polêmico em sua carreira e seus lançamentos, mas sempre demonstrando talento e força musical, Lobão chega aqui a seu terceiro disco (considerando o disco com Os Ronaldos) polemizando logo na capa do álbum, onde ele aparece vestido de padre ao lado de uma menina nua (seios à mostra; trata-se da atriz Daniele Daumerie, namorada de Lobão na época e falecida em 2014). A participação especial de Elza Soares no disco também chocou um pouco, além das letras atacando o rock (como na faixa-título) e a repressão policial em "Canos Silenciosos". Toda a polêmica, claro, ajudou ao álbum, que fez sucesso nas rádios com sua faixa-título, "Revanche" e a já citada "Canos Silenciosos". Musicalmente, era um belo álbum gravado pelo grande lobo. Entretanto, o artista nem pode curtir muito este sucesso: logo após o lançamento do álbum, Lobão foi preso por porte de drogas, ficando três meses na prisão. Foi lá que ele desenvolveu seu próximo álbum, novamente se envolvendo em polêmica. História para o post de 1987!!

Paralamas do Sucesso - "Selvagem?" - os Paralamas do Sucesso já tinham estourado no disco anterior, tocado no festival Rock In Rio, talvez fossem a banda de maior sucesso na época. Entretanto, resolveram não ficar estacionados e partiram para um novo trabalho explorando musicalidades atípicas no rock, faixas mais politizadas, até mesmo um grande flerte com a MPB. Desde a faixa de abertura, "Alagados", até a faixa-título, com letras inteligentes e destacadas no rock nacional até então. Claro, tínhamos também o rock descompromissado com "Melô do Marinheiro", que ajudou o disco a catapultar em vendas. O flerte com a MPB veio com a participação de Gilberto Gil na composição do sucesso "A Novidade" e na cover de "Você", de Tim Maia. Por todos esses motivos, este foi um álbum que marcou uma guinada de qualidade na carreira da banda, que iria aproveitar o sucesso alcançando com este disco para tocar no Festival de Montreux e também para excursionar pelos demais países da América do Sul. Esta linda carreira de sucesso quase foi tragicamente interrompida em 2001, com o grave acidente que Herbert Vianna sofreu - ele perdeu a esposa, acabou paraplégico, mas se recuperou e voltou a tocar. A banda permanece firme e forte na ativa, gravando discos e o que sabe fazer de melhor: tocar ao vivo. O show dos Paralamas é um dos melhores do rock nacional!

Titãs - "Cabeça Dinossauro" - após a insatisfação com a produção do disco anterior e a prisão de Arnaldo Antunes e Tony Bellotto, a banda entrou em estúdio com um novo produtor, Liminha (considerado na época o nono Titã; ele produziu também o disco acima dos Paralamas), e com uma gana e enorme vontade de superar os problemas que afligiram o grupo no ano anterior. O resultado é um dos discos mais importantes do rock nacional, seminal, intenso, empolgante e que até hoje permanece altamente relevante no contexto da música brasileira. O disco conseguiu finalmente uma coesão musical, convergindo para um rock mais pesado e rápido, sem deixar de trazer algumas pitadas de reggae e funk. E as letras cospem o inconformismo da banda para com as instituições vigentes da época: ataque à repressão do Estado em "Polícia" (inspirado no que aconteceu com os integrantes da banda) e "Estado Violência"; ataque à religião organizada em "Igreja"; ao capitalismo em "Homem Primata"; além de faixas desafiando a Censura (que ainda existia na época) com as faixas "Porrada" e "Bichos Escrotos". O álbum permitiu à banda dar um salto em vendas e na quantidade de shows que faziam, tornando-os um dos maiores e mais bem sucedidos grupos dos anos 80. Na minha opinião, "Cabeça Dinossauro" é o melhor disco lançado na década por uma banda de rock nacional!

