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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

1985 - O Boom do Rock Nacional

Depois de dissecar os lançamentos internacionais de 1985 (veja aqui), é hora de acompanhar o primeiro ano onde tivemos uma grande quantidade de lançamentos no rock nacional. Era o rock brazuca ressurgindo com tudo e fazendo muito sucesso. Alguns lançamentos aqui já são segundo ou terceiro do artista, outros serão de artista já em carreira solo. Não importa, é o ano do boom do rock nacional!

Após a anistia ampla, geral e irrestrita ocorrida em 1979, nosso país entrou em um caminho sem volta rumo à democracia, com a criação de partidos políticos, marcação de eleições para governador, senador e deputado federal e estadual. Começou uma grande campanha pela eleição direta para Presidente da República, e finalmente neste ano de 1985, o primeiro presidente civil em mais de vinte anos conseguiu ser empossado e iniciou seu mandato. Girando em torno de todos esses acontecimentos políticos surgiu um novo movimento musical bem amplo, onde jovens de diversos lugares do país começaram a formar bandas, tocar ao vivo, gravar demos, tentando se infiltrar na indústria fonográfica brasileira, restrita até então aos medalhões da MPB e a diversos nomes com força regional como forró, samba e outros estilos. Até os grandes nomes do rock brasileiro de décadas passadas acabaram alijados (caso, por exemplo, do grande Raul Seixas que sofreu muito nos anos 80 para ter um disco seu lançado com a devida promoção pela gravadora) ou condicionados a um formato mais pop (caso, por exemplo, de Rita Lee, que passou a fazer sucesso em trilhas sonoras de novelas globais).

Os movimentos começaram a surgir em diversas regiões do país. Em Brasília, surgiu um movimento punk liderado por filhos de embaixadores, diplomatas e servidores públicos do alto escalão; deste movimento, surgiram três bandas cruciais: o Aborto Elétrico, que encerraria suas atividades e acabaria gerando a Legião Urbana e o Capital Inicial; e a Plebe Rude. Em São Paulo, um movimento punk também surgiu, só que originado nas classes mais baixas da população, com muitos operários. Era um movimento mais sujo e estridente que nos presenteou com Ratos de Porão, Olho Seco, Cólera e Inocentes, só pra citar alguns nomes. Deste movimento punk paulista, surgiria também o Ira!, que mudaria sua estética musical quando do lançamento do primeiro disco. Ainda em São Paulo, Ultraje a Rigor e Titãs seriam outros grandes nomes que marcariam a década de 80. No Rio de Janeiro, o rock flertava com o pop um pouco mais intensamente, com grupos como Gang 90, Blitz, Kid Abelha, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, Lulu Santos, Lobão, Barão Vermelho e RPM. E um dos nomes de maior sucesso de toda a cena, os Paralamas do Sucesso, que começaram em Brasília e migraram para a terra fluminense. Todos esses nomes se beneficiaram de novas casas de show que se abriram e receberam de braços abertos todas essas bandas: Aeroanta, em São Paulo; Noites Cariocas e Circo Voador, no Rio de Janeiro. Estava formado o cenário para que o rock brasil estourasse nas paradas de sucesso. Começou em 1982, com o estouro da Blitz, e continuou em 1983 e 1984 com os Paralamas, o Kid Abelha, Lulu Santos e outros nomes. Mas em 1985, a coisa toda estourou em proporções atmosféricas e o rock nacional tomou conta totalmente das paradas.

Vamos então percorrer os principais lançamentos deste ano de boom de sucesso do rock nacional!


