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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Hollywood Rock - 1993 - 20 anos de uma edição especial do festival

Este post vai falar sobre a edição de 1993 do festival Hollywood Rock, que completou vinte anos em janeiro. Um festival que teve muito destaque pela vinda das bandas grunge no auge de seu sucesso, incluindo o Nirvana, Alice In Chains e L7. O festival também trouxe pela primeira vez ao Brasil o Red Hot Chili Peppers.

Lá se vão vinte anos de um festival bem bacana na época. O ano anterior foi o ano da explosão de sucesso do grunge (confira este post sobre o ano de 1992), e quando chegou a época de anunciar as bandas para o festival, claro que muita gente queria ver esses grupos. Foram espertos, conseguiram pegar duas bandas muito fortes da época - Nirvana e Alice In Chains. Trouxeram também o L7, que na época estava com bom espaço na MTV (do tempo que a MTV era um canal de música...). Outro grupo que tinha explodido no ano anterior era o Red Hot Chili Peppers, com o disco "Blood Sugar Sex Magik" e o sucesso "Give It Away". Pronto, já tínhamos dois dias de atrações, completadas pelas atrações nacionais Defalla, Biquini Cavadão, Dr. Sin e Engenheiros do Hawaii. Para o terceiro dia, o festival apostou no grupo Simply Red, forte nos anos 80 e que já tinha tocado em uma edição anterior.

O palco do Hollywood Rock 1993
 Ao contrário da edição anterior, que precisou fazer uma promoção "um ingresso para duas pessoas" para trazer público, nesta edição as atrações foram fortes e conseguiram alavancar as vendas. Todos queriam ver as sensações do momento no rock, em especial o Nirvana, que havia desbancado medalhões do pop no ano anterior, chegando ao topo da parada americana. Na época os ingressos para esses festivais não eram tão caros assim - me lembro perfeitamente de trabalhar ganhando pouco mais que um salário mínimo da época e conseguir comprar para dois dias de festival! Bons tempos aqueles...

O primeiro dia de shows foi uma sexta-feira, e como não consegui liberação no trabalho para sair mais cedo, resolvi debandar depois do almoço, partindo para a Apoteose com meu primo e sua namorada. A primeira atração da noite, Defalla, fez um show morno, pouquíssimos do público conheciam o trabalho desses gaúchos na época (acho que persiste até hoje o desconhecimento...). Um show curto que passou rápido e pouca gente viu. A seguir, o Biquini Cavadão veio com aqueles sucessos que todo mundo cantava na época, em especial "Zé Ninguém" e "Vento Ventania". Agradou o público, mas eu meio que me resguardei para as atrações internacionais. O final do show do Biquini deixou todos na expectativa para a primeira atração internacional da noite - o Alice In Chains, que fazia sucesso na época com o single "Would?", que fez parte da trilha sonora do filme "Singles". Este single saiu do álbum "Dirt", que começava a decolar nos EUA e levou a banda a abrir para Ozzy Osbourne e mais tarde tocar no festival Lollapalooza. Foi um show pesado, sem muitas concessões, com a banda tocando muitas faixas de seu novo disco. Me lembro de muita gente reclamando desse show na época, achando meio arrastado, mas este era o estilo da banda, que só tinha dois grandes sucessos quando veio pela primeira vez ao Brasil - o single citado e "Man In The Box", que levantou o público pra valer. Particularmente, eu adorei o show, já estava curtindo muito o discaço deles na época.

O falecido vocalista Laine Staley se apresentando no festival
Pra encerrar a primeira noite, uma apresentação inspirada dos Red Hot Chili Peppers, que abriram o show com seu maior sucesso, "Give It Away", levantando totalmente a plateia. Na época, a banda entrava com uns trajes muito doidos, com uns capacetes com labaredas (ver foto abaixo) que impressionavam muito. Naqueles dias, a banda tinha o guitarrista Arik Marshall, que ficou na banda por um curto período de tempo, apenas tocando em shows da turnê que eles faziam nesta época. Flea e Anthony Kiedis conduziram o show com muita movimentação no palco, pulando o tempo todo e agitando bastante. O grande momento do show foi na canção "Higher Ground", quando o vocalista chamou uma intérprete para pedir ao público para tirar as suas camisas e agitá-las no ar (veja o vídeo abaixo). Outro bom momento foi com a balada "Under The Bridge", que encantou a plateia. Depois, achei que a banda se perdeu um pouco, trazendo a bateria de uma escola de samba para tocar com eles no palco. No bis, a banda tocou uma cover de Jimi Hendrix e encerrou o belo show em grande estilo.

