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domingo, 20 de setembro de 2015

Rock In Rio 2015 - As duas primeiras noites

E começou mais uma edição do festival Rock In Rio. Neste ano de 2015, as duas primeiras noites tiveram diversos problemas, mas tivemos belos shows também, e muita gente passou pela Cidade do Rock, passando muitos maus bocados com transporte, filas e confusões, mas terão maravilhosas memórias para compartilhar!

O idealizador do festival, Roberto Medina, falou recentemente em uma entrevista que criou o festival pensando na família. E este sentimento nunca esteve tão forte: o que mais vi foram pais levando seus filhos, sejam eles adolescentes ou ainda crianças, com seus seis, sete anos. Com todo o sentimento de segurança e tranquilidade que as últimas edições do festival passou, muitos estão com confiança de que podem levar seus filhos, não importa a idade. E esse é um grande ponto positivo do festival, eu mesmo já considero levar minha filha na próxima edição. Outro ponto alto é a renovação de público - nessas primeiras noites, a plateia era majoritariamente abaixo de 25 anos, o que indica que o festival deve seguir agradando a atraindo público nas próximas edições.

Entretanto, nem tudo são flores. Os problemas aconteceram e geraram muita dor de cabeça no público que prestigiou essas primeiras noites do evento. Vou tentar listar alguns aqui que percebi:
  • O meio de transporte: esse ano, a Rio Ônibus aumentou o preço do transporte primeira classe para exorbitantes R$ 70,00, e mesmo assim a procura foi imensa. Indica o reconhecimento de que este tipo de transporte público deu muito certo nas edições anteriores. Mas as outras opções sofreram uma piora considerável. Apostando politicamente no BRT, a Prefeitura acabou criando um problema de super lotação nos ônibus que fizeram esse serviço (problema que acontece diariamente para quem usa o serviço). E houve relatos de demora de mais de duas horas para embarcar no tal ônibus. Com a Barra da Tijuca revirada por obras para os Jogos Olímpicos do ano que vem, o trânsito também sofreu piora considerável.
  • As filas: houve a tentativa de resolver parte dos problemas de filas nos brinquedos dentro da Cidade do Rock com tecnologia - um aplicativo que utilizava bluetooth para agendar a ida à atração. Acabou privilegiando quem chegou cedo. A maioria das pessoas relatou que todas as atrações tinham agendamento encerrado já por volta das 15h. Na parte da alimentação, o problema continuou: comida cara, geralmente ruim, e com muita demora. Nessa parte, o público acaba levando um pouco da culpa, já que correm para se alimentar geralmente no final de um show, e quando muitos procuram um serviço, é inevitável a demora. Já a qualidade dos produtos, coisa do nosso Rio de Janeiro: comida cara e mau atendimento é uma de nossas marcas registradas...
  • Palco Sunset super lotado: nesta edição o problema se acentuou ainda mais. Colocar bandas muito cotadas e queridas no palco secundário e bandas desconhecidas no palco principal tem acontecido desde 2011, mas este ano está demais. Assistir a uma destas apresentações no reduzido espaço do Palco Sunset se torna uma experiência extremamente desagradável. A produção do festival precisa equilibrar melhor a distribuição das atrações ou aumentar o tamanho deste palco. Essa super lotação pode gerar algum problema mais sério qualquer hora dessas...
  • Último show acabando muito tarde: o Queen entrou no palco às 0:30h; o Metallica, às 0:45h. Com apresentações durando, em média, duas horas, os shows estão acabando quase três da manhã! Ninguém aguenta tamanha maratona! Ou os shows no Palco Mundo começam mais cedo, ou se reduz a quantidade de atrações. O ideal seria a última atração começar por volta de 22:30, como aconteceu no último festival Monsters of Rock. O que acontece é que: ou as pessoas ficam deitadas pelo chão, atrapalhando o fluxo do público, ou vão embora mais cedo. Não vejo a menor necessidade dos shows terminarem tão tarde.
Então o festival é uma porcaria e devo evitá-lo a qualquer custo? Nada disso. Tivemos muitos acertos também.  Já citei alguns acima. E cito outros. A abertura dos shows no Palco Mundo, por exemplo, com uma bela queima de fogos ao som de trechos de "Bohemian Rhapsody" é bacana demais; o Palco Sunset e seus shows descontraídos; a variedade de lojas de alimentação; os brinquedos (quando se consegue agendar); e, claro, o público, animado e espirituoso (as vezes passam dos limites, mas faz parte...). É um perrengue que todos acabam fazendo questão de passar!

