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domingo, 27 de setembro de 2015

Rock In Rio 2015 - As duas últimas noites de rock

Falarei rapidamente sobre as duas últimas noites de rock do festival Rock In Rio, edição 2015. Desde as grandes atrações como System of a Down, Slipknot e Faith No More aos menores shows como Noturnall, Moonspell e muito mais!

Nesta segunda parte do festival Rock In Rio, alguns problemas foram resolvidos, outros foram atenuados. O transporte, pelo que me foi relatado, melhorou um pouco; os atrasos dos shows praticamente não aconteceram mais; e as filas continuaram, mas acho que acabamos nos acostumando com elas. Em termos de rock, os dias 24 e 25 concentraram as melhores atrações do festival, superando os dois primeiros dias. Se eu tivesse que escolher um dia do festival como o melhor, este dia seria o dia 24. Então vamos falar sobre esses dois últimos dias do festival! (para os roqueiros, pelo menos, estes foram os últimos dias...)

Dia 24, Melhor dia do festival

Fica muito difícil de chegar no festival pro primeiro show que acontece no Palco Sunset. Eu só consigo chegar lá entre 15 e 16 h, quando o show já está no finalzinho. Então nos dois dias eu perdi esse primeiro show. Ao chegar no dia 24, eu peguei a banda Halestorm iniciando sua apresentação. Com a vocalista Lzzy Hale como líder e principal figura, você logo associa a banda com Runaways, Joan Jett, coisa e tal. Mas o lance é que a banda citada foi pioneira, era novidade. Lzzy e seu Halestorm não - você já ouviu aquela sonoridade antes, com certeza. Tirando este pequeno porém, o show foi legal e energético, mas nada que me empolgasse muito.

Meia hora de intervalo e então pontualmente, às 18h, e um vídeo de demolições e explosões começa a ser mostrado no telão central do Palco Sunset. Era o prenúncio de uma das melhores e mais intensas apresentações do Rock In Rio. O Lamb Of God entrou como um rolo compressor para não deixar pedra sobre pedra. Com um set enxuto, direto, ultra rápido e pesado, a banda estava com vontade de mostrar serviço. Canções como a abertura com "Walk With Me In Hell", a nova "Still Echoes", "Ruin" "Set To Fail" soaram ainda mais perfeitas ao vivo, com os integrantes demonstrando domínio e técnica perfeita nos seus instrumentos. Chris Adler, mais uma vez, provou sua competência nas baquetas com levadas precisas, uma máquina rítmica incrível - com certeza veremos Chris mais vezes no Brasil, com o Megadeth. E o vocalista Randy Blythe colocou os pulmões pra fora, gritou com todas as forças, provando ser um grande frontman. Que venham mais vezes ao Brasil, com lugar no palco principal!

Ao terminar o apocalipse sonoro do Lamb Of God, começava o show da banda brasileira CPM22 no Palco Mundo. Sem chances de migrar para lá, a hora era de descansar rapidamente para outro grande show: era a vez dos Deftones, ausentes do Rio de Janeiro desde o Rock In Rio de 2001. Chino Moreno e seus asseclas desta vez apostaram em muitas canções de andamento mais lento, aquele climão que a voz de Chino proporciona, com alguns petardos sonoros para agitar, como é o caso de "My Own Summer (Shove It)". No final do show, a banda resolveu aumentar o ataque com duas grandes músicas no final: "Engine Nº 9", do primeiro disco, e "Head Up", do segundo disco (aquela que Max Cavalera cantou como convidado no álbum). Belo show, mas pelo escolha da banda em um repertório mais cadenciado, não empolgou tanto ao público.

Lamb Of God destruindo no Palco Sunset
Com o fim das atrações no Palco Sunset, aos poucos fui migrando para o Palco Mundo, para acompanhar as demais atrações. Não acompanhei muito o Hollywood Vampires, a banda cover de luxo que se apresentou com diversos clássicos do rock no repertório. Sinceramente, não entendi tanta empolgação por esta banda. Só porque tem um ator conhecido como Johnny Depp? Sim, a apresentação dos caras foi legal e coisa e tal, mas foi uma banda cover, só isso. Não consigo me empolgar com banda cover. Pelo que a gente vê pelos bares e lonas culturais da cidade, o público roqueiro dá cada vez mais valor a estas bandas cover, deixando as bandas com material original (chamam de autoral...) sem público. Lamentável.

