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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O disco preto do Metallica - Parte I: as gravações com Bob Rock

Este post é o primeiro de uma série de três posts que vai dissecar o álbum homônimo do Metallica, mais conhecido como disco preto, que está prestes a completar 20 anos de idade. É uma forma de homenagear um dos discos mais vendidos de heavy metal de todos os tempos, uma singela homenagem de um fã de Metallica. Este post vai falar sobre as sessões de gravação. Os próximos posts irão dissecar o álbum faixa por faixa e falar sobre a mega-turnê que a banda fez para promover o álbum.


O disco preto do Metallica - Parte I: as gravações com Bob Rock
Os integrantes da banda na época estavam próximos dos 30 anos de idade (James, Lars e Jason tinham 27, Kirk tinha 28), já tinham alcançado um sucesso considerável, mas ainda não tinham estourado completamente na mídia. "...And Justice For All", o disco anterior, alcançou grande sucesso, e foi o primeiro da banda a entrar no Top 10 da Billboard (todos os álbuns de estúdio seguintes entrariam no topo da parada americana). Conforme as novas composições foram surgindo, a banda percebeu que tinha nas mãos um material com potencial para um grande sucesso. Precisavam então de um produtor capaz de guiá-los neste caminho. Por este motivo, decidiram romper com seu tradicional produtor Flemming Rasmussen, provavelmente já com a ideia de romper também com o som thrash metal tradicional dos discos anteriores (meu palpite é que deve ter sido punição pelo péssimo som produzido no disco anterior - "...And Justice For All" é muito bom, mas o som é muito mal produzido!). A escolha da banda pra novo produtor recaiu sobre Bob Rock, que já havia trabalhado em álbuns de grande sucesso tais como "Slippery When Wet", do Bon Jovi"Sonic Temple", do The Cult, e "Dr. Feelgood", do Motley Crue. Em entrevista recente (veja trechos traduzidos aqui), Bob afirmou: "Um bocado de pessoas pensa que eu mudei a banda. Não mudei. Suas cabeças já estavam mudadas quando os conheci".

O produtor Bob Rock
As gravações iniciaram em outubro de 1990, quando a banda entrou no estúdio One on One. Duraram oito meses, indo até junho de 1991. Nem todo o tempo foi gasto neste estúdio. Durante um curto período, a banda se mudou para o Little Mountain Sound Studios, em Vancouver, no Canadá, terra natal do produtor Bob Rock. A ideia da banda era mudar de ares um pouco, se afastando da movimentada Los Angeles, que provavelmente trazia diversas distrações para os integrantes... Segundo a Wikipedia, gravar o disco custou aproximadamente um milhão de dólares. Mas o que rendeu de lucros e dividendos, tanto para a banda, quanto para a gravadora, valeu todo o investimento feito.

Pelo que mostra o home video "A Year And a Half In The Life Of Metallica", a banda se estressou bastante com o ritmo do novo produtor. Imaginem passar oito meses quase o dia inteiro no estúdio, com a pressão de produzir um novo álbum que obtivesse sucesso maior que o anterior. Segundo a Wikipedia, o stresse e a longa duração das gravações acabaram levando ao fim três casamentos (não citam de quem). Bob Rock implicava com os membros, buscando arrancar deles a melhor performance possível. Alguns levavam na boa, outros se estressavam. No começo das gravações, quando gravavam a master para guiar a gravação das partes de bateria, todos reclamaram do ritmo de Lars, que preferia dormir de dia e varar a noite gravando. Superadas as desavenças de horário, o baterista finalizou suas partes e os outros integrantes partiram para realizar seu trabalho. James gravou as guitarras base e os vocais, sendo bastante exigido de Bob, que procurou conduzi-lo a um modo, digamos assim, mais "qualificado" de cantar. James explorou diversos tipos de guitarra, desde Gibsons Les Paul, guitarras antigas e até cítaras, esta última utilizada na introdução de "Wherever I May Roam".

Bob Rock, Lars Ulrich e James Hetfield no estúdio
Depois de James, chegou a vez de Jason gravar as partes de baixo. Ele explica no vídeo que tem um estilo de tocar forte devido a baixos inaudíveis que ele possuía, então ele tinha que tocar bem forte para ouvir o que tocava. Bob Rock não gostou do barulho das palhetadas de Jason, dizendo que poderiam atrapalhar a gravação ou algo parecido, e surge um certo impasse. O jeito foi encasular Jason enquanto ele tocava: uma barreira de caixas foi feita entre ele e o produtor, para seu estilo não incomodar o chefe. No final das contas, Jason elogiou o trabalho de Bob, dizendo que o ajudou a encontrar o melhor som para combinar com o restante dos instrumentos.

O último a gravar foi Kirk. Este foi o que mais sofreu na mão do produtor. Durante a gravação do solo de "The Unforgiven", ele foi obrigado a fazer e refazer diversas vezes o solo até chegar a versão final aceita pelo produtor (diga-se de passagem que a primeira versão que aparece no vídeo é bem fraquinha mesmo - ver vídeo mais abaixo).

Enquanto os outros gravavam suas partes, Lars Ulrich ficava escutando os takes gravados e ia tentando decidir quais eram os melhores a serem utilizados. E até mostra o engenheiro de som brincando com as fitas e montando a melhor versão para uma música. Uma outra curiosidade é que um trecho do vídeo mostra um tecladista tocando na faixa "The Unforgiven". Se a gravação final acabou com teclados ou não, não sei...

A banda procurou se distrair enquanto realizava as gravações. As revistas com fotos de mulheres nuas eram fartas e diversas páginas eram coladas pelo estúdio, para "melhorar o clima" das gravações. A banda também tinha a sua disposição uma mesa de sinuca (Jason mostra no vídeo que joga mal) e jogo de dardos, onde o alvo era uma foto de Kip Winger. Esta implicância, aparentemente gratuita, não foi entendida pelos membros do Winger, que já deram entrevista ao programa "That Metal Show", do canal VH1, dizendo não entender o porquê desta atitude. O vídeo também mostra a banda ajudando um fã com câncer, que vai ao estúdio com a família e acaba tocando junto com a banda e realizando seu grande sonho.

Após todo o extenso período de gravações, a banda partiu para a mixagem do álbum. Os que mais contribuíram foram James e Lars. James cita no vídeo que houve muitas discussões, mas o produtor Bob Rock "desistia muito facilmente". Ao final de todo este período de stresse de gravações e mixagens, estava pronto para ser lançado um dos maiores lançamentos do heavy metal. Nas previsões de Bob Rock, contidas no vídeo, ele deu dois palpites: o primeiro, foi que o disco conteria 5 ou 6 clássicos da banda (acertou em cheio!); o segundo, que a primeira música a estourar seria "Holier Than Thou" (errou feio!). No próximo post, dissecaremos o álbum, faixa por faixa. Até a próxima semana!


Alguns vídeos das gravações:
A banda relaxa no estúdio tocando "Last Caress":

Trechos engraçados das gravações no estúdio:

Mais trechos de gravação - James gravando vocais e suas partes de guitarra e Lars adicionando sons diferentes:

A batalha entre Kirk Hammett e Bob Rock para gravar o solo de "The Unforgiven":


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