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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

O disco preto do Metallica - Parte II: o disco, faixa por faixa


Este é o segundo post em homenagem aos vinte anos do disco preto do Metallica. Neste post, dissecaremos o álbum, faixa a faixa, e daremos uma nota a ele. Vamos ao trabalho então!


O disco foi lançado no dia 12 de agosto de 1991, e foi parar no topo da parada da Billboard, ficando lá por quatro semanas consecutivas. É o disco mais vendido do Metallica, com números próximos a 22 milhões de cópias no mundo inteiro. Ao contrário dos discos anteriores, neste o Metallica abusou da promoção, lançando seis singles ("Enter Sandman", "The Unforgiven", "Sad But True", "Nothing Else Matters", "Wherever I May Roam" e "Don't Tread On Me"), quase todos com vídeos promocionais para a MTV. Apesar de alguns fãs chiarem e reclamarem que a banda reduziu sua velocidade de ataque, o disco multiplicou os fãs da banda e a tornou um dos grupos de heavy metal mais conhecidos do planeta. Para termos uma noção da importância e do sucesso deste disco, nenhum álbum lançado desde então nos EUA vendeu tanto.

Vamos então falar sobre o disco, faixa por faixa (recomendo que vocês escutem o disco enquanto leem esta resenha):

1 - Enter Sandman - o grande sucesso do disco, primeiro single a ser lançado, com aquele vídeo clip explorando os medos comuns constantes de pesadelos, começa com um riff lento, que vai crescendo, a bateria entra, o peso e o clima vão engradecendo e a canção explode num ritmo frenético que tem sido, por vinte anos, um dos pontos mais altos nos shows da banda. Apesar de todo o peso e grandiosidade da canção, seu riff é simples e direto, e talvez por isto, e pelo refrão marcante, tenha ajudado o Metallica a estourar nas paradas de sucesso. A letra fala sobre Sandman, personagem mítico que soprava areia nos olhos das crianças, para dormirem. Foi abordado em histórias em quadrinhos como o mestre dos sonhos. Kirk afirmou, no vídeo "A Year And A Half...", que ele compôs o riff numa madrugada. Que inspiração!
2 - Sad But True - uma das músicas mais marcantes da banda, começa com mais um riff simples e direto com tremenda força, e a música entra em um ritmo forte de peso impresso pela combinação das guitarras e da bateria de Lars. O solo de Kirk se destaca com intensidade mais uma vez e o refrão no meio do solo reforça mais uma vez a força da canção. A voz de James parece berrar com a determinação e raiva necessárias para fazer da música um clássico supremo. Para mim, esta é a melhor música do disco!
3 - Holier Than Thou - esta canção começa num ritmo mais acelerado, num riff forte e uma levada que nos faz lembrar que ainda temos o Metallica antigo presente aqui. A voz de James continua se destacando, acentuada pelo belo trabalho de produção que Bob Rock fez (muitos falam mal dele, eu incluído, mas neste trabalho em particular ele se superou. Já nos discos seguintes...). Mais um solo em que Kirk explora bastante seu pedal wah-wah. Finalmente ouvimos claramente o baixo de Jason, que sempre foi claramente boicotado pela banda. Esta é uma das pouco conhecidas do disco.
4 - The Unforgiven - esta não é a primeira balada que o Metallica escreveu em sua carreira, mas foi talvez a mais suave. Ao contrário de "Fade To Black" e "Welcome Home (Sanitarium)", que tinham trechos de peso mais intenso no final, esta mantém seu andamento cadenciado e calmo até o fim. Talvez esta canção seja a primeira forte mudança de que todos falaram que este disco trouxe. Mas não se enganem, temos uma canção de grandes qualidades, bela melodia e uma letra extremamente pessoal de James. No lançamento do vídeo, um grande alarde foi feito na época, utilizaram até uma versão de 12 minutos toda dramatizada em cima da letra. No solo, temos todo o esforço que consumiu Kirk durante as gravações... (veja o primeiro post aqui pra saber do que falo aqui).
5 - Wherever I May Roam - aqui tivemos uma inovação da banda, utilizando uma cítara elétrica para a introdução, meio indiana, que apenas precede uma grande música, uma ode à vida na estrada que a banda iria levar pelos próximos anos de turnê intensa. O riff, feito na introdução com a cítara citada, ganha força na guitarra de James e dá vida a mais uma grande canção deste álbum. E James parece cantar com muito gosto a letra, como que reverenciando todo o sentido das palavras cantadas. No final, versos que gosto muito: "Carved upon my stone: my body lie, but still i roam". Numa tradução livre: "Gravado na minha lápide: meu corpo repousa aqui, mas eu continuo vagando".