E minha falta de tesão continuou na apresentação do Queens of Stone Age. Essa tem material original, respeito da crítica e de parte do público, mas eu não consigo me empolgar com o som deles. Sempre acho que está faltando alguma coisa, só não sei dizer o que é. Achei as músicas meio arrastadas, sem empolgar, a banda meio sem presença no palco, sei lá, não me empolgou nem um pouco.

Palco Mundo tomado pelo System of a Down
Com muita dificuldade, tentei me posicionar mais para perto do palco para a atração principal, o System of a Down. A banda já tinha feito um puta show em 2011, e a expectativa era gigantesca. Logo aos primeiros acordes de "I-E-A-I-A-I-O" o público foi a loucura, pulando, cantando cada verso, abrindo rodinhas pra todo lado, entrando em catarse mesmo, foi impressionante. Com exceção de algumas poucas canções desconhecidas do primeiro disco, cada canção tocada era recebida desta forma: cantada em coro, agitação intensa, insana. Um show épico do começo ao fim, disparado o melhor show do festival. E que ainda contou com a participação de Chino Moreno, dos Deftones, na penúltima música, "Toxicity". Agora é torcer que a banda entre em estúdio e volte pra valer à ativa. Tenho certeza que eles ainda tem muita lenha pra queimar.

Dia 25

Logo ao chegar no dia 25, me deparo com o heavy metal português do Moonspell, gótico e cheio de climões nos teclados mesclando com o peso tradicional do estilo, reforçado pelo vocalista Derrick Green, do Sepultura. E foram as duas covers da banda que agitaram pra valer o público: "Territory" e "Roots Bloody Roots". No mais, uma apresentação muito boa e bacana dos conterrâneos de meu falecido pai. Ao final, a maioria do público não arredou pé, ficou lá já se posicionando para o show do Nightwish. Não é minha praia esse lance de metal sinfônico, então preferi reservar um lugar mais próximo do Palco Mundo - esta foi a única noite que apresentou boas atrações além da principal, mostrando o desequilíbrio entre as atrações que frequentaram os dois palcos. E às 19h, o De La Tierra adentrou o palco com um show bastante honesto, direto e sem frescuras. Para quem não sabe, a banda latina traz o arroz de festa Andreas Kisser ao lado de dois argentinos - Andres Gimenez (A.N.I.M.A.L.) e Flavio (Los Fabulous Cadillacs) - e um mexicano, Alex Gonzáles, da banda Maná (aliás, toca muito bem!). Gimenez fez os melhores esforços para agradar a plateia, com um público latino americano unido em torno do heavy metal e até arriscaram uma cover de "Polícia", dos Titãs. Bom show, mas sinceramente caberiam melhor no Palco Sunset. Andreas está com influência forte este ano com os Medina...

Os portugueses do Moonspell no Palco Sunset
Enquanto isso, no Palco Sunset, Steve Vai tocava com uma mini orquestra. O cara tem um talento inegável, porém o show tinha tudo para não funcionar: orquestra em festival, receita para desastre. Mas, pelo que vi pelo telão (e depois, em casa) funcionou muito bem, e agradou bastante ao público. Que essa galera nova corra para escutar os discos do cara, não irão se arrepender. No Palco Mundo, a expectativa agora era com o show vindouro do Mastodon, uma das grandes bandas da New Wave Of American Heavy Metal. E os caras entraram cuspindo marimbondo, muito peso e técnica em grandes composições. Só que o som se apresentou um pouco abafado e o público demonstrou pouco conhecimento do repertório dos caras. Se tecnicamente os caras são perfeitos, em termos de carisma precisam melhorar. Uma apresentação muito boa que poderia empolgar mais em outras condições. Mas valeu a pena ver mais uma banda da nova safra tocando em nossas terrras!