Legião Urbana - "Legião Urbana" - após o fim do Aborto Elétrico, Renato Russo entrou em uma fase "Trovador Solitário", se apresentando com um violão em bares de Brasília. Superou essa fase e resolveu montar uma nova banda com Marcelo Bonfá, baterista. A lendária primeira apresentação em Patos de Minas, ao lado da Plebe Rude, ainda não contava com Dado Villa-Lobos, que entraria logo depois. O baixista Renato Rocha seria o último a compor a formação mais clássica da banda, que veio para o Rio de Janeiro tentar a sorte. Tocaram no Circo Voador, gravaram uma demo e acabaram assinando contrato com a gravadora EMI. Este primeiro álbum foi o começo de um sucesso estrondoso e fenomenal que não aconteceu do dia para a noite. Outros lançamentos deste ano alcançaram mais sucesso - RPM e Ultraje a Rigor principalmente. Entretanto, a longo prazo, a Legião Urbana ultrapassou o sucesso e acabou virando quase uma religião entre seus fãs. Musicalmente, este disco apresenta problemas de gravação, e uma banda ainda imatura, com a sonoridade ainda flertando com o punk da banda anterior de Renato, tentando alçar maiores voos. A força do disco estava nas letras de Renato Russo, com críticas ao período da ditadura, militarismo, temas envolvendo a juventude e até alguns temas românticos refinados. Diversos clássicos da banda viram a luz do dia neste álbum: "Será", "Ainda É Cedo", "Geração Coca-Cola", "Soldados". E o encerramento com "Por Enquanto", que passou batido inicialmente das rádios FM, ganhando força quando Cássia Eller, quase uma década depois, a regravou. A Legião Urbana faria muito mais sucesso nos anos seguintes, e se tornaria a maior banda de rock do Brasil, até que a batalha de Renato Russo contra a AIDS foi perdida, com a morte do vocalista em 1996. Atualmente, o filho de Renato tem travado batalhas jurídicas com os ex-integrantes Bonfá e Villa-Lobos, pelo controle e posse dos direitos sobre o nome da banda. Que alguém ilumine a mente desse menino e faça-o respeitar o trabalho que o pai fez enquanto estava vivo!

Ira! - "Mudança de Comportamento" - iniciada por Edgard Scandurra e Nasi, ainda como uma banda punk, o Ira! no começo de sua existência nem tinha esta exclamação no nome (inspiração na sigla do exército revolucionário irlandês). Após gravar um compacto com as canções "Gritos Na Multidão" e "Pobre Paulista", a banda começou sua transformação musical, abandonando o começo punk e migrando para uma sonoridade mod fortemente influenciada pelo The Who e o The Jam. As letras eram voltadas a problemas típicos dos jovens, como o alistamento militar obrigatório criticado em "Núcleo Base", relacionamentos frustrados e sentimentos reprimidos como em "Tolices" e "Coração", tudo isso com uma base musical impressionante que já indicava todo o talento de Scandurra, talvez o mais talentoso de sua geração. Uma estreia de respeito que agradou ao público, com a canção "Núcleo Base" se tornando um grande hit das rádios na época. Era apenas o começo de uma longa carreira de sucessos e discos altamente elogiados. Atualmente, a banda está em uma turnê de reunião, após um hiato de sete anos. Somente Nasi e Scandurra estão presentes nesta reunião; o baterista André Jung e o baixista Ricardo Gaspa não estão participando. A turnê está sendo um grande sucesso, dando força para que a banda continue e lance um disco inédito de estúdio.

Metrô - "Olhar" - o Metrô foi uma banda de new wave que fez muito sucesso especificamente nesta época, entre 1984 e 1985. Era formada por franceses ou filhos de franceses radicados no Brasil (fonte: Wikipedia), com destaque para a vocalista Virginie Boutaud, musa dos adolescentes da época. No ano anterior, lançaram um compacto com a canção "Beat Acelerado", que vendeu muito e estourou nas rádios FM de todo o país. Com o sucesso, conquistaram a chance de gravar um álbum inteiro, que saiu neste ano do boom. O álbum trouxe, além do sucesso do ano anterior, outros dois grandes sucessos das rádios: "Johnny Love" (que acabou na trilha sonora do filme "Rock Estrela") e "Tudo Pode Mudar". Trouxe também a canção "Ti Ti Ti", que acabou sendo tema de uma novela da Rede Globo. Apesar de todo esse sucesso nas rádios, o disco não vendeu bem (vai entender...), causou atritos dentro da banda e com a gravadora, o que acabou causando a saída da vocalista Virginie. A banda chegou a gravar um segundo álbum, que fez ainda menos sucesso e que acabou causando o fim da banda. Em 2002, se reuniram novamente e gravaram um álbum de forma independente, encerrando as atividades novamente. Atualmente, cada membro segue sua vida, alguns até morando no exterior.