O Primeiro dia do festival

Ao chegar no primeiro dia do festival, fiz questão de ir direto ao Palco Sunset, para curtir a apresentação do Ira!. Fazia tempo que não via eles, e a banda começou mandando logo de cara seu clássico "Dias de Luta". Com apenas uma hora de show, incluindo a participação dos convidados inusitados Rapin' Hood e Tony Tornado, a banda fez um set curto, fechando sua parte com "Envelheço na Cidade". O primeiro convidado, o rapper, não encaixou muito bem; talvez pelo fato de eu não gostar de rap, mas achei que quebrou o clima. Quando Tony Tornado entrou, com seu enorme paletó amarelo, foi ovacionado pela plateia, e arrebentou com a cover de "Dia de Santo Reis", famosa na voz de Tim Maia, levantando e empolgando o público. Fiquei achando que eles levariam "Vitrine Viva" com os convidados, mas não rolou. Apresentação mediana, no cômputo geral. 

Edgard Scandurra e Nasi do Ira! se apresentando no Palco Sunset
O show de abertura no Palco Mundo, uma homenagem aos trinta anos de Rock In Rio, começou animado, com Frejat e Ney Matogrosso mandando ver em clássicos do Barão Vermelho. A seguir, Samuel Rosa do Skank manteve a plateia animada com seu sucesso "Vou Deixar" e com algumas covers ao lado de Erasmo Carlos (Erasmo está velhinho, parecia paralisado lá, somente cantando...). A participação de Ivan Lins foi um pouco constrangedora, principalmente pelos problemas no som do palco principal. A Blitz entrou reforçada de Andreas Kisser (Sepultura) para tocar seus maiores sucessos, mas não achei que funcionou tão bem. Os Paralamas do Sucesso reacenderam pra valer a plateia com "Óculos", mas acabaram botando tudo a perder com a chata da Ivete Sangalo, que teve uma música só sua também. Andreas voltou ao palco com Dinho, do Capital Inicial, e uma cover inusitada de "Ratamahatta" acabou deixando o público sem entender nada. Os Titãs encerraram com seus clássicos "Polícia" e "Bichos Escrotos", mas o público não era o deles, e acho que já estava disperso a esta altura. No fim, todos cantaram a música tema do festival. Muito irregular, com diversos problemas no som e com muitas interrupções, este show de abertura acabou não funcionando muito bem.

Houve quem tenha gostado das duas bandas parcialmente desconhecidas que tocaram no Palco Mundo. Não foi meu caso. Era hora de se alimentar e descansar pra aguentar a grande apresentação da noite, Queen + Adam Lambert. E eles só foram entrar às 0:30h, com meia hora de atraso. Eu já falei em posts anteriores que considero um erro a escolha deste vocalista pelos dois remanescentes da banda, Brian May e Roger Taylor. Ao vivo, até que o vocalista não decepcionou tanto. Claro que ele abusa dos trejeitos em diversos momentos, e em outros se encolhe e apenas usa sua técnica para não fazer feio. Acho que esse é o melhor resumo da apresentação: Adam é um vocalista tecnicamente muito bom, mas sem presença de palco para uma banda de rock, e que acaba exagerando no momento errado. O começo da apresentação, calcado nas canções mais antigas, deixou a plateia meio atônita, meio paradona, sem entender nada. Era um público rejuvenescido, não roqueiro, que não conhecia o repertório da banda nos anos 70. O público só foi reagir com o sucesso "I Want To Break Free". Veio a hora que todo mundo esperava, cantar em uníssono "Love Of My Life", a canção que o Brasil adora e que se transformou, trinta anos atrás. Antes, Brian fez selfie com a plateia. Sim, todo mundo cantou junto, mas não senti aquela emoção quando o mesmo aconteceu no show na HSBC Arena, com Paul Rodgers nos vocais. Aliás, essa observação vale para o show todo: aquela emoção, aquela mágica que pareceu envolver o show anterior da banda no Rio, não se fez presente. Depois de um solo de bateria entre Roger e seu filho, veio o melhor momento para Adam: "Save Me" e "Who Wants To Live Forever", grandes performances dele. Dali pra frente, a banda foi no automático até o fim, desfilando seus principais sucessos e homenageando Freddie em "Bohemian Rhapsody". Não posso deixar de mencionar as ausências de duas de minhas canções preferidas: a linda acústica "'39" e o clássico "Tie Your Mother Down", ambas presentes no show de São Paulo, dois dias antes. Ausência gigante e muito sentida por mim.

O Segundo dia do festival

Na primeira noite de atrações voltadas ao heavy metal e derivados, o mar de camisas pretas tomou conta da Cidade do Rock. No Palco Sunset, não cheguei a tempo para a primeira atração, Noturnall com o ex-vocalista do Helloween, Michael Kiske. Pelo que me falaram, foi uma boa apresentação. Aquilo que eu falei acima, sobre a super lotação do palco secundário, começou a acontecer com o show do Angra, que recebeu dois convidados: a cantora Doro Pesch e o vocalista Dee Snider, do Twisted Sister (meio inusitado, mas funcionou). Todo mundo queria ver a despedida (temporária, pelo que falaram) de Kiko Loureiro do Angra, já que agora ele vai se dedicar ao Megadeth. Não é minha praia, mas deu pra ver que foi uma boa apresentação, apesar de eu não gostar muito desse vocalista "novo" deles.