Era hora de uma banda de veteranos reincidentes no festival tentar a sorte. Eu, particularmente, não via os caras desde o show no Monsters of Rock de 1995, lá se vão vinte anos! E resolveram entrar todos de branco, em um palco tomado por flores (uma autêntica sessão de umbanda!), numa clara provocação ao público que adora se vestir de preto. Logo na segunda canção, o clássico "From Out Of Nowhere" me empolgou; na terceira, Mike Patton erra a distância e se espatifa no chão (de onde eu estava, só percebi que ele se jogou, não deu pra ver que deu ruim pra ele); na quinta canção, o hino "Epic" me emocionou pra valer - fiquei com os olhos cheios d'água. Todas as lembranças do segundo Rock In Rio, aquele show memorável no Maracanãzinho em 1991, me vieram a tona. Uma apresentação especial esta da banda: Patton ainda canta muito bem, ainda zoa pra valer, um autêntico e verdadeiro frontman; Billy Gould fica lá, no canto dele, arrebentando no baixo; e Mike Bordin descendo a bordoada em seu kit como nunca (não sei como ninguém veio falar do jeito estranho dele de regulá-lo). Sim, eu senti falta de Jim Martin, mas Jon Hudson se saiu muito bem, obrigado. Grande performance da banda, que acabou sendo meio que ignorada pelo público, que estava lá pelos mascarados de Iowa...

E assim, pontualmente, às 00:15, toma conta do sistema de som do festival um clássico do Van Halen: "Runnin' With The Devil". Que a molecada que curte Slipknot procure saber de quem é e descubra esta banda clássica. Nem chegou ao fim e "XIX" pré-gravada começou a deixar a plateia ensandecida pra valer. Insanidade total que chega ao ápice nos primeiros acordes de "Sarcastrophe", a primeira que a banda manda ao vivo. A banda trouxe alguns efeitos especiais para o show, como labaredas ali no fundo, aquela cabeça com olhos que acendiam e rampas para os loucos percorrerem o palco. O show segue intenso com "The Heretic Anthem", "Psychosocial" e "The Devil In I", também recebidas insanamente pela plateia. O som parece não ajudar muito, achei baixo e sem a devida potência para uma banda como o Slipknot. A banda também faz pausas muito longas entre as músicas, quebrando um pouco o ritmo da apresentação. "Vermillion" e "Wait And Bleed" são cantadas a plenos pulmões pelo público, e "Before I Forget" retorna com a insanidade total. "Duality" empolga muito e chega a hora de "Spit It Out" enlouquecer de vez o Rock In Rio. Sem pedir, a plateia toda se abaixa esperando a deixa para repetir o "jump the fuck up" já manjado em shows da banda. Momento único do show, mas que funcionou melhor em 2011. Aliás, na apresentação de 2011 tudo funcionou um pouco melhor. Talvez por a banda estar colocando naquele show sua continuidade em jogo; talvez por não estar esgotada por uma turnê de quase um ano. Enfim, esta apresentação continua com "Custer" encerrando, mais insanidade e todos cantando o refrão. O bis com os clássicos "(SIC)" e "Surfacing" (com "People = Shit" entre elas) agradou e coroou uma bela apresentação da banda, que deve dar um descanso agora, esperamos não tão longo quanto os últimos.

Alguns vídeos:
Lamb Of God, "Still Echoes":


System of a Down, "Toxicity", com Chino Moreno:

Faith No More, "Epic":


Agora que acabou o Rock In Rio (para nós roqueiros, acabou), posso listar os melhores shows do festival (em minha opinião, claro):
1 - System of a Down (disparado, degraus acima dos demais);
2 - Korn (uma plateia ensandecida e uma banda inspirada);
3 - Lamb of God (um rolo compressor que passou pelo Palco Sunset no dia 24, o melhor dia do festival);
4 - Faith No More (me emocionou bastante, relembrei o ano de 1991 e aquele grande show no Maracanãzinho);
5 - Slipknot (o show de 2011 foi melhor, mas este ainda foi um belo show).

Agora, ficamos no aguardo por grandes atrações para a próxima edição do Rock In Rio, em 2017. E por favor, sem repetir tanto as atrações!!

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