Kid Abelha e Os Abóboras Selvagens - "Educação Sentimental" - este segundo álbum do Kid Abelha (que na época se chamavam Kid Abelha E Os Abóboras Selvagens) seria o último a contar com Leoni, o maior compositor da banda na época. Leoni tinha terminado seu relacionamento com a vocalista Paula Toller, que começou um relacionamento com Herbert Vianna. Léo Jaime, que participa deste álbum, convidou Paula e os demais membros da banda para cantar uma música em seu show, esqueceu de chamar Leoni, que foi tirar satisfações com Paula, Herbert não gostou... Antes dessa briga toda, a banda gravou este álbum, um passo musical a frente do primeiro disco, mais maturidade e que também alcançou grande sucesso com seus diversos hits: "Lágrimas E Chuva", "Educação Sentimental" (as duas canções, I e II, fizeram sucesso), "Garotos", "A Fórmula do Amor" (este, em parceria com Léo Jaime, foi a música que Léo quis que a banda tocasse com ele e que acabou causando toda a celeuma citada anteriormente). Com a saída de Leoni, força motriz das composições, imaginou-se que o Kid Abelha estava acabado. A banda se superou, George Israel assumiu papel protagonista nas composições ao lado de Paula Toller e a banda seguiu fazendo sucesso, sofrendo nas décadas seguintes com a perda de interesse do público brasileiro com o rock nacional. A banda continua na ativa, alternando entre turnês e trabalhos com os projetos paralelos de cada um dos integrantes. Da formação original, restaram somente Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato. Leoni montou uma nova banda ao sair do grupo, os Heróis da Resistência, que alcançaram bastante sucesso com o hit "Só Pro Meu Prazer". Atualmente, ele segue em uma carreira solo de moderado sucesso, como quase todos de sua geração.

RPM - "Revoluções Por Minuto" - já passamos por diversas bandas que estouraram neste ano de 1985, vendendo cifras em torno de duzentas mil cópias de seus discos. Porém, este álbum de estreia do RPM ultrapassou a casa das trezentas mil cópias vendidas, iniciando com o sucesso da canção "Olhar 43", e depois estourando quase todas as outras canções do disco, como "Rádio Pirata", "A Cruz E A Espada", "Louras Geladas" e a faixa-título. Com uma sonoridade pop rock combinando melodias grudentas, os teclados sintetizantes de Luiz Schiavon, o complemento da guitarra clean de Fernando Deluqui, e o vocalista e baixista Paulo Ricardo, que com o sucesso repentino foi alçado ao status de sex symbol do rock nacional. A banda entrou em uma turnê extremamente bem sucedida para promover este primeiro álbum, com ares de beatlemania, tamanho o fanatismo das fãs do grupo. Um álbum ao vivo foi lançado no ano seguinte e conseguiu superar todos as expectativas, vendendo mais até que Roberto Carlos. Só que a banda não conseguiu mais repetir o sucesso e acabou se separando. Luiz Schiavon chegou a tocar durante um tempo no programa do Faustão, e Paulo Ricardo tentou uma carreira solo, sem muito êxito. A banda retornou à ativa no final da década passada, e chegou a gravar um novo disco de estúdio, e tem excursionado bastante. O sucesso é relativo, contando com a nostalgia de seu público antigo, sem atingir muito o público atual mais jovem. É uma característica da grande maioria das bandas dos anos 80, que vivem mais da nostalgia de seu público, sem renovação de sua audiência.

Ultraje a Rigor - "Nós Vamos Invadir Sua Praia" - considero praticamente impossível você ter vivido os anos 80 no Brasil e não conhecer pelo menos meia dúzia das canções deste álbum de estreia do Ultraje a Rigor. A banda já tinha gravado alguns compactos antes, e sofreu a perda do guitarrista Edgard Scandurra (ver o disco do Ira! mais acima; Scandurra dividia seu tempo entre três bandas; além de Ira! e Ultraje, ainda tinha as Mercenárias) antes de gravar este seu primeiro disco, que foi o primeiro de rock a ganhar disco de ouro, segundo a Wikipedia. Quase todo o álbum tocou nas rádios da época; o estilo despojado, alegre e ao mesmo tempo crítico de diversos temas que envolviam a juventude (temas como relacionamentos casuais, gravidez não planejada, narcisismo, ciúme, sempre abordados com bom humor e ironia) agradaram em cheio ao público brasileiro. Destaque para a faixa-título (uma ode de invasão dos paulistas às praias), "Rebelde Sem Causa", "Ciúme", "Inútil" (crítica inteligente a diversos temas) e "Eu Me Amo". Com o sucesso do álbum e das canções, a banda partiu para uma turnê pelo Brasil com lotações esgotadas, se tornando um dos maiores sucessos do rock brasileiro na década. A banda ainda faria sucesso nos dois próximos discos, mas o excesso de shows e a mudança de integrantes acabou desgastando muito a banda. Atualmente, somente Roger continua da primeira formação. A banda continua na ativa, fazendo shows pelo Brasil afora e tocando como banda fixa do programa de TV de Danilo Gentili.