Legião Urbana - "Dois" - enquanto o primeiro disco da Legião Urbana tinha suas irregularidades de gravação e mostrava uma banda ainda imatura, este álbum mostra que a banda evoluiu, não se prendia mais a sua herança da época do Aborto Elétrico e amadureceu bastante as composições, explorando um lado folk/acústico com propriedade. Claro, sem perder a essência rock, como mostra algumas boas canções do Lado B. Se o primeiro disco não fez todo esse sucesso, este aqui vendeu que nem pãozinho quente (mais de um milhão de cópias) e elevou a banda ao Top 3 do rock nacional. Não faltaram sucessos no álbum: desde a abertura com "Daniel Na Cova Dos Leões", "Quase Sem Querer", "Eduardo e Mônica", "Tempo Perdido", "Índios", e até mesmo "Andrea Doria". Destaque também para as pancadas "Metrópole" e "Fábrica", além da instrumental "Central do Brasil". Aproveitando o sucesso do disco, a Legião excursionou muito e as performances ajudaram a construir o mito em torno de Renato Russo, tornando a relação entre os fãs e a banda algo próximo da religião. Esse fanatismo só iria aumentar nos dois próximos discos, sendo um pouco abalado pelos acontecimentos no show do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, marcado por muita confusão. Histórias para outro post!

RPM - "Rádio Pirata Ao Vivo" - com um disco de grande sucesso no ano anterior e uma turnê ultra bem sucedida, a gravadora precisava manter o fluxo de caixa em cima do nome do RPM, e a banda não estava pronta para gravar um segundo disco de estúdio. O jeito foi lançar um disco ao vivo, que acabou fazendo ainda mais sucesso que o disco de estúdio, chegando a vendas que se equiparavam ao medalhão Roberto Carlos, com números acima de três milhões de cópias! Vale lembrar que o show do RPM na época era uma super produção, assinada por ninguém menos que Ney Matogrosso. O disco trouxe, além dos grandes sucessos da banda na época, algumas covers como "London, London" (canção de Caetano Veloso) e "Flores Astrais" (canção dos Secos & Molhados). Apesar de todo este sucesso monstruoso, a banda não conseguiria seguir por muito tempo com sua carreira. Ainda no ano seguinte anunciariam sua separação, e ensaiaram diversos retornos frustrados, até que em 2011 a banda voltou de vez, sem o sucesso de outrora. A banda realiza algumas turnês e tem prometido um novo disco de estúdio para este ou o próximo ano. Devem estar procurando espaço na agenda do vocalista Paulo Ricardo, agora jurado de um programa de bandas novatas na TV Globo...

Capital Inicial - "Capital Inicial" - com dois integrantes oriundos do Aborto Elétrico e com um espólio de três canções do grupo, o Capital Inicial começou suas atividades em Brasília e tocou junto com os principais grupos de sua geração: Legião Urbana e Plebe Rude. Após serem contratados por uma grande gravadora, se mudam para o eixo Rio/São Paulo e gravam este primeiro disco, que rapidamente estoura nas rádios, principalmente com as canções do espólio - "Música Urbana", "Veraneio Vascaína" e "Fátima". Outras canções do álbum também tocaram muito nas rádios, além destas: "Psicopata" e "Leve Desespero". O álbum, produzido pelo futuro tecladista da banda Bozo Barretti, combina um rock rebelde com boas melodias e letras bem escritas. Com a adição de Barretti, o som da banda iria perder a rebeldia rock nos discos seguintes, adicionando camadas de teclados e tendência pop que acabou desgastando a banda no longo prazo. Em 1994, o vocalista sai temporariamente da banda, marcando o ápice na queda de popularidade da banda. Eles retornam quatro anos depois, gravam um disco acústico e recuperam o auge de seu sucesso, conseguindo renovar seu público e alcançar os jovens novamente. A banda continua firme e forte na ativa, lançando discos constantemente e tocando nos principais festivais do país. Na minha opinião, sem o brilho e a força deste primeiro álbum, a grande pérola da discografia do Capital Inicial!