Os capacetes com labaredas que o Red Hot usava nos shows da época
Um pouco de sofrimento para conseguir chegar em casa (na época eu morava longe, dependia bastante de ônibus, e o metrô não tinha toda a extensão que tinha hoje, muito menos circulava de madrugada...), e toda uma manhã dormindo para aguentar a noite seguinte, mais grunge ainda. Ao entrar na Apoteose, encontro um monte de amigos que nem sabia que iam no show, e ficamos lá trocando ideias e zoando até a primeira atração adentrar o palco: os desconhecidos (na época) do Dr. Sin. Bem, a gente sabia que os irmãos Busic, ex-Taffo, estavam na empreitada, então eu esperava aquele hard rock açucarado, mas até que a banda se saiu bem e com algumas covers de Led Zeppelin e AC/DC acabaram ganhando o público. A segunda atração da noite, Engenheiros do Hawaii, tinha um rosário de sucessos para deixar o público a seus pés, mas não exatamente o público daquela noite, mais ávido por bandas grunge. Mesmo assim, acabaram fazendo uma boa apresentação, apesar de diversas vaias das alas mais radicais que aguardavam o Nirvana. Na época, a banda ainda tinha aquela formação clássica  de trio com Carlos Maltz na bateria e Augusto Licks na guitarra, mas essa formação implodiria em mais alguns meses, e a banda não encontraria mais o mesmo sucesso de antes.

Hora da primeira apresentação gringa - o L7. Banda formada somente por mulheres, mas com um som bastante sujo, flertando com o punk, e alavancadas a um efêmero sucesso graças a terem em seu álbum o mesmo produtor do Nirvana - foi o suficiente para serem taxadas de grunge e serem incluídas no "movimento". A performance da banda foi boa, bastante energética, tentando contagiar o público que conhecia (pouco) apenas as mais conhecidas do disco mais recente da banda na época, "Bricks Are Heavy". Os melhores momentos do show foram quando a banda tocou seu maior sucesso, "Pretend We're Dead" e quando acabaram tocando um trecho de "Enter Sandman", do Metallica, quando a vocalista anunciou que iriam tocar um "samba". O momento de maior empolgação até então no dia, mas a banda mais aguardada de todo o festival estava a caminho...

Kurt Cobain se apresentando no festival brasileiro. Ele e Layne Staley acabariam falecendo e não se apresentariam mais no Brasil
Sobre o show do Nirvana existiam, na época, duas expectativas diferentes: a expectativa inicial era de o Nirvana realizar aqui no Brasil mais um de seus shows energéticos e explosivos, como os que a banda vinha fazendo em suas turnês lá fora. Porém, depois do show polêmico e totalmente diferente que a banda fez em São Paulo, onde o festival aportou na semana anterior, a expectativa passou a ser: será que teremos mais um show estranho como o de São Paulo ou um show mais normal? Felizmente, a banda seguiu mais ou menos um set list combinado, explorando as melhores canções dos três álbuns lançados até então: "Bleach", "Nevermind" e "Incesticide". A banda abriu com "School", do primeiro disco, e seguiu tocando diversas canções conhecidas, como "Breed", "In Bloom", o mega-sucesso "Come As You Are", "Litihum", "Polly" e por aí foi o show, que teve mais ou menos uma hora e meia de duração. No maior sucesso da banda, "Smells Like Teen Spirit", Flea tocou o solo em um trompete (veja o vídeo abaixo). Mais para o final do show, Kurt resolveu alucinar um pouco e fez sexo com uma das câmeras que registravam a apresentação - tudo isso passando ao vivo pela Rede Globo!! No final, a banda ainda teve tempo de tocar uma cover de "Sweet Emotion", do Aerosmith e encerrar com a arrasa-quarteirão "Territorial Pissings". Uma apresentação muito polêmica na época, já que a banda nunca foi unanimidade, sempre foi muito criticada pela carência técnica dos instrumentistas e pelas loucuras que seu vocalista e guitarrista fazia. Entretanto, estas apresentações se tornaram antológicas e quem viu presenciou um momento histórico da história do rock, sendo construído ali na nossa frente, em nossa cidade. Quem vivenciou pode contar para seus filhos!!

(não falarei sobre o terceiro dia, pois não fui aos shows, mas a apresentação da Midnight Blues Band foi muito comentada e elogiada - aquela banda com membros do Barão Vermelho e Kid Abelha e que tocava clássicos do blues, soul e rock and roll)

O festival se tornou um marco para o Brasil, mostrando que tínhamos condições e público para abrigar apresentações de bandas de sucesso da época, sem necessariamente serem os medalhões que todo mundo estava acostumado a trazer. O festival Hollywood Rock ainda teria mais três edições, todas de muito sucesso - mas estas edições são assunto para outros posts... Fique ligado!!

Line-up de cada dia:
Praça da Apoteose (em São Paulo, os shows aconteceram na semana anterior)
22 de janeiro de 1993: Defalla, Biquini Cavadão, Alice In Chains e Red Hot Chili Peppers.
23 de janeiro de 1993: Dr. Sin, Engenheiros do Hawaii, L7 e Nirvana.
24 de janeiro de 1993: Midnight Blues Band, Maxi Priest e Simply Red.

Alguns vídeos:
Alice In Chains - "Man In The Box", ainda com o falecido Laine Staley (que saudade...):

Red Hot Chili Peppers - "Higher Ground", todo o público girando camisas:

L7 - trecho de "Enter Sandman", do Metallica, com zoação na letra:

Nirvana - "Smells Like Teen Spirit", com participação de Flea, dos Red Hot Chili Peppers:

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