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terça-feira, 1 de março de 2016

David Gilmour - On A Island

Este post comemora os dez anos de lançamento do excelente álbum "On A Island", de David Gilmour. Além de sua qualidade, o disco também é importante por ser o primeiro disco solo de Gilmour depois de mais de vinte anos (o disco anterior foi "About Face", de 1984), e também ter sido o último trabalho a contar com o tecladista Richard Wright, companheiro dos anos de Pìnk Floyd.

No começo dos anos 2000, David Gilmour fez poucas apresentações, a maioria acústicas, que acabaram sendo a fonte de seu DVD "David Gilmour In Concert", de 2002. A maioria dos fãs ainda acreditava em (e torciam por) uma reunião da formação original do Pink Floyd. Essa esperança foi multiplicada pela apresentação dos quatro membros no projeto Live 8, de Bob Geldof (o ator que interpreta o protagonista do filme "The Wall"). O projeto visava pressionar os líderes das maiores nações do mundo a aumentar seus esforços na erradicação da fome. Depois deste show, os rumores dispararam e diversas ofertas de turnês foram feitas aos integrantes. Todos negaram veementemente a reunião definitiva da banda.

Enquanto isso, Gilmour trabalhava em seu disco solo, ao lado de diversos parceiros musicais, a bordo de seu barco-estúdio Astoria (ele comprou este barco em 1986, segundo a Wikipedia, e o transformou em um estúdio, tendo gravado álbuns do Pink Floyd lá também). Os parceiros variaram dos mais próximos e presentes nos últimos trabalhos do Pink Floyd - o baixista Guy Pratt, o tecladista Richard Wright e o guitarrista Phil Manzanera (ex-Roxy Music) - a nomes consagrados como David CrosbyGraham Nash (ambos do lendário grupo dos anos 60 Crosby, Stills, Nash & Young), Chris Stainton (tecladista que já tocou com o The Who e Eric Clapton), e também alguns nomes inusitados como o apresentador Jools Holand. Apesar de tantos parceiros, Gilmour toca diversos instrumentos no álbum: além de cantar e tocar guitarra, ele ainda se arrisca no piano, baixo, órgão Hammond e até no saxofone. Coisas de um gênio musical, com certeza.

David Gilmour com David Crosby e Graham Nash, tocando a faixa-título do álbum no Royal Albert Hall
O álbum começa se impondo com uma faixa instrumental onde brilha, claro, a guitarra de David Gilmour e um delicioso solo. Apenas um prelúdio para a faixa-título, uma canção suave e serena que te envolve e te acalma durante seus quase sete minutos de duração - o solo final de guitarra é daqueles épicos que só Gilmour poderia fazer. A suavidade e serenidade se mantém em alta na faixa "The Blue", outra pérola deliciosa que balança teus sentimentos com a calma voz de Dave, complementada pela voz de Richard Wright - e o solo, claro. "Take A Breath" quebra um pouco a suavidade com uma levada diferente na guitarra, uma pegada mais roqueira, lembrando longinquamente o clássico "Run Like Hell", do Pink Floyd, só que com andamento mais cadenciado. A faixa instrumental "Red Sky At Night" se destaca pois é a faixa onde Gilmour toca saxofone - e é o instrumento que domina a canção.

"This Heaven" vem a seguir com uma pegada diferenciada, com pitadas de guitarra tanto de Gilmour quanto de Phil Manzanera. "Then I Close My Eyes" retoma aquela suavidade e serenidade do começo com timbres acústicos recheados com frases envolventes de guitarra, em mais uma faixa instrumental do álbum. "Smile" se mantém suave, e esta é uma canção que já tinha sido introduzida no DVD "David Gilmour In Concert"; sua pegada é mais acústica, portanto. "A Pocketful Of Stones" traz uma introdução toda climática pra retornar ao clima suave e sereno do álbum, em mais uma linda canção, deliciosa de se escutar. Este grande disco se encerra com "Where We Start" mantendo a mesma pegada suave e serena da maioria das faixas, com Gilmour se excedendo maravilhosamente nos solos, gravando sua marca registrada em todas as canções. Um álbum para ser degustado do início ao fim com atenção, com calma, e de preferência bebericando algum vinho de qualidade. Com certeza serão uma bela combinação!

O álbum foi um sucesso logo no seu lançamento: topo da parada britânica e sexta posição na parada norte-americana, melhor posição até então para um disco de sua carreira solo (o álbum seguinte, "Rattle That Lock", iria superar esta marca, alcançando a quinta posição). Logo no começo de março de 2006, mesmo mês do lançamento do álbum, Gilmour e sua banda caíram na estrada para promovê-lo (e ficou claro que uma reunião do Pink Floyd tinha ficado bem distante), começando pela Europa, indo para os EUA em abril, e retornando para a Europa em maio, quando tocaram três dias seguidos no Royal Albert Hall, em Londres. Essas apresentações em Londres foram gravadas e se tornaram o excelente DVD "Remember That Night", com diversos convidados incluídos: David Crosby e Graham Nash, David Bowie, Nick Mason, dentre outros. A turnê se encerrou na Polônia, na cidade de Gdansk, quando David Gilmour e banda tocaram com uma orquestra, para um público de cem mil pessoas; o show também foi gravado e lançado em CD e DVD, entitulado "Live In Gdansk".

David Gilmour então voltou ao ostracismo e a sua vida pacata, retornando às atividades musicais na década seguinte, quando viria a lançar seu próximo álbum de estúdio, "Rattle That Lock". Confira aqui o post que resenhou este disco.

Relação de músicas:
1 - "Castellorizon"
2 - "On An Island"
3 - "The Blue"
4 - "Take A Breath"
5 - "Red Sky At Night"
6 - "This Heaven"
7 - "Then I Close My Eyes"
8 - "Smile"
9 - "A Pocketful Of Stones"
10 - "Where We Start"

Alguns vídeos:
"On An Island" (ao vivo no Royal Albert Hall - DVD "Remember That Night"):


"Take A Breath":


"Where We Start" (ao vivo em Gdansk; uma das últimas apresentações de Richard Wright):

Um abraço rock and roll e até a próxima!!

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