Lulu Santos - "Normal" - a esta altura da década de 1980, Lulu Santos já era um nome consagrado e consolidado na cena pop-rock brasileira. Este quarto disco acabou sendo um certo desapontamento em termos de vendas, ficando abaixo dos dois discos anteriores dele, grandes sucessos que chegaram próximos a 400 mil cópias vendidas cada um (este chegou a menos de 200 mil cópias vendidas, segundo a Wikipedia). Ainda assim, rendeu a Lulu alguns hits, em especial as canções "Sincero""Brigas (Meu Benzinho)". Podemos destacar também a banda que tocou com Lulu no disco, com as presenças de Arthur Maia no baixo e Léo Gandelman no saxofone. Nos trabalhos seguintes, Lulu Santos teria queda de popularidade ainda maior, quando tentou misturar sua música com ritmos mais populares, em especial o funk carioca. Atualmente, ele voltou a ver seu nome estourado na mídia, principalmente por causa de sua participação no programa "The Voice Brasil", da Rede Globo. Lulu é um dos jurados que escolhem e treinam os cantores.

Plebe Rude - "O Concreto Já Rachou" - esta estreia da Plebe Rude pode ser considerada, de verdade, um EP (ou mini LP, como foi chamado por aqui), dada a duração curta do disco: pouco menos de 22 minutos apenas. Entretanto, nasceu como um clássico do rock nacional: desde a abertura com a emblemática "Até Quando Esperar", passando pelas impactantes "Proteção" e "Johnny Vai À Guerra (Outra Vez)", a crítica ao esquema das gravadoras em "Minha Renda", até o final com "Brasília", letras fortes e inspiradas, músicas marcantes, em um dos mais fortes registros de todas as bandas desta nova geração, de uma banda que praticamente não fez concessões para alcançar maior sucesso (apesar da aparição na TV, no programa do Chacrinha...). Esta bolachinha alcançou a marca de 200 mil cópias vendidas (segundo a Wikipedia), um marco para a banda. As canções deste álbum são tão fortes que são quase todas presença obrigatória nos shows da banda. A Plebe Rude manteria o sucesso com o álbum seguinte, "Nunca Fomos Tão Brasileiros", mas ao lançar o terceiro álbum já tiveram muitos problemas de divulgação e acabaram perdendo o momento de sucesso conquistado com os trabalhos anteriores. Um rápido momento de sucesso seria recuperado em 2000, quando gravaram um grande disco ao vivo. Só que a formação original se romperia novamente, com a saída do vocalista Jander Bilaphra. Clemente, vocalista dos Inocentes, seria seu substituto, e participaria dos dois álbuns de estúdio mais recentes, "R Ao Contrário", de 2006, e "Nação Daltônica", do ano passado. É o jeito que a banda vem sobrevivendo, com nenhum apoio de grandes gravadoras e lançando seus trabalhos quando podem. Uma lástima que os produtores musicais de hoje prefiram apoiar lixos descartáveis e ignorem bandas como a Plebe Rude...

