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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Megadeth - Dystopia

Com mais uma mudança de formação, o Megadeth chegou a seu décimo quinto álbum de estúdio, "Dystopia", lançado agora no começo de 2016. Um álbum que conta com Chris Adler, do Lamb Of God, e Kiko Loureiro, do Angra. E esta nova formação acabou trazendo fôlego musical para a banda, que já apresentava sinais de cansaço no estúdio, nos dois discos anteriores.

Mudanças de formação são uma constante na história do Megadeth. Entretanto, ao final de 2014, uma debandada pareceu acontecer com a banda. Shawn Drover, o baterista, anunciou sua saída da banda, desejando se dedicar a novos projetos musicais. Imediatamente depois, o guitarrista Chris Broderick fez o mesmo, só que alegando as já manjadas diferenças musicais. Ambos acabaram montando uma nova banda, Act Of Defiance. O chefão Dave Mustaine alegou que ficou sabendo da saída dos dois pela Internet, igual o resto de nós. Junior (David Ellefson, o baixista, assim chamado por Mustaine) alegou que a banda continuaria a existir e estaria trabalhando no disco novo. Só que muita gente ficou com sérias dúvidas com relação à banda: será que os dois Daves teriam força para reerguer o Megadeth?

A seguir, começou grande especulação em torno dos nomes dos substitutos. Chegaram a mencionar Dave Lombardo (ex-Slayer) e mais um monte de gente. Enfim, as especulações e rumores começaram a convergir para os nomes de Chris Adler, o poderoso baterista do Lamb Of God, e Kiko Loureiro, o nosso conhecido guitarrista do Angra. A princípio, seriam apenas músicos contratados para gravar o novo álbum, o que achei uma decisão errada de se tomar - a banda precisava de membros definitivos. E não acreditava muito que os dois escolhidos fossem largar suas bandas, bem estabelecidas, para entrar na aventura de tocar em estúdio para o Megadeth. Entretanto, Mustaine acabou convencendo os dois a se tornarem os reais novos membros da banda, inclusive excursionando e tocando ao vivo. Que se virassem com suas bandas (Kiko acabou dando uma grande pausa em sua participação no Angra, e Chris está se virando para conciliar a agenda das duas bandas).

Foto do encarte com a nova formação do Megadeth
E esta nova formação encaixou bem e deu liga. Chris Adler, fã declarado da banda, além de ter feito um excelente trabalho na bateria, também convenceu Mustaine a revisitar os trabalhos mais clássicos, em busca de uma sonoridade mais thrash, um pouco esquecida nos últimos trabalhos. Deu certo: dá pra perceber que este novo trabalho bebe na fonte dos antigos discos, como "Rust In Peace" - a faixa-título é um belo exemplo disso, com uma estrutura que me lembrou muito "Hangar 18" (sem cair na armadilha do autoplágio). Já Kiko Loureiro não fez apenas um tremendo trabalho, ele contribuiu com composições (em três das faixas do álbum) e parece ter impressionado Mustaine com seu talento (o líder deu entrevista recentemente, destacando o papel de Kiko na banda, e meio que diminuindo o baixista de longa data...).

Não bastava a banda pesar e acelerar suas músicas - fizeram, e bem - os fãs da banda sentiam falta das composições bem feitas, do entrosamento entre Dave Mustaine e outro guitarrista, algo que funcionou bem com Chris Poland e Marty Friedman, mas nem tanto com Chris Broderick. E Kiko solou muito neste disco, seu estilo casou bem com o de Mustaine e os solos são um dos maiores destaques do álbum. Confira a já citada faixa-título e outras para constatar o espaço e a importância que foi dada à guitarra solo. A musicalidade flui e o peso e a agressividade se combinam com a melodia de uma forma como não víamos fazia um bom tempo em um disco do Megadeth. "Death From Within", "Post American World" e "Poisonous Shadows" estão lá pra comprovar. E ainda temos a bela instrumental "Conquer Or Die!", uma faixa única e deliciosa de se escutar. E temos o bom e velho thrash metal em faixas como a de abertura, "The Threat Is Real", ou "Lying In State", trazendo agressividade bem tocada, uma marca dos melhores trabalhos da banda.

Você pode perguntar se este novo álbum é tão bom ou melhor que os antigos clássicos e eu te respondo rapidamente: claro que não! O novo disco ainda precisa envelhecer em nossos ouvidos, ser degustado, passar pelo teste do tempo. Entretanto, reafirmo: é um álbum que traz um novo fôlego a uma banda que parecia saturada e cansada, musicalmente falando. É um atestado de que a banda ainda tem lenha pra queimar. É uma prova que o Megadeth está de volta com uma bela formação e merece a nossa atenção!

E o álbum mostrou que impressionou os fãs: conseguiu atingir a terceira posição na parada norte-americana, a melhor posição desde o número 2 de "Countdown To Extinction", de 1992. Para nós, brasileiros, a turnê promovendo o disco já tem três paradas garantidas em agosto: dia 7 em São Paulo; dia 12 em Brasília; e dia 13 em Fortaleza. Pelo espaço entre o show de Sampa e os demais, eu apostaria em mais datas para o Brasil!

Relação das músicas:
1 - "The Threat Is Real"
2 - "Dystopia"
3 - "Fatal Illusion"
4 - "Death From Within"
5 - "Bullet To The Brain"
6 - "Post American World"
7 - "Poisonous Shadows"
8 - "Conquer Or Die!"
9 - "Lying In State"
10 - "The Emperor"
11 - "Foreign Policy"

Alguns vídeos:
"The Threat Is Real":


"Dystopia":


"Fatal Illusion":


Um abraço rock and roll e até a próxima resenha!!

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