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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Música na Nuvem - Os roqueiros participarão?

(Este post foi sendo escrito antes da morte do cara que revolucionou o comércio de música digital, então minhas homenagens a este gênio da computação moderna, Steve Jobs)
Este post vai falar um pouco sobre a novidade da indústria da música: a música na nuvem. Os roqueiros irão aderir à novidade? E os grandes colecionadores? Como reagirão? Os catálogos antigos serão disponibilizados? Falaremos sobre os novos serviços que já estão disponíveis lá nos EUA e que, tudo indica, em breve estarão ao nosso alcance.

A indústria da música passou por maus bocados nos últimos anos. Os diversos serviços de compartilhamento de música que surgiram na década passada - Napster, AudioGalaxy, Kazaa, Morpheus e diversos outros - desferiram poderosos golpes e combaliram bastante as gravadoras, que passaram a atacar quem não tinha nada a ver com a briga: simples usuários que baixavam músicas para escutar e curtir seus artistas preferidos. É certo que a poderosa associação das gravadoras (RIAA, sigla em inglês) conseguiu derrubar os principais serviços que foram surgindo, mas o fato é que o compartilhamento de músicas continua acontecendo, seja entre amigos ou nas redes sociais. E este compartilhamento afetou demais a vida das gravadoras, derrubando de vez algumas, forçando outras a realizarem fusões para se manterem no jogo.
iPod, parte de uma revolução no jeito de se ouvir música
Mas uma virada aconteceu. Foi quando a Apple, que já tinha estrondoso sucesso com seu iPod, resolveu entrar no jogo. Por volta de 2003, a empresa criou uma loja de comercialização de música, iTunes (o software em si já existia antes mesmo do surgimento do iPod), que se tornou um estrondoso sucesso (lá fora - ainda estamos de fora desta brincadeira...) e transformou o negócio de vender música, que parecia fadado a desaparecer, novamente em uma atividade lucrativa. Além de tornar muito mais cômodo o ato de comprar música, basta um clique e você, depois de alguns minutos, já está escutando sua música preferida. Para se ter uma idéia do sucesso do iTunes, segundo este site, de cada 4 músicas vendidas nos EUA, uma é vendida pelo iTunes - isso incluindo vendas físicas!! Um quarto de mercado é um grande percentual. Se considerarmos apenas as vendas digitais, o percentual da loja da Apple sobe para 69%.

E agora, mais novidades começam a surgir. A idéia agora é que você não precisa ficar com suas músicas MP3 (ou seja lá qual formato seja utilizado). Agora as músicas ficarão na "nuvem" (termo que designa a Internet, ou seja, dizer que sua música ficará na nuvem é igual a dizer que ficará em algum computador na Internet, e você terá acesso a ela via algum aplicativo disponibilizado), e você poderá acessá-las de qualquer lugar: no seu computador ou notebook, no seu tablet, no seu smartphone, na sua TV com acesso a Internet. Tudo automaticamente sincronizado. Para tal, você paga uma taxa mensal ou anual de acordo com o espaço disponível. Parece um pouco com o que está acontecendo com o negócio de locação de filmes - empresas locais já estão recebendo concorrência de gringos como o Netflix. Até o presente momento, três grande empresas já oferecem esta novidade: a Apple, com seu serviço iCloud; a Google, com seu serviço Google Music; e a Amazon, com seu serviço Amazon Cloud Player. Explicaremos rapidamente as características de cada um a seguir.

Apple iCloud - o serviço da Apple está sendo oferecido como um tudo em um que armazenará seus documentos, imagens, calendário, e também sua música. Estará disponível quando a versão 5 do iOS (sistema operacional que executa nos iPhones, iPods e iPads) for lançada - está prometida para o outono do hemisfério norte. A versão gratuita oferece 5 GB para armazenar seus dados, e promete manter todos os seus dispositivos Apple em sincronia e com as mesmas músicas, imagens e o que mais estiver armazenado em seu espaço virtual. Por US$ 24,99 anuais (com limite de 25 mil canções), o usuário poderá utilizar o serviço iTunes Match, que promete "legalizar" toda a sua biblioteca do iTunes e ainda atualizá-la para a versão de 256 kbps (as músicas que o serviço conseguir localizar a correspondente na biblioteca do iTunes ele atualiza; as demais ele deixa a versão original do usuário).

Amazon Cloud Player - também oferece um plano gratuito de 5 GB, que serve como um disco virtual na Internet. As músicas digitais adquiridas na Amazon não diminuem este espaço. 20 GB de espaço custam US$ 20 por ano. As suas músicas armazenadas na Amazon podem ser escutadas em seu PC com Windows ou Mac, pela Web ou por um smartphone com Android. Percebam que neste serviço as músicas devem ser adquiridas na loja digital da Amazon (disponível apenas nos EUA). O preço típico de uma música é de US$ 0,99. O preço de um álbum gira entre US$ 5 e 10. Você pode também pegar seus arquivos MP3 e enviá-los para seu espaço na nuvem.

Google Music - o serviço da Google está oferecendo, gratuitamente, espaço para o usuário armazenar até 20.000 canções e escutá-las em seu PC ou smartphone com Android. Ele promete manter as músicas mais tocadas (ou as que o usuário escolher) disponíveis mesmo sem o acesso a Internet. Também promete importar sua biblioteca do iTunes. Oferece também um site, Magnifier, com diversas músicas gratuitas. O que o Google ainda não oferece é uma loja de música, com canções de artistas conhecidos e desejados. Mas pelo tamanho da empresa e da empreitada, provavelmente já está nos planos da gigante de buscas. É aguardar pra ver...