No cair da tarde, começo da noite, Al Jourgensen finalmente trouxe o Ministry ao Rio de Janeiro. Um dos maiores nomes do industrial, a banda já não tem a força que tinha no começo dos anos 90, e vai sobrevivendo aos trancos e barrancos. Ainda assim, fizeram um show extremamente pesado e interessante, sem levantar muito o público. O convidado especial, Burton Bell, vocalista do Fear Factory, entrou no final para cantar os clássicos com a banda: "N.W.O.", "Just One Fix", "Thieves" e "So What". Sinceramente, eu esperava mais e senti falta da faixa-título do álbum "Psalm 69".

Enquanto o Ministry terminava sua apresentação, a queima de fogos começava, indicando que a primeira apresentação do Palco Mundo estava para começar. Era o Gojira, uma banda francesa que trouxe um som bastante pesado e influenciado pelas bandas da nova geração do metal norte-americano, como o Pantera. Interessante, mas o público não conhecia e já começava a se preparar para assistir ao show do Korn. Sete anos depois de abrirem para Ozzy Osbourne, e com o guitarrista Brian Welch (Head para os fãs do grupo) reincorporado ao grupo, a super lotação do Palco Sunset chegou ao ápice e, pontualmente, às 20h, os primeiros acordes do clássico "Blind" já podiam ser ouvidos, deixando a plateia completamente ensandecida. A banda resolveu apostar num começo calcado no primeiro álbum, mais pesado, e deu muito certo. Depois, passearam por alguns sucessos mais recentes e retornaram ao primeiro disco com "Shoots And Ladders", com direito a Jonathan Davis tocando gaita de fole. Pra encerrar o show com a adrenalina lá em cima, "Falling Away From Me" e "Freak On A Leash" fizeram todos gastarem suas energias até o fim. Puta show, super requisitado, que precisava ter acontecido no Palco Mundo.

O Palco Mundo todo iluminado durante o show do Metallica
Depois de assistir a um show como esses do Korn, eu não tinha forças físicas para me dirigir ao palco principal. Vi muitos elogios à apresentação do Royal Blood, mas me pareceu que a maior parte do público preferiu se alimentar e descansar da performance acachapante anterior. Ainda teve o Motley Crue, mas eu sinceramente não curto, e não vi nada. O jeito foi esperar um longo tempo até que o palco estivesse preparado para a entrada do Metallica, o que aconteceu somente às 0:45h, quase uma hora de atraso. Vi muita gente reclamando da apresentação, mas a maioria criticando de seus sofás... Ali, ao vivo, na Cidade do Rock, quem estava presente sentiu a pressão e o impacto que a banda colocou no começo do show, com uma bela sequência com "Fuel", "For Whom The Bell Tolls" e "Battery" no talo, som alto, guitarras ensurdecedoras, um começo bem empolgante. "King Nothing" deu uma quebradinha, mas "Ride The Lightning" recolocou a locomotiva nos trilhos a todo vapor, até que um apagão no sistema de som aconteceu. Os roqueiros de sofá rapidamente postaram um possível playback, já que a banda continuou a tocar como se nada tivesse acontecido. Ora, o retorno da banda continuou funcionando perfeitamente, simples assim... Mais uma falha e a banda resolveu parar por um tempinho. Uns cinco minutos depois, eles retornam com "The Unforgiven", muito legal, e "Cyanide", nem tanto. A apresentação se recuperou com a sequência "Wherever I May Roam", "Sad But True", uma boa versão para "Turn The Page" (cover de Bob Seger) e "The Frayed Ends Of Sanity", recebida friamente pela plateia (e aí se percebe a diferença entre público de festival e o público cativo da banda - em 2010, no Morumbi, só a introdução desta canção já empolgou a plateia). O show entrou em sua parte derradeira, com os clássicos mais marcantes, sempre presentes: "One" e suas explosões introdutórias, a maravilhosa "Master Of Puppets", a balada "Fade To Black" e fechando com "Seek And Destroy" (que fechou o bis das apresentações anteriores). No bis, a grande cover de Thin Lizzy, "Whiskey In The Jar", a baladinha manjada "Nothing Else Matters" e o final com "Enter Sandman". Mais uma apresentação do Metallica no Brasil, a terceira seguida no Rock In Rio, a quinta vez seguida da banda por aqui. Isso tudo sem nem um disco de estúdio novo. Natural que as apresentações acabem se tornando repetitivas e que o público perca o tesão. Mas é de se elogiar que uma banda ainda consiga gerar interesse sem nada novo lançado. Entretanto, espero que seja a última apresentação sem disco novo: nem o fã mais xiita aguenta o mesmo show pela sexta vez...

Alguns vídeos:
Ministry tocando "Thieves" com Burton Bell:


Abertura do show do Korn, com "Blind":


Então foi isso: pela terceira vez seguida, o blog está na cobertura do Rock In Rio. Quinta e sexta-feira tem muito mais!! Um abraço rock and roll e até lá!!

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