Ira! - "Vivendo e Não Aprendendo" - depois de uma boa estreia e o sucesso com a canção "Núcleo Base", o Ira! retornou mais maduro ao estúdio e conseguiu produzir uma obra prima do rock nacional, disputando o título de disco do ano de 1986 ao lado dos lançamentos dos Titãs e dos Paralamas do Sucesso. Desde a abertura com "Envelheço na Cidade" e seu riff incendiário, a empolgante "Dias de Luta" (e outro grande riff), a dançante e funkeada "Vitrine Viva", a lentinha "Flores em Você", que contava com um arranjo em violoncelos e que acabou entrando na trilha sonora de uma novela da Globo, aumentando a exposição do grupo e seu sucesso, mais a inclusão das energéticas versões ao vivo de "Gritos na Multidão" e do clássico "Pobre Paulista" tornaram este álbum um estouro completo neste ano de 1986, sucesso que continuou no ano seguinte. E o disco foi tão bem concebido e gravado que permanece relevante e atual até os dias de hoje, seja pela força das letras introspectivas ou da qualidade dos arranjos, ressaltando a qualidade dos músicos envolvidos, em especial do guitarrista Edgard Scandurra. A banda só conseguiria repetir tamanho sucesso quando lançaram seu álbum acústico, em 2004. Felizmente, após um período de hiato, a dupla Nasi/Scandurra reativou a banda e tem tocado pelo Brasil afora. Espero que esteja nos planos da banda um novo álbum de estúdio, nunca decepcionaram!

Engenheiros do Hawaii - "Longe Demais das Capitais" - os Engenheiros do Hawaii surgiram como um passatempo de um grupo de estudantes de arquitetura de uma faculdade do Rio Grande do Sul, e acabou ganhando importância conforme foram se apresentando. Com a participação na coletânea "Rock Grande do Sul" (que incluía, além dos Engenheiros, Replicantes, DeFalla, TNT e Garotos da Rua) no ano anterior, a banda acabou ganhando a chance de gravar seu primeiro disco (e só foram assinar contrato depois do sucesso que o disco fez!). Embalado pelo sucesso das canções "Toda Forma de Poder", "Segurança" e "Todo Mundo É Uma Ilha", a banda entrou em turnê e acabou sendo conhecida no Brasil inteiro (a entrada em trilha sonora de novela ajudou bastante também). Musicalmente, a banda flertava com o pop e até com o ska, e ainda não tinha ganhado a identidade pela qual ficou conhecida mais tarde. Vale lembrar que, nesta época, o vocalista Humberto Gessinger era também o guitarrista da banda. Ao final da turnê de promoção do álbum, o baixista Marcelo Pitz resolveu deixar a banda e foi substituído pelo guitarrista Augusto Licks, fazendo Gessinger migrar para o baixo. Seria a formação clássica da banda: Gessinger/Maltz/Licks. História para o post sobre o ano de 1987!

Lulu Santos - "Lulu" - mais um álbum de sucesso de Lulu Santos, já um nome totalmente consagrado no rock nacional nesta época. Conforme já dito no post sobre o ano de 1985, os maiores sucessos de Lulu aconteceram em 1983 e 84, com vendas próximas de 400 mil cópias. Este disco vendeu próximo das duzentas mil cópias, e rendeu ao cantor e guitarrista mais alguns hits nas rádios FM da época: "Casa (O Eterno Retorno)", "Condição", "Minha Vida" e "Um Pro Outro". Até este ponto da carreira, Lulu Santos mostrava-se como um excelente compositor, fazendo parceria com grandes nomes e gravando com uma banda formada por artistas do naipe de Artur Maia e Léo Gandelman. Suas incursões musicais nos anos seguintes trariam uma baixa de vendas, mas no meio da década de 90 ele recuperou e até superou os números do começo de carreira. Atualmente, continua em alta, participando como jurado do programa "The Voice". Muito respeito com este senhor, belo guitarrista e compositor, com muita história pra contar!