6 - Don't Tread On Me - percebi, observando comentários na Internet, que muita gente não gosta desta música. O próprio James não gosta (segundo a Wikipedia). Inclusive, a banda nunca a tocou ao vivo. Pessoalmente, não a acho tão ruim assim, mas pelo nível das outras do disco, realmente ela é a mais fraca. O solo de Kirk também não é muito bom, então acho que James tem razão...
7 - Through The Never - esta é a arrasa-quarteirão do disco, a mais rápida canção. Começa num ritmo frenético e depois diminui para os vocais entrarem, crescendo até chegar ao clímax com o seu refrão. O solo de Kirk também se destaca por seguir a velocidade mantendo seu estilo característico. Após o solo, um trecho de peso marcado, parecido com o trecho de "Creeping Death", para depois a velocidade aumentar e crescer até a última repetição até o refrão. Grande destaque do disco!
8 - Nothing Else Matters - mais uma balada, esta quase que totalmente acústica, algo inédito até então para a banda. Os fãs mais hardcore chiaram bastante, mas é uma música linda, de melodia belíssima, arranjo orquestral de Michael Kamen e solo do próprio James e que ainda se mantém uma presença requisitada nos set lists de shows da banda. Particularmente, eu adoro esta canção, posicionada especialmente entre dois grandes petardos na sequência do disco. Outro destaque!!
9 - Of Wolf And Man - depois de uma música tão calma, a sequência nos traz um grande petardo, onde James libera todo o seu instinto animal em um riff forte que marca a canção. Ao vivo, esta música fica excelente, mas ela não é tão comum assim em shows (o Metallica tocou-a aqui no Brasil em 1993 e em 1999).
10 - The God That Failed - outra música em que claramente escutamos o baixo de Jason (faz a introdução), outra música também que poucos gostam. Eu vou contrariar desta vez e dizer que adoro esta. Após o riff introdutório de baixo, a guitarra entra com peso forte e marcação, e a música vai seguindo num crescente que me agrada muito. A temática da letra da canção também me agrada, onde James relata seu desgosto com a religião que sua família quis obrigá-lo a seguir. Me agrada particularmente o final do refrão: "Follow the God that failed". Siga o Deus que falhou...
11 - My Friend Of Misery - mais uma com o baixo de Jason na introdução. Mas nesta canção é bastante justificável, já que ela é a grande contribuição dele para o álbum, ele é um dos principais compositores. Durante a turnê, ele tocava a introdução como o começo de seu solo de baixo. É uma canção de andamento moderado, mas com um arranjo de muita qualidade, especialmente o trecho calmo no meio da canção, precedendo mais um belo solo de Kirk (um dos melhores neste disco). Particularmente gosto muito desta canção, outro grande destaque do disco para mim!
12 - The Struggle Within - pra encerrar no melhor estilo do Metallica (a banda adora encerrar seus discos com canções rápidas, vide "Metal Militia", "Damage Inc." e "Dyers Eve"), outro arrasa-quarteirão, uma música pesada e rápida, que começa como que numa marcha militar crescente para explodir em uma grande canção heavy metal. Kirk fecha sua participação com outro solo de qualidade e aqui termina um dos grandes clássicos de heavy metal dos anos 90.

Depois de escutar mais uma vez este disco, não tenho dúvidas de que é um clássico que sobreviveu ao tempo, um disco que deixou diversos clássicos para o heavy metal. Por estes motivos, eu dou nota 10 ao disco! Feliz aniversário de 20 anos ao disco preto do Metallica!!

Pra ilustrar, vídeos de algumas músicas não tão conhecidas do disco:
Holier Than Thou (apenas a versão do disco, sem vídeo):



The God That Failed (ao vivo no festival de Donnington, 1995):



The Struggle Within (apenas a versão do disco, sem vídeo):



Acompanhe o blog pelas redes sociais. FacebookTwitterTumblr. Na próxima semana, encerraremos esta série sobre o disco preto do Metallica falando sobre a longa turnê de divulgação deste disco. Até lá!

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