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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Iron Maiden - The Book Of Souls

Cinco anos depois de "The Final Frontier", o Iron Maiden está de volta com seu primeiro álbum duplo de estúdio: "The Book Of Souls" foi lançado no começo de setembro e recebeu muitos elogios da crítica especializada, além de ter alcançado a primeira posição na parada britânica e a quarta posição na parada norte-americana, repetindo o melhor desempenho do disco anterior.

Depois de uma longa turnê, entitulada "Maiden England World Tour" (ocupou os meses de verão do hemisfério norte em 2012, 2013 e 2014, tendo passado pelo Brasil, Rock In Rio incluído), que reviveu a turnê "Seventh Tour Of A Seventh Tour", de 1988, a banda tirou um mês de descanso e retornou a um estúdio em Paris (Guillaume Tell Studios, o mesmo utilizado para gravar o álbum "Brave New World", segundo a Wikipedia) com o produtor Kevin Shirley para finalmente gravar o sucessor do álbum "The Final Frontier". Logo no começo deste ano, tudo estava pronto para ser lançado, gravado e mixado, mas o projeto foi colocado em espera. Em fevereiro, a banda divulgou uma nota em seu web site revelando um câncer na língua de Bruce Dickinson. Apesar da notícia salientar a descoberta da doença em seu estágio inicial, todos os fãs ficaram muito preocupados. Felizmente, em maio foi divulgada a boa notícia da cura do câncer de Bruce, e a banda pode se concentrar na divulgação do novo álbum, o primeiro disco duplo de estúdio na história da banda.

Encarte central do álbum
Com pouco mais de uma hora e meia de música, "The Book Of Souls" é um projeto ambicioso, como todo álbum duplo (especialmente de estúdio) costuma ser. Poucos discos duplos na história do rock conseguiram alcançar a excelência de qualidade e se destacarem na discografia de uma banda ou artista. Cito alguns: "Physical Graffiti", do Led Zeppelin; "Exile On Main St.", dos Rolling Stones; "Tales From The Topographic Oceans", do Yes; "The Lamb Lies Down On Broadway", do Genesis. Todos da época de ouro do rock, os anos 70. De onde o Iron Maiden tira suas principais influências. Talvez este novo álbum da banda não se destaque tanto na discografia da banda quanto os que eu citei se destacaram, mas ele traz todo um clima épico, uma grandiosidade típica das grandes bandas de rock, as que marcaram profundamente a história do rock. E uma ousadia que deve ser louvada. Ainda mais vinda de uma banda já consagrada, em uma época de vacas magras de vendas de discos. 
Musicalmente, as longas músicas continuam a predominar (como nos últimos discos), reforçando o gosto da banda pelo rock progressivo, além de manter as velhas influências. Outra mostra de influência do progressivo é o álbum seguir (levemente) um conceito: o de almas, com referências à civilização maia na capa e na arte interior do encarte (a banda chegou a contratar um especialista para validar a arte do encarte e da capa). Kevin Shirley faz um bom trabalho na produção ao lado do chefão Steve Harris. Harris, aliás, não domina completamente as composições, como em discos anteriores; Bruce Dickinson compôs sozinho duas canções (de abertura e fim) e entra como parceiro em mais duas; Adrian Smith se faz presente em cinco composições; Janick Gers aparece em duas composições, e Dave Murray em uma. 

A revista Metal Hammer fez uma bela capa inspirada na arte do novo álbum da donzela
O álbum traz algumas das melhores composições do Iron Maiden em anos. É o caso da abertura com "If Eternity Should Fail", com um riff melódico e grudento conduzindo o refrão, mais uma ponte instrumental que conduz até o final de forma belíssima, e ainda tem aquele clima com o final sussurrado com dizeres assustadores. Logo a seguir, "Speed Of Light" vem mais curta, mais rápida e mais direta, e se traduz um pouco na volta daquela sonoridade dos discos clássicos do Iron Maiden, uma composição de Bruce e Adrian (meu guitarrista preferido da banda) que teve seu lançamento com um vídeo clipe prestando tributo a antigos vídeo games. "The Red And The Black" (recentemente, rolou um papo de plágio de uma canção do Uriah Heep nesta música, mas achei apenas o riff parecido), a segunda mais longa canção do álbum, com levada empolgante no início, riff acompanhando a melodia te cativando ainda mais, e uma segunda e longa parte instrumental, com vários solos e quebradas que tornam a canção épica e deliciosa. O primeiro disco traz também um pouco de mais do mesmo, continuações do estilo dos últimos discos, com "The Great Unknown", canção de andamento mais moderado, mais arrastado, que não consegue empolgar. "When The River Runs Deep", mais curta, acelera o andamento mas também não empolga muito. A faixa-título vem para encerrar o primeiro disco e retorna ao andamento moderado, e pode não empolgar muito na primeira metade, mas ela tem um quê épico que acaba te ganhando ao final de seus dez minutos de duração, principalmente com a acelerada na segunda metade e os belos solos que o trio de guitarristas nos proporciona.

"Death Or Glory" abre o segundo disco e é mais uma composição da dupla Smith/Dickinson que tenta repetir a fórmula de canção mais curta / mais acelerada, sem o mesmo êxito alcançado em "Speed Of Light" (uma boa canção, entretanto). Em "Shadows Of The Valley" temos um auto plágio na introdução, chupada de "Wasted Years" (e curiosamente não é uma composição de Adrian Smith...), mas a canção em si não é um plágio e agrada. "Tears Of A Clown" é uma canção um pouco atípica, falando sobre o ator Robin Williams (atuou em "Sociedade dos Poetas Mortos", "Bom dia Vietnã" e "Gênio Indomável", dentre outros grandes filmes) e sua tristeza que acabou causando seu suicídio. "The Man Of Sorrows" é uma baladinha com boa introdução na guitarra e melodia cativante. Para finalizar este projeto ambicioso, a canção mais longa e mais ambiciosa de todas, uma composição sensacional de Bruce Dickinson, diferente de tudo o que a banda já fez antes. E é o próprio vocalista que mostra mais um de seus talentos: ele é quem toca o piano da canção. Uma jornada de dezoito minutos toda orquestrada e que talvez seja a melhor canção que o Maiden tenha lançado desde as épicas canções presentes em "Brave New World". Talvez até mais, a mais épica desde "Alexander The Great", do álbum "Somewhere In Time". Um grand finale que te faz querer voltar para escutar o álbum novamente.

O álbum traz um Iron Maiden ambicioso, se arriscando em um disco duplo de estúdio, com muitas composições fortes e inspiradas como há muito não víamos. Também mescla composições que mostram uma continuação dos últimos trabalhos, e se aprofunda na influência do rock progressivo. O ouvinte deve estar preparado para encontrar surpresas, mas para encontrar também a sonoridade típica do Maiden dos anos 2000. Não é o disco brilhante e maravilhoso que muitos estão anunciando, mas mostra uma banda com muita lenha para queimar, longe de entregar os pontos. Um disco bem acima da média, com certeza!

Relação das músicas:
Disco 1:
1 - "If Eternity Should Fail"
2 - "Speed Of Light"
3 - "The Great Unknown"
4 - "The Red And The Black"
5 - "When The River Runs Deep"
6 - "The Book Of Souls"
Disco 2:
1 - "Death Or Glory"
2 - "Shadows Of The Valley"
3 - "Tears Of A Clown"
4 - "The Man Of Sorrows"
5 - "Empire Of The Clouds"

Vídeo clipe de "Speed Of Light":


Até a próxima resenha, um abraço rock and roll!!

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