Titãs - "Televisão" - depois de um álbum de estreia animador e bem sucedido, que rendeu aos Titãs o grande sucesso "Sonífera Ilha", este segundo álbum acabou se tornando um pouco desapontador para a banda. Com a produção de Lulu Santos, o disco marcou a estreia de Charles Gavin na bateria (Charles estava tocando com o RPM, já tinha tocado com o Ira! e abandonou a banda para entrar nos Titãs) e até produziu alguns pequenos hits, como a faixa-título, "Insensível" e "Dona Nenê", mas mostrou falta de unidade entre as canções (segundo a Wikipedia, a ideia era que cada canção representasse um canal diferente da TV) e insatisfação da banda com a produção de Lulu. Musicalmente, o álbum atira para todos os lados: pop-rock. reggae, uma linha romântica e até uma canção meio punk, que fechava o disco ("Massacre"). A falta de sucesso também pode ser justificada com a acirrada concorrência das outras bandas que surgiram e passaram a disputar espaço na preferência dos jovens (dentro da própria gravadora do grupo, WEA, a preferência foi para promover o disco de estreia do Ultraje a Rigor, que fez muito mais sucesso, como dito mais acima). Para completar a má sorte dos Titãs em 1985, no final do ano Tony Bellotto e Arnaldo Antunes foram presos por posse de drogas. Arnaldo chegou a passar um mês na prisão. Esses eventos transformaram a banda, trazendo dificuldades para agendamento de shows e deixando a banda muito frustrada e irritada com toda a situação que estava passando. Ingredientes fundamentais que foram o combustível para produzir o álbum seguinte, um dos mais seminais da história do rock brasileiro, "Cabeça Dinossauro". Recentemente, a banda repetiu um pouco sua própria história, ressurgindo de uma sequência fraca e desanimadora de lançamentos com o ótimo "Nheengatu", melhor lançamento nacional de 2014. A turnê deste disco tem sido um sucesso e a banda está recuperando seu status de uma das bandas mais criativas de sua geração!

Cazuza - "Exagerado" - após todo o sucesso do Barão Vermelho em 1984 e a consagração com a apresentação no Rock In Rio, seu vocalista e letrista resolveu abandonar a banda, para seguir carreira solo. Ele ainda levou tempo para lançar o álbum, já que teve que se tratar de uma pneumonia antes (talvez os primeiros sinais da AIDS atacando sua saúde; a mesma doença que tiraria sua vida, cinco anos depois). Musicalmente, o disco dá uma boa diluída no rock que Cazuza fazia no Barão, incluindo muitos teclados e baladas românticas como "Codinome Beija-Flor". As parcerias de composição se ampliaram: com Leoni (parceiro na faixa-título), Lobão (na faixa "Mal Nenhum") e com Frejat, o antigo parceiro no Barão (destaque para a canção "Só As Mães São Felizes"), já que Cazuza ficou com diversas composições que fariam parte do quarto disco de sua ex-banda. Os maiores sucessos do disco ficaram com a faixa-título e a balada já citada, que tocaram direto nas rádios FM. Cazuza ainda lançaria mais alguns discos de estúdio de sua carreira solo, mas com a saúde debilitada graças a AIDS, ele produziria bem abaixo da média. Em julho de 1990, perdeu a batalha com a doença e acabou falecendo, deixando uma legião de fãs órfãos. Até hoje é considerado um dos grandes poetas de sua geração!

Zero - "Passos No Escuro" - já falamos de um mini LP acima (o da Plebe Rude) e agora surge outro - alguma estratégia da gravadora na época e que não foi muito pra frente. O Zero era uma banda difícil de classificar: apesar de estar inserida no movimento de rock brasileiro, o estilo da banda está definido na Wikipedia como new romantic, algo derivado da new wave e com influências de Duran Duran, A-Ha, dentre outros. Muito uso de teclados, sintetizadores, as vezes bateria eletrônica. Não tão pop e com uma sonoridade mais dark, o Zero também tinha um vocalista excelente, Guilherme Isnard, que inseriu boas letras nas músicas da banda. Este disco foi um grande sucesso (disco de ouro, cem mil cópias vendidas, segundo a Wikipedia), graças a duas canções que estouraram nas rádios: "Agora Eu Sei", um dueto com Paulo Ricardo, do RPM; e "Formosa". A banda repetiria parte deste sucesso no disco seguinte, e a seguir anunciaria seu fim. Voltaram para tocar alguns shows em comemoração aos 15 anos da banda em 1999, acabaram lançando mais um álbum de estúdio e voltaram a entrar em hiato. Retornaram em 2007 com mais um álbum e turnê.

E chegamos ao fim de mais um post dedicado aos principais lançamentos de um ano. Aqui, varremos o ano de 1985 e os lançamentos do rock brasileiro, o famoso ano do boom do BRock. Espero que tenham gostado. Deixe suas impressões nos comentários. Um abraço rock and roll e até o próximo post!!

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