Detalhezinho: todos os três serviços estão disponíveis apenas nos EUA. E o nosso Brasil, como fica? Encontrei este artigo que disseca de forma bem legal as lojas disponíveis no nosso país e também explica os formatos e as proteções contra cópia, que estão obsoletas lá fora. Vale a pena conferir. Uma pena que as lojas de música digital brasileira sejam poucas e ainda usem tecnologias obsoletas.

Podemos falar um pouco também sobre o Grooveshark, um site que permite você escutar diversas músicas on line. Um tocador de músicas que contém um grande catálogo que você pode desfrutar. Para escutar, nem precisa se cadastrar no site, mas se você se cadastrar, você pode fazer playlists personalizadas, conectar sua conta com outras redes sociais como o Facebook, até divulgar suas playlists nestas redes. A coisa melhora se você decidir pagar: por US$ 6 por mês, você remove todas as propagandas chatas que poluem o visual do site; por US$ 9 por mês, você pode escutar música pelo seu telefone celular. Este é um serviço relativamente recente que está crescendo rapidamente e não sei como estão lidando com as gravadoras, no pagamento de direitos autorais. Até agora, é um serviço bem interessante, vejamos como se resolvem juridicamente...

Agora, a minha pergunta mais fundamental, que tem a ver com nosso blog aqui, é a seguinte: Os roqueiros comprarão a idéia? Ou seja, se o serviço for disponibilizado no Brasil, teremos adesão dos curtidores do bom e velho rock and roll? Ora, os roqueiros sempre gostaram da arte na capa de seus discos, sempre foram mais colecionadores que os outros fãs de música. E agora, que não teremos mais disco pra comprar, só o arquivo digital? Podemos nem ter o arquivo no nosso computador!!

Além disso, percebam que nem todas as nossas preferidas bandas de rock estão com seu catálogo disponível digitalmente. Só pra citar alguns exemplos, o Aerosmith só entrou pro iTunes recentemente; idem para os Beatles; e o AC/DC, bom este não tem nenhuma musiquinha lá e já declarou que não pretende colocá-las na nuvem!! Como ficar sem nenhuma música dos grandes australianos pra escutar?? Não dá mesmo!! Mas também não dá pra ficar meses e meses (algumas vezes, anos...) esperando um lançamento internacional chegar aqui no Brasil (e por preços exorbitantes e qualidade gráfica sofrível). A venda digital permitiria preços mais justos para as músicas e acesso muito mais rápido (assim esperamos, claro!).

Devemos considerar também que alguns artistas devem se sentir ameaçados por este mar de novidades tecnológicas. O Metallica, que comprou briga feia contra o Napster, hoje em dia oferece cada show em MP3 e FLAC (Free Lossless Audio Codec, um formato criado para que não haja nenhum tipo de perda na conversão analógico para digital). Já o AC/DC, conforme citamos, não quer nenhum contato com as novas tecnologias. O Pink Floyd entrou numa briga com sua antiga gravadora, que estava comercializando sua música avulsa, e ganhou a parada - eles só aceitam que se vendam os álbuns completos, para que o ouvinte tenha acesso a todo o conceito. Será que os novos serviços e lojas de comercialização de música bolarão alguma forma de "venda casada", ou seja, vender apenas um álbum completo, sem as canções avulsas?

Meu pensamento é que as duas formas conviverão por algum tempo, e aos poucos a forma antiga será abandonada. Porque os mais novos não tem o costume de comprar disco mesmo. Isto é coisa da galera das antigas, que curtia comprar um álbum, aquele cheirinho de novo, ficar observando a capa, abrir o encarte, ler e acompanhar a música tentando cantar a letra, tudo isso. Conforme esse pessoal antigo for se acostumando com a novidade, eles vão migrando. E as lojas que vendem CD estão minguando mesmo, já é uma tendência, não tem jeito. E não me venham dizer que o vinil está voltando. Não está. É um nicho, apenas para colecionadores. Poucas fábricas. Não tem muito pra onde crescer.

No nosso país, vejo um pequeno entrave antes de toda esta modernidade nos atinja: nossa legislação. Antiga, destoante com as novas tecnologias, e nossos queridos deputados e senadores não conseguem pensar sem ganhar agrados. Desta forma, os poderosos lobbies de gravadoras, do ECAD e de um monte de outros sanguessugas acaba deixando nosso Brasil na era das trevas. Alguns artistas estão batalhando para uma evolução das leis de direito autoral, e a batalha deles é árdua. Destaco Leoni, ex-Kid Abelha, sempre uma voz inteligente nesta e em outras matérias (como a máfia das carteirinhas de estudante).

Agora só nos resta torcer que todo este imbróglio seja resolvido e esses serviços sejam inaugurados no nosso Brasil e que os catálogos nacionais e internacionais estejam acessíveis a nossos ouvidos com um simple clique ou um simples toque de nossos dedos. Imaginem só!! Pena que não teremos aquele cheirinho de novo, o prazer de abrir a embalagem, de folhear o encarte. Gostem ou não, a nova era da música está chegando!

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