Biquini Cavadão - "Cidades em Torrente" - formado por amigos de um colégio na Zona Sul do Rio de Janeiro, o Biquini Cavadão contou com a ajuda de Herbert Vianna, dos Paralamas, que tocou guitarra na primeira demo da banda. Com esta demo tocando bem na rádio Fluminense FM, a banda ganha a chance de gravar seu primeiro álbum, que conseguiu fazer um bom sucesso com os hits "Tédio" (música da primeiro demo gravada), "Timidez" e "No Mundo da Lua". Outras faixas também receberam alguma divulgação das rádios, como "Múmias" (com participação de Renato Russo), "Domingo" e "Reco" (uma das poucas canções politizadas do disco, criticando o alistamento militar obrigatório). Musicalmente, a banda praticava um pop rock calcado em camadas de teclados, usando em algumas músicas o saxofone, com o vocal sereno de Bruno Gouveia se destacando. Muitas letras, por falarem de temas e dilemas típicos dos adolescentes (tédio, timidez, masturbação, a chatice do domingo), caem no gosto do público jovem e fazem muito sucesso. Com o sucesso, conseguiram excursionar pelo Brasil afora e divulgar o nome da banda. Os próximos discos manteriam o sucesso da banda, que acabou sofrendo uma queda de popularidade durante os anos 90 em diante - como toda banda do rock brasil dos anos 80. Continuam firmes e fortes na ativa, lançando álbuns e fazendo turnês. A formação é quase a mesma; apenas o baixista André "Sheik" saiu da banda.

Camisa de Vênus - "Correndo o Risco" - depois de muita polêmica no começo da carreira, a esta altura o Camisa de Vênus já estava estabilizado como uma das grandes bandas do rock nacional, com grandes sucessos estourados nas rádios (em especial o clássico "Eu Não Matei Joana D'Arc") e um disco ao vivo energético que vendeu muito (e gerou atritos com a ainda existente Censura). A banda evolui ainda mais e lança seu álbum de maior sucesso, misturando bons arranjos e composições maduras com o já conhecido estilo escrachado da banda, com letras bem debochadas e divertidas. Então, temos canções como "Morte Ao Anoitecer", "A Ferro e Fogo" (orquestrada) e "Só O Fim" lado a lado com as mais debochadas "Simca Chambord" e "Deus Me Dê Grana". O disco ainda conta com uma bela cover de "Ouro de Tolo", de Raul Seixas (Marcelo Nova, o vocalista do Camisa, iria gravar um disco com Raulzito mais pra frente na carreira). A banda lançaria mais um disco de estúdio (duplo, o primeiro do rock nacional) e Marcelo Nova sairia da banda, que decidiu encerrar as atividades. Diversas reuniões aconteceram nos anos seguintes: em 1995, 2004 e 2007 (essas reuniões contam com a participação de Luiz Carlini, ex-Tutti Frutti). Em 2009, os guitarristas Karl Hummel e Gustavo Mullem decidem tocar o Camisa de Vênus sem Marcelo Nova. Chamaram o vocalista Eduardo Scott e chegam a gravar um álbum de regravações de músicas da banda na voz de Scott. Marcelo Nova não ficou muio satisfeito e entrou na justiça proibindo os guitarristas de usarem o nome da banda. Então, ele e o baixista Robério Santana retornam com o Camisa, para uma turnê comemorativa de 35 anos da banda. Se você tiver oportunidade de assistir a um show deles, não perca - é um puta evento!

Hanói-Hanói - "Hanói-Hanói" - contando com Arnaldo Brandão nos vocais, o Hanói-Hanói conseguiu algum sucesso neste ano de 1986 com seu álbum de estreia, fortemente catapultado pelo grande hit do grupo, "Totalmente Demais". Também temos outras canções de destaque, como a gravação de "Blá Blá Blá... Eu Te Amo" um ano antes de Lobão (a canção é uma parceria entre Arnaldo e o grande lobo) e das canções "Partido Verde Alemão" e "Nem Sansão Nem Dalila". O grupo ainda faria algum sucesso com seu segundo disco, de 1988, mas os áureos tempos do rock nacional já tinham ficado para trás e cada vez menos grupos conseguiriam se manter no longo prazo. O Hanói-Hanói acabou encerrando as atividades em 1995 com o lançamento de seu último disco. Vale o registro de uma boa banda que marcou época no ano de 1986!!

João Penca e Seus Miquinhos Amestrados - "Okay My Gay" - esta foi uma das bandas mais irreverentes do rock nacional. Oriunda de um bairro nobre do Rio de Janeiro, contou com Léo Jaime em suas primeiras formações (ele saiu da banda afirmando que os demais integrantes não levavam a carreira a sério), e ganhou notoriedade após tocar ao lado de Eduardo Dusek. Este álbum é o segundo, e o de maior sucesso. Com uma sonoridade de rock anos 50, surf music, letras debochadas e muito humor, a banda deslanchou com os sucessos "Popstar", "Romance Em Alto Mar" e "Lágrimas de Crocodilo". A banda ainda faria um pouco de sucesso nos anos seguintes, em especial com a canção "S.O.S. Miquinhos" (uma canção zoeira com uma das letras mais debochadas do rock nacional), mas entraram em um longo hiato até 2007, quando retornaram rapidamente à ativa para alguns shows; entretanto, o retorno não durou e a banda voltou à inatividade. Uma pena, o show deles sempre foi muito divertido!

Heróis da Resistência - "Heróis da Resistência" - no post sobre o ano de 1985, comentamos sobre a saída de Leoni do Kid Abelha, após brigas e desentendimentos com sua ex-companheira Paula Toller. Mal saiu de sua ex-banda, Leoni já criou uma nova, os Heróis da Resistência, e rapidamente assinou contrato com a WEA e gravou este primeiro álbum, um dos maiores sucessos deste ano de 1986. Todo o sucesso do disco pode ser atribuído ao grande hit "Só Pro Meu Prazer", que tocou direto nas rádios FM da época. No reboque deste grande hit, outras canções também tocaram nas rádios: "Dublê de Corpo", "Esse Outro Mundo" e "Nosferatu". Musicalmente, a banda praticava um pop rock um pouco mais avançado que o de seu ex-grupo, adicionando mais teclados (e até metais) e com boas melodias e letras românticas mais sofisticadas. A banda ainda lançaria mais dois álbuns de estúdio, sem chegar nem perto no sucesso deste disco de estreia. Em 1993, Leoni resolve seguir carreira solo e o grupo se dissolve. Grande compositor, continua na ativa, lutando para se destacar neste mercado fonográfico brasileiro que só quer apoiar sertanejos e pagodes afins. Longa vida a este grande músico do rock nacional!

Barão Vermelho - "Declare Guerra" - este foi o primeiro álbum do Barão sem Cazuza, que tinha saído no ano anterior para seguir carreira solo. A banda chegou a considerar encerrar as atividades, mas felizmente Frejat assumiu os vocais e a banda seguiu uma longa carreira de sucesso. Porém, o sucesso não veio com este disco: a gravadora da banda, Som Livre, não promoveu adequadamente o álbum e ele acabou vendendo muito pouco. Ainda assim, o disco produziu alguns sucessos: "Torre de Babel", lançada antes do álbum; e a faixa-título, um rockão de primeira que mostrava que a banda estava pronta pra aguentar o tranco que seria sem seu antigo vocalista. Outros destaques ficam para as canções "Não Quero Seu Perdão" (parceria com Júlio Barroso), "Bumerangue Blues" (composição de Renato Russo) e "Que O Deus Venha" (uma das poucas composições da época de Cazuza que ficaram com o Barão; as demais, Cazuza utilizou em seu primeiro disco solo). Com o descaso da Som Livre para promover o disco, a banda se sentiu abandonada e trocou de gravadora, indo para a WEA. Com os próximos álbuns, o Barão Vermelho iria recuperar sua popularidade e voltaria ao primeiro escalão das bandas nacionais. Atualmente, a banda está em um hiato que parece definitivo, já que Frejat não mostra mais interesse em reativar a banda, preferindo seguir em carreira solo. Uma pena, uma das maiores e melhores bandas do rock nacional adormecida sem um motivo forte... Volta, Barão!

Inocentes - "Pânico em SP" - este baluarte do punk rock nacional já estava na ativa fazia tempo (desde 1981), mas ainda não tinha conseguido um contrato com uma grande gravadora - sobrevivia com a participação na histórica coletânea "Grito Suburbano" e um disco totalmente censurado. Branco Mello, vocalista dos Titãs, mostra uma fita demo da banda na gravadora WEA, e a banda consegue seu primeiro espaço, gravando este mini-LP que consegue bons resultados e algumas músicas tocando nas rádios da época: "Rotina", "Não Acordem A Cidade", "Pânico em SP", além da regravação da canção "Salvem El Salvador", do primeiro disco. Trata-se de um registro histórico: o primeiro de uma banda punk brasileira por uma multinacional. Apesar dos bons resultados, a gravadora iria pegar no pé do grupo e, eventualmente, deixá-los de lado, não dando a devida promoção aos seus lançamentos. Assim foi a carreira da banda: muitas dificuldades com diversas gravadoras, e pouco sucesso em vendas. Ainda assim, mantiveram-se na ativa durante três décadas, gravando e tocando pelo Brasil afora. Atualmente, o vocalista Clemente divide seu tempo entre os Inocentes e a Plebe Rude - ele substituiu Jander Bilaphra em 2006. Salve o Inocentes, uma das mais importantes bandas do punk brasileiro!

Ratos de Porão - "Descanse em Paz" - vimos acima uma série de bandas consagradas, vendendo horrores com seus discos, resultado direto do Plano Cruzado. Aqui, não. Temos os Ratos de Porão ainda no underground, tentando sobreviver e crescer na cena, lançando por uma gravadora independente (este disco saiu pela Baratos Afins). Pra dificultar a vida deles, resolveram mudar o direcionamento musical: enquanto o primeiro disco, "Crucificados Pelo Sistema", era punk até a raiz, este álbum resolveu seguir a nova tendência crossover, incorporando a influência thrash metal. Por esta opção, passam a ser perseguidos por uma parte do movimento punk, que passou a chamá-los de traidores. Independente da polêmica, o disco marcou o início da evolução musical da banda, e conseguiu abrir caminhos, tanto para um contrato com uma gravadora melhor, como para abranger um público maior. Deste álbum tiramos clássicos pré-históricos da banda como "Cérebros Atômicos", "Velhos Decréptus" e "Paranoia Nuclear". Foi também o primeiro disco de uma das formações mais clássicas da banda, com João Gordo no vocal, Jão na guitarra, Jabá no baixo e Spaghetti na bateria (esta formação duraria até 1991, com o lançamento do álbum "Anarkophobia"). Nesta época, a banda ousou e tocou em Minas Gerais ao lado do Sepultura. Houve muito receio em torno do show, mas acabou se tornando um sucesso, marcando o começo da parceria e amizade entre as duas bandas. Uma das bandas mais íntegras e intensas do rock nacional: os Ratos de Porão!!

E assim chegamos ao fim deste post dedicado aos principais lançamentos do rock nacional no ano de 1986. Espero que tenham gostado. Deixe suas impressões e seus discos preferidos nos comentários. Um abraço rock and roll e até o próximo post!!

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